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Por que donos de REEV usam cada vez menos o motor a gasolina

Baterias maiores mudam o perfil de uso dos elétricos de autonomia estendida

Leapmotor C10 Ultra-Híbrido REEV
Foto de: Leapmotor

Apesar de terem um motor a gasolina, os veículos elétricos de autonomia estendida (REEV) são utilizados pela maioria dos proprietários como carros elétricos. Com baterias cada vez maiores, muitos passam semanas - ou até meses - sem abastecer, deixando o motor a combustão restrito principalmente às viagens mais longas. Essa mudança de comportamento ajuda a explicar por que a tecnologia ganha espaço na China e começa a chegar ao Brasil.

O conceito não é novo, mas a evolução recente dessa tecnologia está mudando a forma como ela é utilizada. Se antes os REEVs contavam com baterias relativamente pequenas e dependiam com mais frequência do gerador a gasolina, os modelos mais recentes já oferecem autonomias elétricas que rivalizam com muitos carros totalmente elétricos.

Leapmotor C10 Ultra-Híbrido REEV
Foto de: Leapmotor

Na prática, isso significa que boa parte dos proprietários pode teoricamente passar semanas - ou até meses - sem ligar o motor a combustão.

O que diferencia um REEV de um híbrido plug-in?

Embora ambos precisem ser recarregados na tomada e utilizem um motor a combustão, um REEV funciona de forma diferente de um híbrido plug-in convencional (PHEV).

Nos PHEVs tradicionais, tanto o motor elétrico quanto o motor a combustão podem movimentar as rodas, alternando ou trabalhando em conjunto dependendo das condições de condução.

Já no REEV, a tração é sempre elétrica. O motor a combustão não impulsiona diretamente o veículo. Sua função é atuar como um gerador, produzindo eletricidade para alimentar a bateria quando seu nível de carga diminui.

Na prática, o motorista dirige um carro elétrico praticamente o tempo todo. O motor a gasolina permanece desligado durante boa parte do uso cotidiano e entra em funcionamento apenas quando necessário para manter a bateria dentro da faixa ideal de operação.

Leapmotor C10 Ultra-Híbrido REEV
Foto de: Leapmotor

Baterias maiores mudaram o perfil de uso

Os primeiros REEVs utilizavam baterias relativamente modestas, normalmente suficientes para pouco mais de 100 km de condução elétrica. Mas nos últimos dois anos, entretanto, a indústria chinesa iniciou uma corrida por baterias cada vez maiores.

Hoje já existem modelos equipados com baterias superiores a 70 kWh e autonomias elétricas acima de 400 km no ciclo chinês CLTC - números que, até pouco tempo atrás, eram exclusivos de veículos elétricos puros. Essa evolução mudou completamente a forma como esses veículos são utilizados.

Segundo levantamento citado pela imprensa chinesa, mais de 90% dos proprietários utilizam seus REEVs como se fossem carros totalmente elétricos. Além disso, cerca de 70% afirmam abastecer menos de uma vez a cada seis meses.

Em outras palavras, para muitos consumidores o motor a combustão deixou de fazer parte da rotina. Ele permanece disponível para viagens mais longas ou situações excepcionais, mas passa grande parte da vida útil desligado.

Leapmotor C10 Ultra-Híbrido REEV
Foto de: Leapmotor

Então por que manter um motor a gasolina?

Essa é justamente a discussão que começou a ganhar força na indústria. Do ponto de vista técnico, um veículo capaz de percorrer mais de 400 km utilizando apenas a bateria já atende a praticamente toda a rotina diária da maioria dos motoristas.

Mesmo assim, muitas montadoras continuam apostando na arquitetura REEV e a principal explicação está no comportamento do consumidor.

Mesmo com o avanço da infraestrutura de recarga e da autonomia dos elétricos, muitos compradores ainda valorizam a possibilidade de continuar viajando sem depender exclusivamente de carregadores rápidos.

Nesse cenário, o motor a combustão deixa de ser o principal responsável pela propulsão e passa a funcionar como uma espécie de seguro para ocasiões específicas, eliminando a preocupação com a autonomia em deslocamentos mais longos.

Xpeng G7 EREV

Xpeng G7 EREV

Foto de: Xpeng

Ao mesmo tempo, há executivos da indústria que defendem que, com baterias tão grandes, faria mais sentido investir diretamente em veículos totalmente elétricos, reduzindo peso, complexidade mecânica e custos.

O debate mostra que a evolução dos REEVs abriu uma nova etapa na eletrificação: eles deixaram de ser apenas uma alternativa aos híbridos convencionais e passaram a disputar espaço também com os próprios elétricos.

O que vimos na prática

A experiência prática ajuda a entender por que muitos proprietários utilizam um REEV como se fosse um carro elétrico.

Durante a avaliação de cerca de 1.000 km com o Leapmotor C10 REEV realizada pelo Motor1 Brasil, o SUV se comportou como um elétrico enquanto havia carga suficiente na bateria. Nessa condição, a condução manteve o silêncio, a resposta imediata do motor elétrico e alta eficiência energética, com o motor a combustão permanecendo desligado.

EM LS6 EREV

LS6 EREV

Foto de: SAIC

O cenário muda quando a bateria atinge o nível mínimo programado pelo sistema. A partir daí, o motor a gasolina entra em funcionamento para alimentar o gerador e manter a carga de reserva. Embora o motorista continue sendo impulsionado exclusivamente pelo motor elétrico, passam a existir perdas inerentes à conversão de energia - da gasolina para eletricidade e, depois, para o motor de tração.

Na prática, isso se reflete em aumento do consumo de combustível, maior nível de ruído e uma eficiência inferior à observada quando a bateria dispõe de uma reserva maior de energia. Ainda assim, o sistema permite seguir viagem sem depender imediatamente de um carregador, preservando a principal proposta dos REEVs: oferecer uma experiência predominantemente elétrica sem a preocupação com a autonomia.

GAC Aion i60 no Salão de Pequim
Foto de: Motor1 Brasil

O Brasil deve seguir essa tendência

Embora a China seja hoje o principal laboratório dessa tecnologia, o Brasil começa a trilhar um caminho semelhante. O Leapmotor C10 REEV já está à venda no país. Em breve, a marca também deverá lançar o B10 REEV, enquanto a GAC confirmou o i60 utilizando a mesma arquitetura.

O que você pensa sobre isso?

A possibilidade de produção nacional desses modelos é mais uma confirmação de que a tecnologia deve ganhar relevância nos próximos anos.

Em um mercado onde a infraestrutura de recarga ainda está em expansão e viagens de longa distância continuam sendo um fator importante para muitos consumidores, os REEVs surgem como uma alternativa capaz de oferecer a experiência de condução de um elétrico sem abrir mão da flexibilidade proporcionada pelo gerador a combustão.

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