Impressões Renault Kwid E-Tech: o carro elétrico mais barato do Brasil
Com a proposta de citycar, subcompacto pode ser uma mudança no comportamento do consumidor?
A Renault prometeu e cumpriu. A marca francesa apresentou o Kwid E-Tech como o carro 100% elétrico mais barato do Brasil, por R$ 142.990. Com a proposta de ser um citycar para jovens e pessoas interessadas em entrar no mundo elétrico, vai se aproveitar da tradição da Renault no segmento.
Em pré-venda com entregas a partir de agosto, tivemos um rápido contato com o Renault Kwid E-Tech dentro de um kartódromo em São Paulo (SP). Rápido, mas que já deu para conhecer o subcompacto elétrico e dar uma volta para entender como ele se comporta e se justifica sua missão e seu preço.
O que é?
Produzido na China, o Renault Kwid E-Tech é na verdade o Dacia Spring. Mas a engenharia da América do Sul fez diversas mudanças no subcompacto para o enquadrar em características locais, como uso e clima. A principal foi o motor elétrico, instalado onde estaria o motor a combustão, para o eixo dianteiro. Enquanto na Europa ele tem 45 cv e 12,6 kgfm, o motor utilizado na versão brasileira tem 65 cv e 11,5 kgfm de torque. A transmissão é de marcha única para frente, neutro e ré.
Mesmo mais potente, o motor elétrico tem uma boa autonomia (declarada de 298 km na cidade) com uma bateria pequena, de 26,8 kWh (íon-lítio) que pesa 188 kg e está instalada onde seria o tanque de combustível. A carroceria em si muda pouco na comparação com um Kwid a combustão, praticamente apenas na dianteira, com um novo parachoque sem grade (que deu os 54 mm extras no comprimento do elétrico) e com a tomada para recarga sob uma tampa, do tipo 2 para a recarga AC e Combo 2 na DC, rápida. Isso até ajudará em reparos, por exemplo, ao compartilhar peças com o Kwid nacional.
O Kwid E-Tech lembra um Kwid Outsider, com as travessas no teto e estilo mais aventureiro. Pequenos pontos nos levam a ver que é o elétrico, como as rodas de 4 furos que acompanham amortecedores e molas específicos para seu peso e distribuição. Por dentro, o volante de 4 raios é dos Dacia, o sistema multimídia tem tela de 7" (com espelhamento com fios), 6 airbags e vidros traseiros elétricos, itens ausentes no brasileiro.
Como anda?
Esse foi o maior trabalho para a engenharia da Renault no Brasil. Além de motor mais potente pela topografia e uso de um carro, mesmo com proposta urbana, era preciso fazer ajustes dinâmicos no Kwid E-Tech. Nosso asfalto não é tão bom quanto o europeu e era preciso criar um meio termo entre conforto e dirigibilidade, ao menos mais perto do Kwid 'normal'. Molas e amortecedores foram retrabalhados, assim como os pneus foram trocados. Saem os 165/70 R14, entram os 175/70 R14, mais altos e largos.
Por dentro, é...um Kwid. O volante é a peça mais diferente, sendo que a partida é feita por uma chave na ignição, como um carro a combustão. O painel em LEDs tem uma tela central para computador de bordo, com boa resolução e que reúne as principais informações necessárias para o dia a dia, como velocidade, autonomia e nível da bateria. De diferente, um piloto automático e alguns detalhes do acabamento, como a iluminação no teto.
Algumas voltas no kartódomo foi o que tivemos com o Kwid E-Tech. No modo ECO, ele volta aos 45 cv do Dacia, limita a velocidade a 100 km/h (sem, a velocidade é de 130 km/h) e a regeneração fica mais atuante. Mesmo nesse modo, o torque de 11,5 kgfm aparece a qualquer toque no acelerador, ajudado pelos apenas 977 kg do Kwid, um número baixo para um carro elétrico. Segundo a Renault, vai de 0 a 50 km/h em 4,1 segundos, chegando aos 100 km/h em...14,6 segundos. Como referência, o Dacia chega a 125 km/h e em 100 km/h em 19,1 segundos.
Com o ECO desligado, o Kwid E-Tech melhora o desempenho. A dinâmica lembra o Kwid normal, com uma direção bem leve, não muito comunicativa. A altura do solo é uma arma para o uso principalmente urbano, além de suas dimensões compactas colaboram nessa proposta de citycar. Não tem a dinâmica dos hatches, como o Peugeot e-208 ou do próprio Renault Zoe, mas é mais barato e com uma proposta diferente.
Na hora da recarga, o Kwid E-Tech vem com um carregador que pode ser ligado em uma tomada residencial com pino de 20A. Em 220V, vai de 15 a 80% em quase 9 horas. Em um carregador do tipo wallbox de 7,4 kW, bastante comum, faz o mesmo em 2h54m, enquanto a carga de 30kW demora 40 minutos.
Quanto custa?
Os R$ 142.990 pedidos não são pouco dinheiro, mas é o menor valor a ser pago por um carro elétrico novo no Brasil. Nesse preço, leve ar-condicionado, direção elétrica, piloto automático, 6 airbags, controles de tração e estabilidade, sistema multimídia com tela de 7", vidros elétricos nas 4 portas, retrovisores elétricos e travas elétricas. Sem luxos, praticamente o necessário.
O Renault Kwid E-Tech tem um caminho interessante pelo Brasil. Oferecido em sistema de assinatura ou compra, pode ser o primeiro passo para o elétrico em um público que ainda não estava na faixa de preço dos demais modelos. Não é o mais completo, o mais potente ou o mais dinâmico mas, como o Kwid a combustão, mas tentará atrair novos compradores pelo preço.
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