Volvo EX30 no Brasil: recall "corta" autonomia para evitar incêndios
Limite de carregamento a 70% é medida preventiva enquanto Geely processa fabricante chinesa por defeitos
A Volvo Car Brasil começou a convocar proprietários do EX30 Single Motor Extended Range, anos 2024 a 2025, para um recall preventivo que exige limitar o carregamento da bateria de alta tensão a 70%.
O procedimento é simples e pode ser feito pelo próprio usuário, mas também estará disponível nas concessionárias a partir de 8 de janeiro de 2026. A medida visa reduzir o risco de curto-circuito interno nas células da bateria, que em casos extremos pode levar ao superaquecimento e até incêndio.
Volvo EX30 Ultra
O alerta ganhou força depois de um EX30 ter pegado fogo em uma concessionária em Maceió, em novembro de 2025, exigindo 11 bombeiros e quatro viaturas para controlar o incêndio.
Globalmente, cerca de 33,7 mil EX30 estão envolvidos no recall, sendo 10,4 mil apenas no Reino Unido. Apesar de a Volvo afirmar que os casos de superaquecimento são raríssimos - em torno de 0,02% das células -, a medida temporária de limitar a carga foi considerada necessária para garantir a segurança.
O episódio também colocou a fabricante chinesa Sunwoda sob os holofotes. Inicialmente, circulou a informação de que a empresa forneceu as baterias defeituosas, mas o presidente da Sunwoda, Wang Wei, esclareceu que os packs instalados nos EX30 não vieram diretamente da companhia.
As células vieram de uma joint venture entre Geely e Sunwoda, mas a Sunwoda detém apenas 30% da participação. A montagem final das baterias, incluindo o sistema de gerenciamento e o controle térmico, ficou a cargo da Viridi E-Mobility Technology, subsidiária da Geely.
Galeria: Volvo EX30 Ultra
A tensão aumentou com uma ação judicial movida pela Viridi contra a Sunwoda em dezembro de 2025, pedindo cerca de 323 milhões de dólares em indenização por alegadas falhas de qualidade nas células fornecidas entre 2021 e 2023.
Um caso similar já havia atingido o Zeekr 001, outro modelo da Geely, forçando a marca a substituir baterias de clientes afetados e lançar campanhas de inspeção por conta de informações incorretas no painel sobre o estado de carga e limitações durante o carregamento.
Enquanto a solução definitiva não chega, os donos do EX30 precisam conviver com a limitação de carga, que reduz a autonomia do carro, mas garante segurança. O caso mostra como a cadeia de fornecedores de baterias ainda é um ponto crítico para as montadoras.

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