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De olho nos chineses, Fiat vai resolver principal pênalti do 500 elétrico

Segundo CEO do grupo Stellantis, conglomerado vai trocar todas as suas baterias em elétricos pequenos por LFP

Fiat 500 Elétrico (2023)
Foto de: Fiat

Lançado em 2020, o atual Fiat 500 evoluiu muito em relação ao antecessor e estreou como um modelo exclusivamente elétrico. O preço da mudança, porém, foi alto, e o subcompacto demorou a embalar nas vendas. Agora, a italiana quer aproveitar o avanço das baterias para baratear o modelo e deixá-lo mais competitivo diante dos novos rivais, especialmente os chineses.

Segundo informações da imprensa italiana, a marca substituirá, a partir de 2027, as atuais baterias de níquel, manganês e cobalto (NMC) por um conjunto de fosfato de ferro-lítio (LFP), de menor custo. Com isso, o 500e deverá ficar abaixo dos atuais 23.900 euros cobrados na Itália, cerca de R$ 146,6 mil em conversão direta, embora o novo preço ainda não tenha sido divulgado.

E não será só ele

A troca também chegará a outros elétricos europeus do grupo Stellantis, conforme explicou Antonio Filosa, CEO da companhia, durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre, em 28 de outubro.

“Também vamos trocar, em muitos, muitos modelos, a química das baterias de NMC para LFP”, afirmou o executivo. 

Segundo Filosa, a mudança representará “uma economia substancial no custo da bateria” e acompanhará a estreia da plataforma STLA One em 2027. A combinação das duas iniciativas deverá melhorar a competitividade dos elétricos do grupo na Europa, embora a fabricante ainda não tenha divulgado todos os modelos que receberão as novas células.

As células LFP já equipam o Grande Panda, Citroën ë-C3 e ë-C3 Aircross e Opel Frontera, todos posicionados entre os elétricos mais acessíveis de suas respectivas marcas. A intenção agora é ampliar seu uso para outros produtos, incluindo modelos de posicionamento mais caro, como o próprio 500e.

Comparativo: Fiat 500e vs. Mini Cooper SE
Comparativo: Fiat 500e vs. Mini Cooper SE

No caso do pequeno Fiat, Emanuele Cappellano, responsável pelas operações europeias da Stellantis, afirmou que a atualização pretende torná-lo “ainda mais competitivo e atraente”. A fabricante ainda não apresentou a capacidade da nova bateria, a autonomia, a potência de recarga ou a data exata de lançamento.

Fiat Grande Panda 2025
Foto de: Fiat

O que muda com as baterias LFP

O principal ganho das células LFP está no custo, já que sua composição dispensa níquel e cobalto, duas matérias-primas que encarecem as baterias NMC. Essa química também costuma oferecer maior vida útil, ajudando a explicar sua adoção crescente entre fabricantes de veículos elétricos.

A contrapartida é a menor densidade energética, que significa armazenar menos energia para o mesmo peso ou volume. Para preservar a autonomia, o fabricante pode precisar de uma bateria maior ou de melhorias na integração do conjunto ao carro, além de trabalhar na eficiência dos motores e dos demais sistemas.

Por isso, o efeito da mudança sobre o alcance do 500e dependerá das especificações da nova bateria e das alterações que acompanharão sua instalação. A troca de química permite reduzir custos, mas os dados divulgados até agora ainda não mostram como ficará a relação entre capacidade, peso e autonomia.

Nova plataforma estreia em 2027

Além da atualização do pequeno Fiat, o conglomerado prepara a STLA One para atender aos segmentos de compactos, médios e modelos maiores de entrada. Com estreia prevista para 2027, a plataforma terá suporte a arquitetura elétrica de 800 volts, permitindo desenvolver veículos com recargas mais rápidas quando combinada a baterias e carregadores compatíveis.

Outra solução prevista é a integração cell-to-body, na qual a bateria passa a fazer parte da estrutura do veículo, reduzindo componentes, peso e complexidade. Combinada à construção modular e ao compartilhamento de peças entre diferentes modelos, ela ajudará o grupo a perseguir sua meta de redução de custos de 20%.

O que você pensa sobre isso?

Essa economia está ligada ao desenvolvimento e à produção dos veículos, enquanto seu repasse ao consumidor dependerá do posicionamento comercial de cada modelo. A Stellantis pretende utilizar a arquitetura em produtos de marcas como Peugeot, Opel, Jeep e Fiat, ampliando a escala de componentes e tecnologias comuns.

Para sustentar a expansão das células LFP, o grupo também constrói uma fábrica em Zaragoza, na Espanha, em parceria com a chinesa CATL. A unidade deverá ampliar o fornecimento local dessa química, cuja participação nos carros elétricos vendidos na Europa passou de 5% em 2024 para 13% em 2025, conforme os números citados pela imprensa italiana.

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