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Geely EX2 nacional pode mudar cenário dos carros elétricos no Brasil

Vendas acima do esperado ajudam a explicar plano de produção do EX2 com a Renault no país

Geely EX2 no Brasil
Foto de: InsideEVs Brasil

O crescimento das vendas de carros elétricos compactos começa a redesenhar o mercado brasileiro e reforça a viabilidade de produção local para modelos mais acessíveis. Em janeiro, o BYD Dolphin Mini liderou o ranking nacional de elétricos com 2.840 emplacamentos, seguido pelo BYD Dolphin (1.511) e pelo Geely EX2, que registrou 1.124 unidades mesmo sem produção nacional.

Os números indicam que o segmento deixou de ser nicho e ajudam a contextualizar movimentos industriais recentes, como o projeto da Geely em parceria com a Renault para fabricar o hatch elétrico no Brasil.

O desempenho comercial do Dolphin Mini, que em fevereiro já aparece no retrovisor do top 10 do ranking de automóveis mais vendidos do país, sinaliza demanda consistente por modelos de entrada. Esse cenário fortalece a tese de que há espaço para ampliação da oferta e maior concorrência nos próximos anos, sobretudo com a chegada de novos projetos industriais.

geely ex2 no ponto de recarga
Foto de: InsideEVs Brasil

Demanda crescente

O ranking de janeiro ilustra a consolidação do segmento de elétricos compactos no país. O Dolphin Mini respondeu por 1,75% do mercado total de veículos no período, ocupando a 21ª posição no ranking geral. Já o Dolphin tradicional alcançou 0,93% de participação, enquanto o Geely EX2 registrou 0,69%, garantindo presença entre os modelos mais relevantes da categoria.

O fato de o EX2 já figurar entre os elétricos mais vendidos do país antes mesmo de uma eventual produção local sugere potencial de expansão do modelo caso a nacionalização avance. Na prática, o mercado brasileiro passa por uma fase de validação da demanda por veículos elétricos mais acessíveis, movimento que tende a estimular investimentos industriais e novos projetos de produção local.

Galeria: Geely EX2 Max 2026

Produção local entra no radar da Geely

Nesse contexto, surgiram recentemente informações sobre a produção nacional do Geely EX2. Segundo o site Autos Segredos, a Geely e a Renault planejam fabricar o hatch elétrico no Paraná, aproveitando a estrutura industrial da marca francesa no país e a sequência de produção anunciada do SUV EX5 na versão híbrida plug-in. O projeto ainda não foi oficialmente confirmado pelas empresas, mas reforça a estratégia global da fabricante chinesa de expandir a produção do modelo fora da China.

A iniciativa segue uma lógica já observada em outros mercados. A Geely iniciou recentemente a produção do EX2 na Indonésia, movimento que sinaliza um modelo de expansão industrial replicável em regiões estratégicas. Caso o Brasil seja incluído nesse plano, o país poderia se tornar uma base relevante para a operação da marca na América Latina.

Geely EX2 inicia produção fora da China
Fotos de: Geely
Geely EX2 inicia produção fora da China
Fotos de: Geely

Mesmo que o projeto avance, a eventual produção do EX2 no Brasil só deve ocorrer a partir do final de 2026 ou 2027. Até lá, a BYD tende a consolidar sua operação em Camaçari (BA), onde já iniciou a produção do Dolphin Mini e trabalha na ampliação do índice de nacionalização do modelo.

Na prática, os projetos representam etapas diferentes da eletrificação industrial no país. O Dolphin Mini atua como pioneiro na produção local em maior escala, enquanto o EX2 surgiria como parte de uma segunda fase do processo, ampliando a concorrência em um mercado já estabelecido.

Geely EX2 inicia produção fora da China
Foto de: Geely

Se confirmada, a chegada do Geely EX2 nacional representaria não apenas a expansão da oferta de elétricos acessíveis, mas também a consolidação de uma nova etapa da indústria automotiva brasileira.

O avanço da produção local de modelos como o Dolphin Mini e, futuramente, do EX2 tende a reduzir custos logísticos, facilitar a manutenção e ampliar a disponibilidade de veículos, além de estimular o desenvolvimento da cadeia produtiva da eletrificação, incluindo iniciativas como a montagem nacional de packs de baterias

O avanço desses projetos indica que a eletrificação no Brasil começa a migrar do estágio comercial para uma fase de industrialização mais estruturada.