Stellantis sob comando de Filosa: 2035 e futuro elétrico em pauta
Novo CEO assume em 23 de junho com metas para 2035, desafios industriais e pressão global
Italiano e presente na Stellantis desde antes mesmo da criação do grupo, Antonio Filosa será o novo CEO da empresa a partir de 23 de junho. Na mesma data, o executivo anunciará também sua equipe de liderança e, superada essa etapa, assumirá oficialmente o lugar deixado por Carlos Tavares, que renunciou no início de dezembro, deixando uma lacuna temporariamente preenchida de forma informal pelo chefe europeu Jean-Philippe Imparato.
Ao assumir, Filosa terá a missão de liderar a Stellantis em uma fase crucial, tanto para o grupo quanto para toda a indústria automobilística. Muitos são os temas que chegarão à sua mesa. O mais complexo: a transição para os carros elétricos.
Antonio Filosa e Carlos Tavares
Antes de assumir o comando global da Stellantis, Antonio Filosa acumulou experiência relevante nas Américas, com destaque para sua atuação na América do Sul. Como Chief Operating Officer da região, ele foi responsável por levar a Fiat à liderança de mercado e expandir significativamente as operações das marcas Peugeot, Citroën, Ram e Jeep. Um de seus legados mais notáveis foi a criação do polo industrial de Pernambuco, que não só impulsionou a produção regional como também marcou o lançamento da Jeep no Brasil — hoje, principal mercado da marca fora dos Estados Unidos. Esse desempenho consolidou a liderança da Stellantis na América do Sul.
Meta 2035
Diferenças sobre esse tema podem ter contribuído para a saída de Tavares. De um lado, o ex-CEO era um defensor convicto da mobilidade elétrica. Do outro, estavam parte da liderança e os resultados financeiros e de vendas aquém do esperado, atribuídos, em parte, aos elétricos.
Filosa precisará equilibrar sustentabilidade ambiental e viabilidade financeira do grupo. As bases já foram lançadas por Imparato e pelo presidente John Elkann, que nas últimas declarações reforçaram a nova visão da empresa:
“Não lançar mais carros por lançar, mas sim os com motorização correta, priorizando híbridos e range extenders”, disse o ítalo-francês no Automotive Dealer Day 2025.
“A prioridade real – nas palavras de Elkann, em alinhamento com a Renault – é acelerar a renovação da frota com tecnologias diversas e competitivas. A idade média dos carros na Europa é de 12 anos; em países como a Grécia, chega a 17. Focar apenas em carros novos elétricos é miopia.”
A proposta é criar um plano europeu de incentivos à renovação da frota. Até que isso se torne realidade, a Stellantis seguirá seu caminho rumo ao fim dos motores a combustão em 2035.
La piattaforma STLA Large, una delle quattro architetture multi-energia di Stellantis
Itália em destaque
Parte do compromisso foi formalizado no fim de 2024 com o “Piano Italia”, em que a Stellantis prometeu ao governo manter o país como pilar estratégico. A promessa: dois modelos acessíveis serão produzidos em Pomigliano d’Arco (Nápoles) a partir de 2028.
Esses veículos usarão a plataforma STLA Small, que suporta motores elétricos, híbridos e a combustão, sinalizando que o futuro da empresa, ao menos por enquanto, não será exclusivamente elétrico.
Gigafábrica em xeque
Como o elétrico ainda faz parte do plano, outro ponto delicado é a gigafábrica de baterias em Termoli, Molise. O projeto da ACC (joint venture com Mercedes e TotalEnergies) previa a conversão da fábrica atual de motores térmicos para produzir 40 GWh de baterias a partir de 2026.
Mas as obras estão paradas desde junho. Enquanto isso, a produção de câmbios automáticos de dupla embreagem (eDTC) foi anunciada para o próximo ano. A retomada dos trabalhos depende das vendas de elétricos e da viabilidade de produzir na Itália – e é aí que surgem os problemas.
Elkann afirmou no Parlamento que “o custo da energia na Europa é cinco vezes maior que na China”. Imparato complementou: “Produzir na Espanha custa 516 euros; na Itália, chega a 1.414 euros, considerando mão de obra e energia”.
Entre China e EUA
Reduzir os custos de energia na Itália e na Europa será, nas palavras de Imparato, “um ponto-chave de ação” para Filosa. Ao mesmo tempo, será necessário conter o avanço chinês e as perdas da guerra comercial com os EUA.
Alfa Romeo Stelvio (2025), projeção do Motor1.com
Foco nos produtos
Os novos produtos estarão no centro da estratégia. As plataformas STLA, projetadas inicialmente para veículos elétricos, são versáteis e aceitam diferentes tipos de motorização.
Entre os modelos esperados está o novo Alfa Romeo Stelvio, que pode atrasar. Também vêm aí os elétricos esportivos da Opel, estratégia que falhou com a Abarth e pode ser revista por Filosa com o retorno de motores térmicos. No topo da gama, a Maserati enfrenta desafios com o cancelamento do MC20 elétrico e atrasos em Quattroporte, Ghibli e Levante.
Um quebra-cabeça de produtos e estratégias que Filosa terá de montar para renovar a Stellantis. Desafios não faltam.
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