Ir para o conteúdo principal

Leapmotor quer aposentar a bateria que ainda dá pane até em carros elétricos

Tecnologia CTC 3.0 dispensa a bateria auxiliar de 12 V e começará a chegar aos novos modelos da marca a partir de 2027

Teste - Leapmotor B10 (BR)
Foto de: Motor1 Brasil
Thomas Tironi Thomas Tironi

Mesmo sem motor de partida, alternador ou qualquer um dos componentes mais associados aos carros a combustão, os elétricos ainda carregam uma velha conhecida: a bateria auxiliar de 12 V. É ela que continua alimentando boa parte dos sistemas de baixa tensão, dos faróis e limpadores às telas e equipamentos de segurança.

Durante o Tech Day 2026, realizado na China, a Leapmotor apresentou uma solução que pretende dispensar esse componente nos novos carros lançados a partir de 2027. Batizada de CTC 3.0, a terceira geração de sua tecnologia cell-to-chassis passa a integrar também o fornecimento de baixa tensão ao conjunto principal de baterias.

Por que elétricos ainda usam bateria de 12 V?

Mesmo com um pacote de centenas de volts instalado no assoalho, os carros elétricos continuam dependendo de uma rede separada para alimentar componentes que não precisam trabalhar com a tensão usada pelos motores. Iluminação, limpadores, telas, módulos eletrônicos, eletroventiladores e sistemas de segurança estão entre os equipamentos atendidos por esse circuito.

Nos carros atuais, essa função normalmente depende de uma bateria auxiliar separada, muitas vezes ainda do tipo chumbo-ácido. Com o CTC 3.0, a chinesa afirma ter aumentado em sete vezes a capacidade do circuito de baixa tensão, permitindo que a energia necessária para esses componentes passe a vir do próprio conjunto principal.

As redes de alta e baixa tensão passam a compartilhar células e módulos, além do gerenciamento térmico e da distribuição de energia. Segundo a fabricante, essa integração permite retirar completamente a bateria auxiliar de 12 V e também reduzir custos de manutenção e o uso de baterias de chumbo-ácido ao longo da vida útil do veículo. Os primeiros carros equipados com a tecnologia estão previstos para aparecer a partir de 2027.

Bateria fica ainda mais integrada ao carro

Os modelos atuais da marca já usam a tecnologia cell-to-chassis, na qual o conjunto de baterias é incorporado de maneira mais profunda à estrutura do veículo para reduzir peso e eliminar componentes intermediários. Com a terceira geração, essa integração passa a envolver também a alimentação elétrica dos sistemas auxiliares.

O CTC 3.0 também dispensa módulos de bateria separados, segundo a marca, reunindo células, gerenciamento térmico e distribuição de energia em um conjunto mais integrado ao chassi. A Leapmotor associa a solução a menores custos de manutenção e redução da pegada de carbono, mas não divulgou números de peso, economia financeira ou emissões evitadas.

Leapmotor A05 é lançado na China
Foto de: car.autohome.com.cn

Leap 5.0 quer transformar componentes em espaço

Junto do CTC 3.0, a montadora apresentou uma nova arquitetura para a próxima geração de seus carros. Chamada Leap 5.0, ela reorganiza componentes mecânicos e elétricos para liberar uma parcela maior da plataforma para passageiros e bagagens, chegando, segundo a fabricante, a “100% de aproveitamento do espaço”.

Uma das alterações está no sistema de climatização, cuja unidade passa a ser integrada ao conjunto do trem de força traseiro. A Leapmotor afirma que a solução ampliou em 19% o espaço longitudinal, reduziu em 18% a quantidade de peças e diminuiu em 30% o volume ocupado pelas tubulações.

Na dianteira, os amortecedores passam a usar torres de alumínio redimensionadas e reposicionadas, mudança que teria aumentado em 37,5% o espaço para as pernas dos ocupantes. O assoalho do tipo skate também ficou completamente plano e, associado ao teto mais alto, permitiu ampliar em 63,7% a altura útil da cabine, de acordo com os números divulgados pela marca.

O que você pensa sobre isso?

Por aqui, marca investe em garantia

Enquanto prepara uma nova geração de tecnologias para seus carros na China, a Leapmotor também vem reforçando a operação no Brasil. Desde setembro, toda a linha ano-modelo 2027 passou a contar com garantia de seis anos ou 150 mil km, o que ocorrer primeiro, incluindo unidades que já haviam sido vendidas e entregues aos clientes.

A nova cobertura vale para B10 Elétrico, C10 Elétrico e C10 Ultra-Híbrido produzidos a partir do ano-modelo 2026/2027. O futuro B10 Ultra-Híbrido também chegará ao mercado com os mesmos seis anos, enquanto bateria de tração, motor elétrico e inversor continuam cobertos por oito anos.

Compartilhe este artigo