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Alta do petróleo acelera vendas de elétricos em 50 países, diz IEA

Agência revisa projeção para 2026; Brasil aparece entre os mercados que mais cresceram

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Foto de: BYD

As vendas globais de veículos elétricos e híbridos plug-in ganharam força no segundo trimestre de 2026, impulsionadas pela alta dos preços do petróleo e pela ampliação de incentivos à eletrificação em dezenas de países. O movimento levou a Agência Internacional de Energia (IEA) a revisar para cima sua projeção para o mercado neste ano.

Segundo a entidade, mais de 9 milhões de veículos elétricos e híbridos plug-in foram vendidos em todo o mundo no primeiro semestre de 2026. Apenas entre abril e junho foram comercializadas mais de 5 milhões de unidades, um recorde para um único trimestre.

Galeria: BYD Shenzhen

Com esse desempenho, a IEA elevou sua estimativa para que os veículos plug-in representem 29% das vendas globais de veículos novos em 2026, acima dos 28% projetados anteriormente.

Petróleo caro reforçou busca por eletrificação

De acordo com a agência, a alta dos preços do petróleo provocada pela crise no Oriente Médio reforçou o interesse de diversos países em reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. Como consequência, governos ampliaram programas de incentivo para veículos eletrificados e infraestrutura de recarga.

A IEA afirma que a segurança energética voltou ao centro das políticas públicas de mobilidade, fazendo com que muitos mercados acelerassem medidas de estímulo à eletrificação.

Entre março e junho, as vendas de veículos plug-in dobraram na comparação anual em mercados como Brasil, Austrália, Índia, Coreia do Sul e Vietnã, segundo o relatório.

Leapmotor: navio para transporte de veículos

Leapmotor: navio para transporte de veículos

Foto de: Leapmotor

Incentivos foram ampliados em diversos mercados

O estudo cita uma série de medidas adotadas recentemente por diferentes países. Na Austrália, o governo ampliou os incentivos para veículos eletrificados e acelerou um programa nacional de instalação de carregadores públicos. A Tailândia lançou uma nova linha de financiamento para compra de veículos elétricos, enquanto o Vietnã prorrogou benefícios fiscais para modelos plug-in até 2030.

Na Europa, França e Espanha também reforçaram seus programas de incentivo, ampliando recursos destinados à eletrificação e prorrogando benefícios para a compra de veículos elétricos e instalação de carregadores residenciais.

Segundo a IEA, dezenas de países da América Latina, Sudeste Asiático e África adotaram medidas semelhantes desde o início da crise energética.

Geely: desembarque de carros elétricos em Paranaguá

Geely: desembarque de carros elétricos em Paranaguá

Foto de: Governo do Paraná

Crescimento ocorreu apesar da queda do mercado

O avanço dos veículos plug-in ocorreu em um momento de desaceleração da indústria automotiva global. As vendas mundiais de automóveis caíram 5% no primeiro semestre de 2026, enquanto os elétricos e híbridos plug-in registraram recuperação expressiva após um primeiro trimestre mais fraco.

Com isso, esses modelos passaram a responder por 24% das vendas globais de veículos leves entre janeiro e junho.

Kia EV9 GT-Line 2024 na especificação externa dos EUA

Kia EV9 GT-Line 2024 na especificação dos EUA

China e Estados Unidos seguiram em direções diferentes

Mesmo com a recuperação global, os dois maiores mercados automotivos apresentaram resultados distintos.

Na China, as vendas totais de veículos recuaram no primeiro semestre, acompanhadas por uma desaceleração dos chamados veículos de nova energia (NEVs), influenciada pela redução de subsídios.

O que você pensa sobre isso?

Já nos Estados Unidos, as vendas de elétricos continuam abaixo do registrado em 2025 após o fim do crédito tributário federal para compra desses modelos e mudanças nas políticas de eficiência energética. Ainda assim, o segundo trimestre apresentou o melhor resultado do mercado norte-americano desde o encerramento do incentivo federal.

Para a IEA, o avanço observado em dezenas de países mostra que a eletrificação continua ganhando espaço globalmente, especialmente em mercados que buscam reduzir a exposição às oscilações dos preços internacionais do petróleo. O Brasil tem uma situação um pouco diferente, onde a expansão ocorre mais por conta da chegada de novos modelos eletrificados e políticas agressivas das marcas chinesas. 

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