Mercedes-Benz G580 elétrico vende pouco e preocupa executivos
Versão G580 com motor elétrico é elogiada por especialistas, mas vendas decepcionam
Uma nova apuração da imprensa alemã indica que a Mercedes-Benz considera internamente o Mercedes G580 totalmente elétrico um fracasso. Até abril deste ano, foram vendidos apenas 1.450 exemplares, frente a 9.700 unidades das versões a combustão do Classe G.
Diante disso, a marca estaria reconsiderando sua estratégia para o futuro “baby G”, modelo menor que seria 100% elétrico, mas agora pode ganhar opção com motor a combustão.
Avaliação do Mercedes-Benz G580
Classe G: ícone luxuoso e urbano
Apesar da fama de off-roaders, a maioria dos Classe G raramente sai do asfalto. Muitos donos utilizam o modelo apenas para deslocamentos urbanos curtos. Nesse cenário, um SUV elétrico parece ideal — pelo menos na teoria. Na prática, a versão elétrica do Classe G ainda não conquistou o público.
Segundo o jornal Handelsblatt, uma fonte anônima da Mercedes-Benz afirmou que “o carro está encalhado nas concessionárias; é um completo fracasso.” Outra fonte disse: “É um modelo de nicho; os volumes de produção são muito baixos.”
Mesmo sem admitir o fracasso do G580, a Mercedes destaca que a linha Classe G como um todo bateu recordes de vendas no quarto trimestre de 2024 e cresceu 18% no primeiro trimestre de 2025. Ainda assim, os 1.450 G580 entregues parecem poucos — especialmente considerando seu preço: quase €147 mil na Europa e a partir de US$ 162.250 nos EUA.
Mercedes se defende
Procurado pelos colegas do Motor1, Markus Nast, gerente global de comunicação da marca, respondeu:
“O Classe G continua popular. Tivemos o melhor trimestre da história no Q4 de 2024, e o crescimento continua em 2025, com alta de 18%. A Mercedes-Benz está preparada para todos os cenários de mercado. Podemos oferecer veículos 100% elétricos ou híbridos de alta tecnologia até a década de 2030. Os clientes escolhem o que melhor se adapta a eles. Isso também vale para o Classe G.”
Desempenho e som artificial
Dirigimos o G580 recentemente e ficamos impressionados. A configuração com quatro motores elétricos o torna o mais capaz da linha fora de estrada. A autonomia de 385 km no ciclo EPA não impressiona, mas, na prática, poucos compradores usam o Classe G para longas viagens.
O problema parece ser emocional: quem quer um Classe G geralmente deseja o motor V8, pelo ronco e sensação de potência. A Mercedes-Benz tentou compensar isso com o “G-Roar”, som artificial de aceleração que imita o barulho do V8. De fato, ao ativá-lo, a sensação ao volante se aproxima da versão G63.
Baby G pode ter motor a combustão
Segundo o Handelsblatt, as vendas fracas do G580 levantaram dúvidas internas sobre manter o futuro “baby G” como elétrico puro. Oficialmente, a ideia era que ele fosse 100% elétrico. Mas a Mercedes-Benz sempre reforça sua flexibilidade em relação a opções de motorização.
Converter um carro projetado para ser elétrico em híbrido ou a combustão não é algo inédito. A Fiat, por exemplo, passou a oferecer uma versão a combustão do 500e após vendas decepcionantes do modelo elétrico e a aposentadoria do 500 lançado em 2008.
Um engenheiro da Mercedes-Benz disse ao jornal que a empresa “estuda” uma versão a combustão do baby G, e que o custo de desenvolvimento seria “gerenciável”. O lançamento do modelo está previsto para daqui a dois anos. Resta saber se essa mudança realmente será implementada.
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