Até em trem? BYD quer levar suas baterias muito além dos carros
Segunda maior fabricante de baterias do mundo amplia aplicações da Blade enquanto investe também em sódio e estado sólido
Quem acompanha a BYD no Brasil provavelmente conhece a chinesa pelos carros elétricos e híbridos que ganharam espaço nas ruas nos últimos anos. O grupo, porém, nasceu no setor de baterias e também já atua fora do automóvel. Em São Paulo, por exemplo, a Linha 17-Ouro terá o sistema de monotrilho SkyRail e trens fornecidos pela empresa.
Agora, outra divisão do grupo quer colocar as baterias Blade também em locomotivas. A FinDreams Battery fechou um acordo com a Changsha Fusheng Technology para desenvolver conjuntos destinados a veículos usados em minas, plantas industriais e pátios ferroviários, abrindo uma nova aplicação para uma tecnologia conhecida principalmente pelos carros da BYD.
Monotrilho da BYD na linha 17
Bateria Blade já está muito além dos carros
A entrada no setor ferroviário não é exatamente um ponto fora da curva. A bateria Blade já deixou os automóveis há algum tempo e hoje também aparece em ônibus, veículos comerciais e caminhões pesados. Em junho, por exemplo, a BYD entregou 100 caminhões basculantes elétricos equipados com conjuntos de 424 kWh.
Ônibus elétrico articulado da BYD com bateria Blade
A FinDreams também trabalha em aplicações para mineração e fechou recentemente outro acordo voltado a caminhões elétricos usados nesse tipo de operação na Mongólia. Fora dos veículos, a empresa ainda atua com sistemas de armazenamento estacionário para residências, empresas e grandes instalações conectadas à rede elétrica ou a fontes renováveis.
BYD ETT 44 é caminhão 100% elétrico com mais de 1.000 cv
A ideia, portanto, é fazer a Blade depender cada vez menos apenas dos carros. A tecnologia LFP continua no centro da operação da BYD, mas já serve hoje a aplicações que vão de veículos urbanos a equipamentos pesados e sistemas de armazenamento de energia.
Mira da chinesa é na CATL
Toda essa diversificação acontece enquanto a BYD tenta diminuir a distância para a CATL, líder mundial no setor. Nos primeiros sete meses de 2026, a CATL instalou 289,6 GWh em baterias e ficou com 39,9% do mercado global, enquanto a BYD somou 106,7 GWh e 14,7%.
Para crescer, a chinesa também não quer depender apenas da Blade. A empresa trabalha com baterias de íon-sódio, consideradas interessantes para aplicações de menor custo e armazenamento estacionário, além de desenvolver células de estado sólido. A previsão é colocar os primeiros carros com essa tecnologia nas ruas a partir de 2027, ainda em pequena escala, antes de tentar ampliar a produção por volta de 2030.
Existe ainda uma diferença importante entre as duas rivais. A CATL construiu boa parte de sua escala fornecendo baterias para outras montadoras, como Tesla, BMW, Mercedes-Benz, Toyota e Kia. Já a BYD absorve uma parcela relevante da própria produção dentro de seu ecossistema, principalmente em seus automóveis.
Por isso, ampliar as vendas da FinDreams para clientes externos pode ser tão importante quanto levar a Blade para novas aplicações. Se quiser diminuir de fato a distância para a CATL, a BYD terá que fazer suas baterias aparecerem não só em mais tipos de veículos e equipamentos, mas também em produtos de outras empresas.
Galeria: BYD Blade Battery
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