Roubos de carros elétricos disparam no RJ e contrariam tendência nacional
Estado já soma 675 ocorrências em 2025; avanço contrasta com queda de 10% no país
O Rio de Janeiro vive um cenário singular no país quando o assunto é roubo e furto de carros elétricos. Enquanto o Brasil registrou queda de cerca de 10% nesses crimes em 2025, o estado fluminense segue em direção oposta, acumulando alta expressiva e superando marcas de anos anteriores.
Levantamentos do SindSeg e dados citados por BandNews FM e CNN Brasil mostram que o Rio concentra 3 em cada 10 roubos de elétricos registrados no país e já ultrapassou, antes do fim do ano, todo o volume de 2023.
Entre janeiro e outubro de 2025, foram 675 ocorrências envolvendo veículos elétricos no estado, número que já supera os 637 registros de 2023 e se aproxima dos 831 casos contabilizados em 2024. O avanço contrasta com a média nacional e chama atenção pelo ritmo acelerado, que não acompanha a evolução da frota na mesma proporção. O Rio possui hoje cerca de 108 mil elétricos e híbridos, aproximadamente 9% dos 1,2 milhão em circulação no país.
Segundo Bernardo Câmara, vice-presidente do SindSeg RJ/ES, o comportamento da criminalidade no estado foge ao padrão observado no resto do Brasil. Enquanto o índice geral de roubo e furto de veículos caiu cerca de 15% no Rio, os eletrificados permaneceram no maior patamar histórico. “Existe um interesse diferente da criminalidade por esses veículos aqui no Rio de Janeiro. A frequência de roubos de eletrificados é bem superior à dos modelos a combustão”, afirmou à CNN Brasil.
Recarga clandestina
Especialistas ouvidos pelas emissoras destacam dois fatores principais para o crescimento dos casos: autonomia maior e facilidade para se manter o veículo em circulação sem abastecimento externo. Comunidades cariocas já possuem pontos clandestinos de recarga, permitindo que grupos armados circulem com carros elétricos sem sair do território. Reportagens do SBT e da BandNews FM mostram casos recentes de modelos BYD roubados sendo usados em ações criminosas em regiões como Jacarepaguá, Pavuna e Vila Kennedy.
Outro elemento que desperta interesse é o alto valor de peças e conjuntos mecânicos, cujo desmanche alimenta mercados ilegais dentro e fora do estado. Há ainda registros de veículos apreendidos avaliados em mais de R$ 400 mil, reforçando o apelo econômico para quadrilhas.
Apesar da escalada negativa no RJ, o mercado de eletrificados segue em expansão no país. A ABVE projeta que as vendas de 2025 devem crescer entre 13% e 21% em relação ao ano passado, e o total de emplacamentos de elétricos e híbridos plug-in deve superar a marca de 200 mil unidades até dezembro.
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