CATL e BYD aceleram baterias de estado sólido, mas 2027 será só o começo
CATL inicia testes de baterias de estado sólido em 2027, enquanto BYD segue cronograma semelhante
A corrida chinesa pelas baterias de estado sólido ganhou um novo capítulo. A CATL confirmou que pretende iniciar em 2027 a produção em pequena escala de células com eletrólito sólido, colocando a maior fabricante de baterias do mundo em uma trajetória semelhante à da BYD, que também trabalha com produção piloto da tecnologia no próximo ano.
O movimento não significa, porém, que carros elétricos com baterias de estado sólido estarão disponíveis em grande escala em 2027. As duas empresas ainda estão tratando o próximo ano como uma etapa de validação e desenvolvimento industrial, enquanto a produção em volumes elevados deve levar mais tempo.
CATL confirma produção piloto em 2027
A CATL informou, em uma resposta a investidores publicada em 29 de julho, que mantém o desenvolvimento de baterias de estado sólido e pretende iniciar a produção em pequena escala em linhas-piloto em 2027.
A empresa afirma estar na liderança do setor no desenvolvimento da tecnologia, mas o cronograma precisa ser interpretado dentro do estágio atual do projeto. Em junho, o presidente da CATL, Robin Zeng, afirmou que a tecnologia estava apenas no nível 4 de uma escala de prontidão tecnológica de 1 a 9.
O nível 9 representa uma tecnologia pronta para produção em escala. Para 2027, o cientista-chefe da CATL, Wu Kai, estabeleceu como objetivo chegar aos níveis 7 ou 8, etapa compatível com produção piloto e validação em condições próximas às de uso.
A diferença entre esses estágios é importante. Uma linha-piloto serve para validar materiais, processos industriais, confiabilidade e desempenho antes que uma tecnologia possa ser fabricada em volumes muito maiores.
BYD também trabalha com 2027
A BYD segue uma trajetória semelhante. A empresa registrou recentemente seis novas patentes relacionadas a baterias de estado sólido, cobrindo desde a composição dos materiais até processos de fabricação e controle de qualidade.
Um dos focos é uma arquitetura que combina eletrólitos sólidos de haleto e sulfeto. Outros registros tratam justamente de um dos principais desafios das baterias de estado sólido: manter uma interface adequada entre o eletrólito e os eletrodos durante os ciclos de carga e descarga.
Segundo informações citadas pela CarNewsChina a partir do site especializado libattery.net, a BYD também pretende iniciar em 2027 a produção em pequena escala de suas células de estado sólido. Os primeiros exemplares seriam utilizados em veículos de teste antes de uma eventual aplicação comercial.
Com isso, CATL e BYD passam a ter cronogramas bastante próximos para levar a tecnologia da fase de desenvolvimento para a produção piloto.
2027 não será o ano da bateria de estado sólido em massa
Apesar da proximidade entre os cronogramas, a própria CATL vem sendo cautelosa sobre a velocidade de adoção.
Em junho, Robin Zeng afirmou que a produção de baterias de estado sólido em escala suficiente para equipar milhões de veículos provavelmente não será alcançada antes de 2030. Segundo o executivo, ainda existem obstáculos tecnológicos, de engenharia, produto e custo a serem resolvidos.
A CATL considera que a produção em grande escala só poderá ser estabelecida quando a tecnologia atingir um volume equivalente a cerca de 1 milhão de veículos. Inicialmente, as restrições de engenharia também devem limitar a aplicação a modelos de maior preço, acima de aproximadamente 250 mil yuans na China.
Ou seja, existe uma diferença significativa entre produzir as primeiras células em 2027 e equipar milhões de carros com elas.
Por que a tecnologia é tão importante?
As baterias de estado sólido substituem o eletrólito líquido convencional por um material sólido. Em teoria, isso permite aumentar a densidade energética, reduzir peso e volume e melhorar a segurança da bateria, além de abrir espaço para novas arquiteturas de células.
Na prática, entretanto, transformar esses ganhos em um produto produzido em milhões de unidades é um desafio muito maior.
O problema não está apenas na química. É necessário desenvolver processos industriais capazes de fabricar as células de maneira uniforme, garantir o contato adequado entre os diferentes materiais e manter desempenho, durabilidade e segurança ao longo de milhares de ciclos. É justamente nessa transição entre laboratório e fábrica que CATL e BYD ainda estão trabalhando.
Bateria de estado sólido da DongFeng
Uma corrida que vai além de CATL e BYD
A disputa chinesa pela tecnologia não está restrita às duas maiores fabricantes de baterias do país. Outras empresas também trabalham com diferentes arquiteturas de estado sólido, enquanto montadoras como Nio, Changan e Dongfeng desenvolvem projetos próprios ou parcerias.
A vantagem de CATL e BYD, porém, está na capacidade de transformar uma tecnologia experimental em produtos industriais. A CATL encerrou 2025 com 772 GWh de capacidade produtiva global e segue ampliando seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
Por isso, o cronograma de 2027 merece atenção. Se as duas empresas conseguirem avançar dos atuais protótipos para linhas-piloto funcionais, o próximo passo será descobrir quanto tempo será necessário para reduzir custos e aumentar a escala.
Para o consumidor, portanto, o ano que vem deve marcar o início de uma nova fase das baterias de estado sólido, e não sua chegada definitiva ao mercado de massa.
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