Stellantis valida nova bateria com recarga em 18 minutos
Célula semi-sólida será testada em frota do Dodge Charger Daytona a partir de 2026
A startup de baterias Factorial, sediada em Massachusetts, atingiu um marco importante: em parceria com a Stellantis, validou células automotivas semi-sólidas de estado sólido, aproximando a tecnologia de sua viabilidade comercial.
As baterias de estado sólido — que usam eletrólito sólido ou gelatinoso em vez do líquido das células de íons de lítio tradicionais — são vistas como a “bala de prata” dos carros elétricos, prometendo maior autonomia, recargas mais rápidas, menor peso e desempenho superior em temperaturas extremas.
A célula validada pelas empresas possui 77 Ah e densidade energética de 375 Wh/kg, superando a média atual de 200 a 300 Wh/kg. É capaz de carregar de 15% a 90% em apenas 18 minutos em temperatura ambiente, com taxa de descarga de até 4C.
Essas características tornam a tecnologia ideal para veículos de alto desempenho. Por isso, a Stellantis escolheu o Dodge Charger Daytona como carro de testes para essa bateria.
Embora a faixa térmica de operação — de -30°C a 45°C — seja semelhante à das baterias atuais, espera-se que as células semi-sólidas mantenham sua eficiência mesmo em climas extremos, onde as baterias de lítio perdem energia.
A parceria com a Stellantis vem desde 2018, ainda na época da Fiat-Chrysler, quando a Factorial trabalhava com células de 20 Ah. Hoje, evoluiu para formatos de até 100 Ah, embora a versão da Stellantis seja de 77 Ah.
Segundo a CEO Siyu Huang, escalar a produção foi um enorme desafio, com perdas de material, baixa eficiência e muito retrabalho. Ainda assim, a empresa conseguiu validar o desempenho das células com foco em diferentes aplicações: maior autonomia no Mercedes-Benz EQS e alta performance no Charger Daytona, embora ambas usem a mesma química.
Vale destacar aqui que as baterias não são completamente sólidas, mas sim semi-sólidas com base polimérica, o que ajuda a estabilizar o ânodo — solução considerada intermediária rumo às ASSBs (baterias totalmente sólidas).
Huang destaca que essas baterias podem reduzir de 200 até 900 kg no peso total do carro, economizando custos de produção e componentes, além de permitir designs mais leves e simples. Cada quilo economizado pode significar cerca de US$ 5 em economia — algo relevante para fabricantes em escala.
Apesar do potencial, o custo atual ainda é alto. “As amostras A podem ser de 10 a 30 vezes mais caras que células de lítio convencionais”, afirmou Huang, embora se mostre otimista com futuras parcerias para produção em massa.
Para ela, a tecnologia sólida pode ser a solução definitiva para os desafios de autonomia, segurança, durabilidade e carregamento dos elétricos — sem precisar de múltiplas alternativas. “A solução mais eficiente é uma só: uma bateria que resolva tudo”, conclui.
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