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Vimos a 1ª Ferrari elétrica de perto e ela não parece um Ferrari

O primeiro elétrico da empresa custa 550.000 euros e tem um visual como nenhum Ferrari anterior

Ferrari Luce
07:15
Foto de: Ferrari

A Ferrari finalmente entrou de vez na era elétrica. A marca italiana revelou nesta semana o Luce, seu primeiro carro movido exclusivamente a bateria e, como já se imaginava, ele não segue a receita tradicional dos esportivos de Maranello. Em vez de um superesportivo de dois lugares e linhas agressivas, o modelo estreia como um liftback de cinco lugares, quatro portas e visual bastante diferente do que se espera de um Ferrari.

Se a proposta era chamar atenção, missão cumprida. O próprio fabricante admite que o carro deve dividir opiniões. “As reações dos clientes serão bastante mistas. Algumas pessoas vão amar, outras vão odiar”, afirmou Emanuele Carando, chefe global de marketing de produto da Ferrari, durante a apresentação internacional do modelo.

Ferrari Luce
Foto de: Ferrari

A surpresa começa pelo formato. Muitos esperavam algo próximo ao SUV esportivo Purosangue, lançado recentemente pela marca, mas o Luce segue outro caminho. O elétrico mistura elementos de sedã fastback com hatch de luxo e traz soluções aerodinâmicas pouco convencionais, incluindo uma grande abertura frontal para gerenciamento do fluxo de ar, limpadores posicionados verticalmente e rodas com desenho inspirado em turbinas.

Apesar da ruptura visual, a Ferrari sustenta que o Luce continua sendo um Ferrari na essência. O modelo é apenas o segundo da história da marca com quatro portas e o primeiro a oferecer cinco assentos. Segundo a fabricante, a arquitetura elétrica permitiu criar um carro mais espaçoso sem abrir mão das metas de desempenho. A capacidade do porta-malas, de cerca de 595 litros (21 pés cúbicos), também é a maior já oferecida pela empresa.

Ferrari Luce
Foto de: Ferrari

Botões físicos em vez de excesso de telas

Se por fora o Luce rompe com tradições, por dentro ele segue uma direção quase oposta ao que a indústria vem fazendo. Em vez de apostar em uma cabine totalmente dominada por telas, a Ferrari optou por manter diversos comandos físicos.

Há uma central multimídia de grande porte, mas funções como modos de condução, limpadores, ar-condicionado e outros ajustes continuam sendo controladas por botões e seletores físicos. O acabamento usa bastante alumínio anodizado e traz um desenho minimalista que remete a produtos de tecnologia premium. Um detalhe curioso é o relógio integrado à tela central, que pode se transformar em bússola ou cronômetro de voltas.

Ferrari Luce
Foto de: Ferrari

Mais de 1.000 cv e quatro motores elétricos

A ficha técnica mostra que, mesmo mudando de proposta, a Ferrari não abriu mão da performance extrema.

O Luce utiliza quatro motores elétricos independentes, um em cada roda, entregando 1.035 cv de potência combinada e 99,9 kgfm de torque. O resultado é aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, além de esterçamento das rodas traseiras e suspensão ativa derivada do hipercarro F80.

Ferrari Luce
Foto de: Ferrari

A bateria tem 122 kWh de capacidade bruta, sendo cerca de 112 kWh utilizáveis, com células fornecidas pela sul-coreana SK On. Segundo a Ferrari, a autonomia chega a 530 km no ciclo europeu WLTP, enquanto a potência máxima de recarga atinge 350 kW.

Embora os números sejam fortes, eles não colocam o Luce necessariamente no topo entre elétricos de luxo em alcance ou velocidade de carregamento. E a Ferrari reconhece isso. O foco da empresa, segundo executivos da marca, não foi criar o EV mais eficiente ou o mais rápido para recarregar, mas sim desenvolver uma experiência de condução diferente, aproveitando características exclusivas dos motores elétricos.

Entre as soluções adotadas está um sistema que permite ao motorista variar manualmente os níveis de entrega de potência por meio da aleta direita atrás do volante, simulando algo próximo à progressão de marchas de um carro convencional. Já a aleta esquerda controla a intensidade da regeneração de energia. A ideia é tornar a condução mais progressiva e menos abrupta, um ponto frequentemente criticado em carros elétricos de alto desempenho.

Galeria: Ferrari Luce (2026)

Um teste importante para o futuro das supermarcas

O lançamento do Luce acontece em um momento delicado para fabricantes de carros exóticos. Enquanto algumas marcas desaceleram seus planos de eletrificação, a Ferrari aposta que ainda existe espaço para um esportivo elétrico de alto padrão.


O que você pensa sobre isso?

Mais cedo neste ano, a Lamborghini decidiu adiar seu primeiro elétrico diante da demanda abaixo do esperado no segmento de luxo. Já a Ferrari parece acreditar que um modelo completamente novo, sem tentar imitar seus carros a combustão, pode atrair um público diferente sem afastar completamente os clientes tradicionais.

O Luce chegará ao mercado europeu ainda em 2026, com preço inicial de 550 mil euros (cerca de R$ 4 milhões em conversão direta, sem impostos). Resta saber se os fãs mais puristas da marca aceitarão a proposta ou se o primeiro Ferrari elétrico ficará marcado justamente por desafiar a imagem construída pela empresa ao longo de décadas.

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