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Com salto nos últimos meses, Brasil chega em 1 mihão de carros eletrificados

Mercado levou 13 anos e sete meses para chegar aos 500 mil, mas dobrou de tamanho em apenas 14 meses

geely ex2 motor1
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com
Thomas Tironi Thomas Tironi

O Brasil acaba de ultrapassar a marca de 1 milhão de veículos leves eletrificados vendidos desde o início da série histórica da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), em janeiro de 2012.

Com os 53.126 emplacamentos registrados em setembro, o acumulado chegou a 1.003.310 unidades, mas é a velocidade dessa arrancada recente que melhor mostra o tamanho da transformação: foram necessários 13 anos e sete meses para atingir os primeiros 500 mil, enquanto o segundo meio milhão veio em apenas 14 meses.

Teste de autonomia de elétricos - De 100 a 5% Brasil
Foto de: Motor1.com

A preferência do brasileiro também mudou bastante nesse intervalo e hoje aponta claramente para os modelos com tomada. Em setembro, BEV e PHEV responderam juntos por 79,9% dos eletrificados, com os 100% elétricos na liderança, somando 22.246 unidades e 41,9% do mercado, pouco à frente dos híbridos plug-in, que registraram 20.202 emplacamentos e participação de 38%.

Os híbridos sem recarga externa completaram a conta, enquanto os micro-híbridos seguem acompanhados separadamente pela ABVE desde 2025 por não conseguirem tracionar as rodas exclusivamente com eletricidade.

Micro-híbridos crescem, mas ficam fora da conta desde 2025

Os micro-híbridos, como os Jeep Avenger e Renegade, também ganharam bastante espaço nos últimos anos, especialmente após a chegada de sistemas de 12V a modelos de maior volume e a expansão das soluções de 48V, mas desde janeiro de 2025 a ABVE deixou de classificá-los junto aos demais eletrificados.

A entidade passou a considerar nesse grupo apenas veículos capazes de movimentar as rodas com eletricidade, o que inclui BEV, PHEV, HEV e HEV Flex, mantendo os MHEV em uma estatística separada.

Jeep Avenger Longitude 2027
Foto de: Motor1 Brasil
Teste Jeep Renegade Sahara MHEV 2027
Foto de: Motor1 Brasil
Fiat Pulse Impetus Hybrid 2026
Foto de: Fiat
Ano MHEV
2022 6.239
2023 11.185
2024 16.185
2025 61.340
2026 até setembro 51.692

A tabela ajuda a explicar por que essa distinção passou a ser importante. Os micro-híbridos saltaram de pouco mais de 6 mil unidades em 2022 para 61.340 em 2025, enquanto 2026 já acumula 51.692 registros até setembro, dos quais 8.869 aconteceram somente no último mês.

Caso fossem somados aos demais eletrificados, setembro teria chegado a 61.995 veículos com algum grau de eletrificação, equivalentes a 23,1% de todo o mercado brasileiro de leves.

Híbrido plug-in virou preferência entre os híbridos

Entre os híbridos propriamente ditos, a mudança de perfil foi ainda mais evidente. Em 2022, os HEV Flex eram a tecnologia dominante, com pouco mais de 21 mil unidades, quase o dobro dos PHEV, enquanto os híbridos convencionais ainda tinham participação bastante pequena. Quatro anos depois, a situação praticamente se inverteu, com os modelos de recarga externa concentrando a maior parte do volume.

Esse avanço ganhou força principalmente a partir de 2023, quando a oferta de SUVs plug-in cresceu rapidamente e os PHEV passaram a superar os híbridos sem tomada. Em setembro de 2026, foram 20.202 PHEV, contra 5.786 HEV Flex e 4.892 HEV, mostrando como a tomada passou de exceção a protagonista dentro desse tipo de motorização.

Ano PHEV HEV HEV Flex
2022 11.503 1.999 21.046
2023 33.049 8.147 22.236
2024 64.009 15.271 20.277
2025 101.364 21.047 21.323
2026 (até setembro) 137.637 37.424 40.728

Os PHEV já acumulam 137.637 emplacamentos nos nove primeiros meses de 2026, superando com bastante folga as 101.364 unidades registradas em todo o ano passado e multiplicando por quase 12 o volume de 2022.

geely ex5 em-i vs ex5 bev
Foto de: InsideEVs Brasil

Em apenas quatro anos, portanto, a tecnologia saiu de pouco mais de 11 mil carros anuais para uma escala superior a 20 mil unidades em um único mês. Não por acaso, a maioria dos novos modelos chineses híbridos traz esse tipo de solução.

Isso não significa que os híbridos sem tomada tenham parado de crescer, já que setembro trouxe recordes tanto para os HEV quanto para os HEV Flex, que juntos chegaram a 10.678 unidades e avançaram 114,5% em relação ao mesmo mês de 2025. A diferença é que agora eles ocupam uma fatia menor de um mercado muito maior, enquanto os plug-in passaram a concentrar o grosso da expansão.

Elétricos puros multiplicaram vendas em poucos anos

Nenhuma tecnologia, porém, mostra tão claramente a mudança de escala quanto os carros 100% elétricos. Em todo o ano de 2022, pouco mais de 8 mil BEV foram emplacados no Brasil, enquanto setembro de 2026 sozinho registrou 22.246 unidades, quase três vezes aquele volume anual, mesmo tendo ficado abaixo do recorde alcançado em agosto.

A massificação passa diretamente pela chegada de modelos menores e mais baratos, com carros como BYD Dolphin Mini, Dolphin e Geely EX2 colocando os elétricos em faixas de mercado antes praticamente restritas aos modelos a combustão.

Ano BEV
2022 8.460
2023 19.310
2024 61.615
2025 80.178
2026 (até setembro) 165.820

Mesmo com queda de 18,1% diante de agosto, os BEV cresceram 172,3% na comparação com setembro de 2025, sinal de que o recuo mensal aconteceu sobre uma base que já havia atingido um patamar muito mais alto.

Essa progressão mostra uma ruptura especialmente forte a partir de 2023, quando os 19.310 elétricos daquele ano saltaram para 61.615 em 2024 e 80.178 em 2025. Agora, faltando ainda três meses para o fim de 2026, o país já soma 165.820 BEV, mais do que o dobro de todo o resultado do ano passado e quase vinte vezes o volume registrado em 2022.

O que você pensa sobre isso?

Com isso, os elétricos puros se tornaram a maior tecnologia individual entre os eletrificados vendidos em setembro, com 41,9% de participação, à frente dos 38% dos PHEV. Somadas, as duas categorias plug-in já representam praticamente oito de cada dez eletrificados emplacados no Brasil, uma mudança relevante diante de um mercado que, há poucos anos, ainda era dominado pelos híbridos sem tomada.

Fonte: ABVE

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