Por que 88 mil eletrificados deixaram de ser vendidos no Brasil em 2024?
Estudo revela os principais motivos que afastaram consumidores de veículos elétricos e híbridos
Um dado surpreendente do estudo "Jornada de Compra de Veículos Eletrificados no Brasil", realizado pela consultoria Dados X para a Abeifa (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores), mostra que 88 mil veículos eletrificados deixaram de ser vendidos em 2024, mesmo entre consumidores que já estavam interessados nessa tecnologia.
Mas por que isso aconteceu?
A vontade existe, mas a decisão trava
De acordo com o levantamento, quase 270 mil pessoas estavam em algum estágio da jornada de compra de um carro eletrificado (que inclui elétricos 100%, híbridos e híbridos plug-in). No entanto, muitas acabaram desistindo ou adiando a decisão por uma série de motivos.
Entre os principais obstáculos citados pelos consumidores estão:
- Dúvidas se o carro combina com o estilo de vida
- Insegurança causada por posts e vídeos negativos
- Falta de confiança na hora de fechar a compra
- Falta de apoio da família na escolha
Essas barreiras, embora pareçam simples, mostram que a escolha de um carro eletrificado ainda vai além da ficha técnica e do preço. Envolve emoções, valores e medos.
Desejo x realidade
O estudo também revela que o consumidor brasileiro vê o carro elétrico como um símbolo de inovação, status e economia. Muita gente se encanta com a ideia de dirigir um veículo moderno, silencioso e mais sustentável. No entanto, dúvidas sobre a infraestrutura de recarga, autonomia e manutenção fazem esse desejo esbarrar na realidade.
Por isso, muitas pessoas que começam buscando um carro 100% elétrico acabam optando por um híbrido — que une motor a combustão com um motor elétrico e passa mais segurança para quem ainda está se adaptando a essa nova tecnologia.
A pressão das redes (e dos haters)
Outro ponto importante está na internet. Segundo o estudo, mais de 1,6 milhão de pessoas interagiram com conteúdos de montadoras sobre veículos eletrificados. Mas junto com o interesse, vieram também as críticas.
Grupos organizados de “haters” têm atuado ativamente para desacreditar os carros elétricos nas redes sociais. Com postagens frequentes, patrocinadas ou não, eles reforçam narrativas negativas e geram mais insegurança no consumidor.
O que pode mudar esse cenário?
Para reverter esse quadro e ajudar o mercado a crescer, o estudo aponta alguns caminhos:
- Aumentar a confiança na hora da compra, com informações mais claras e objetivas
- Reduzir o tempo da jornada de decisão, facilitando o acesso a test-drives e comparativos
- Combater a desinformação, com mais conteúdo de qualidade
- Ajudar o consumidor a escolher o modelo ideal, de acordo com seu perfil e rotina
Conclusão
O interesse pelos carros eletrificados no Brasil é real e crescente, mas ainda há um longo caminho até que o desejo vire venda. Informar melhor o consumidor, mostrar que a tecnologia é viável e criar confiança são passos essenciais para transformar essas 88 mil desistências em novas conquistas para o setor.
Fonte: Abeifa/X
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