Geely surpreende com SUV EREV que roda 375 km no modo elétrico
SUV estreia na China enquanto marca prepara EX5 PHEV e produção local com a Renault
A Geely acaba de lançar na China o Geely Boyue EREV com números que começam a chamar atenção fora do mercado local, especialmente pelo alcance elétrico declarado de até 375 km. Isoladamente, seria mais um SUV eletrificado dentro do ritmo acelerado da indústria chinesa. Mas o timing sugere algo maior.
O modelo adota arquitetura EREV (electric range extender), na qual o carro roda sempre como elétrico, enquanto um motor a combustão atua apenas como gerador para recarregar a bateria. Na prática, isso permite combinar uma autonomia elétrica elevada com a conveniência de não depender exclusivamente de infraestrutura de recarga.
Em termos de especificações, o Boyue EREV combina um motor elétrico de 160 kW (218 cv) com um motor 1.5 a combustão que atua exclusivamente como gerador. O sistema oferece duas opções de bateria LFP: uma de 28,3 kWh, com até 220 km de autonomia elétrica (CLTC), e outra de 50,4 kWh, que eleva esse alcance para 375 km.
A autonomia combinada chega a 1.400 km na versão menor e até 1.525 km na configuração mais completa. No uso com bateria descarregada, o consumo fica entre 4,95 e 5,15 L/100 km (WLTC). A Geely também destaca eficiência térmica de 47,26% para o sistema gerador e capacidade de geração de 3,77 kWh por litro de combustível.
No caso do Boyue, o destaque está justamente nesse equilíbrio. Os 375 km em modo elétrico colocam o SUV em um patamar incomum até mesmo para híbridos plug-in mais avançados, aproximando seu uso cotidiano de um veículo 100% elétrico. A recarga rápida, segundo a marca, permite ir de 30% a 80% em cerca de 15 minutos, reforçando a proposta de uso urbano com mínima dependência do motor térmico.
Esse movimento fica interessante sob a ótica do mercado brasileiro. A própria Geely se prepara para iniciar uma nova fase no país, com a chegada do Geely EX5 PHEV nos próximos dias. Será o primeiro modelo híbrido plug-in da marca por aqui e também o ponto de partida para uma estratégia mais ampla, que inclui produção nacional a partir de meados de 2026 em parceria com a Renault, na fábrica de São José dos Pinhais (PR).
Dentro desse contexto, a evolução dos EREV deixa de ser apenas uma curiosidade do mercado chinês e passa a funcionar como um indicativo de caminho. A tecnologia já começa a ganhar tração fora da teoria. A Leapmotor, por exemplo, já atua no Brasil com o Leapmotor C10 EREV, cuja versão com gerador a combustão responde por mais de 60% das vendas do modelo no país.
Esse dado ajuda a entender por que soluções intermediárias vêm ganhando espaço. Em mercados onde a infraestrutura de recarga ainda evolui de forma desigual, como o Brasil, o EREV surge como alternativa pragmática. Ele preserva a experiência de condução elétrica no dia a dia, mas elimina a dependência total de pontos de carregamento em viagens mais longas.
Galeria: Geely Boyue EREV SUV
No caso do Boyue EREV, o salto de autonomia elétrica confirma tudo isso. Com números que já se aproximam de alguns elétricos puros, a tecnologia começa a borrar a fronteira entre categorias e levanta uma questão relevante para os próximos anos: até que ponto o consumidor médio realmente precisa abrir mão do motor térmico se ele passa a ter um papel secundário e quase invisível no uso cotidiano?
Com a Geely prestes a entrar no segmento de híbridos plug-in no Brasil e com produção local no radar, o avanço dos EREV na China funciona, na prática, como um laboratório antecipado do que pode ganhar escala por aqui. Não necessariamente como substituto direto dos elétricos a bateria, mas como uma solução adaptada às condições reais de mercado, pelo menos neste estágio da transição.
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