BYD conclui frota de navios e mira 1 milhão de elétricos exportados por ano
Com frota própria, BYD expande exportações para levar carros elétricos da Tailândia e Brasil à Europa
A BYD concluiu a formação de sua frota marítima de oito navios cargueiros e alcançou a capacidade de exportar mais de 1 milhão de veículos por ano. O feito, realizado em menos de dois anos, marca um passo decisivo na estratégia global da montadora chinesa, que não depende mais apenas da produção local para abastecer seus principais mercados.
O último navio a se juntar à frota foi o BYD Jinan, que entrou em operação na semana passada. O primeiro cargueiro, o BYD Explorer No. 1, havia sido entregue em janeiro de 2024. Todos os navios são do tipo RoRo (roll-on/roll-off), com capacidade entre 7.200 e 9.000 veículos, e já estão em plena atividade transportando modelos da marca para diversos destinos.
A lista completa inclui: BYD Explorer No.1, Hefei, Changzhou, Shenzhen, Xi’an, Changsha, Zhengzhou e Jinan. Segundo dados de monitoramento marítimo, alguns deles estão atualmente descarregando veículos na Europa, com escalas em portos como Barcelona e Antuérpia.
Primeiras exportações da Tailândia
Um dos movimentos mais relevantes é que a BYD já não exporta apenas carros fabricados na China. O navio BYD Zhengzhou, com capacidade para 7 mil veículos, realizou nesta semana o primeiro embarque de unidades produzidas na fábrica da Tailândia, destinadas ao Reino Unido. Essa planta é responsável pela produção de modelos com volante à direita (RHD), e a operação ganha importância estratégica porque a Tailândia não está sujeita às tarifas adicionais impostas pela União Europeia a veículos elétricos chineses após a investigação de subsídios.
Na prática, isso significa que a BYD encontra formas de reduzir custos e aumentar competitividade em mercados sensíveis a preços, especialmente na Europa.
Galeria: BYD Shenzhen
Produção global em expansão
Além da Tailândia, a BYD está iniciando a produção no Brasil, onde os modelos Dolphin Mini, Song Pro e King sairão da linha de montagem em Camaçari (BA) nos próximos dias. A montadora também investe em novas fábricas internacionais: na Hungria, a planta de Szeged foi concluída, mas a produção em escala foi adiada para 2026; no Paquistão, a unidade deve entrar em operação no mesmo ano; e no Uzbequistão, a montagem de veículos começou em 2024.
Essas fábricas operam em regime CKD (com peças enviadas da China para montagem local), mas a empresa afirma que busca aumentar gradualmente o nível de nacionalização.
Galeria: BYD - linha 2026 na concessionária (BR)
Vendas em queda na China, alta no exterior
A internacionalização se torna essencial diante da desaceleração no mercado doméstico. Em agosto, a BYD vendeu 284.005 carros na China, queda de 22% em relação ao ano anterior. No mesmo período, suas vendas externas dispararam 157%, alcançando 80.813 veículos.
Entre janeiro e setembro de 2025, a marca já comercializou 697.072 unidades fora da China, aproximando-se da meta de 1 milhão de veículos exportados no ano. O objetivo é que até 20% das vendas globais da BYD em 2025 venham de mercados internacionais.
Com a frota de navios própria, a BYD não apenas reduz custos logísticos, mas também ganha maior controle sobre seus prazos e destinos estratégicos. Trata-se de um diferencial inédito entre fabricantes de veículos elétricos e que deve ajudar a gigante chinesa a consolidar sua liderança no mercado de eletrificados.
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