GAC prepara produção nacional em 2027 com foco em tecnologia REEV Flex
Habilitada ao Mover, chinesa iniciará produção em Catalão (GO) e desenvolve tecnologia REEV Flex para o Brasil
A GAC vai entrar em uma nova fase de sua operação no Brasil. Depois de pouco mais de um ano marcado pela rápida expansão do portfólio de importados, a fabricante chinesa passa a concentrar esforços na industrialização local, com início da produção previsto para 2027 na planta de Catalão (GO).
O movimento ganhou força após a empresa ser oficialmente habilitada ao Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), iniciativa do Governo Federal voltada ao fortalecimento da indústria automotiva nacional. A adesão ao programa faz parte do plano de investimentos de US$ 1,3 bilhão anunciado pela montadora para o mercado brasileiro.
Além da produção de veículos em parceria com a HPE Automotores, o projeto prevê a implantação de um Centro de Engenharia, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), responsável por adaptar produtos e desenvolver tecnologias específicas para o mercado nacional. Entre as prioridades estão veículos elétricos de autonomia estendida (REEV), tecnologias compatíveis com motores flex e outras soluções voltadas às necessidades do consumidor brasileiro.
Galeria: GAC Aion i60 no Salão de Pequim
Produção nacional passa a ser prioridade
A mudança de foco também foi antecipada pelo diretor de Marketing da GAC Brasil, Luiz Fernando Guidorzi, durante entrevista ao podcast do Motor1 Brasil. Segundo o executivo, após o próximo lançamento da marca, a prioridade será a preparação da operação industrial em Catalão.
"O nosso objetivo na sequência é focar na produção local", afirmou o executivo ao comentar os próximos passos da empresa no Brasil.
A declaração reforça que a primeira etapa da estratégia da GAC, marcada pela construção da rede de concessionárias e pela chegada de novos modelos importados, dará lugar ao processo de nacionalização da operação.
REEV Flex entra no radar
O comunicado divulgado pela empresa após a habilitação ao Mover menciona o desenvolvimento de soluções para veículos eletrificados de autonomia estendida (REEV). Já na entrevista, Guidorzi acrescentou um detalhe importante ao confirmar que um projeto de REEV Flex faz parte do planejamento da fabricante para o Brasil.
"Dentro do Mover a gente está trabalhando muito forte com tecnologia flex e REEV. Tem um REEV Flex que faz parte do nosso plano para o futuro", afirmou.
A estratégia acompanha um movimento observado em parte da indústria chinesa, que vê os veículos de autonomia estendida como uma alternativa para mercados onde a infraestrutura de recarga ainda está em desenvolvimento e combustíveis renováveis, como o etanol, têm papel relevante.
Adaptação para o mercado brasileiro
A nacionalização da operação também envolve um trabalho de engenharia para adaptar os veículos às condições locais.
Segundo Guidorzi, modelos comercializados pela marca no Brasil passaram por recalibração da suspensão e do conjunto mecânico, além de ajustes para operar com gasolina contendo até 30% de etanol (E30).
Esse processo tende a ganhar ainda mais importância com a criação do centro de engenharia anunciado pela empresa, que ficará responsável pelo desenvolvimento e pela validação de tecnologias voltadas ao mercado brasileiro.
Galeria: Impressões GAC Aion UT (BR)
Portfólio continuará sendo definido pela demanda
Mesmo com o avanço da produção nacional, a GAC afirma que continuará avaliando quais modelos de seu catálogo global fazem sentido para o Brasil antes de ampliar a gama disponível.
Segundo Guidorzi, a fabricante tem liberdade para trazer qualquer veículo comercializado na China, desde que exista demanda e viabilidade para o mercado brasileiro.
Essa estratégia explica, por exemplo, a decisão de lançar o GS3, um SUV a combustão, em um momento em que boa parte das fabricantes chinesas concentra seus esforços em veículos eletrificados. De acordo com o executivo, mais de 80% do mercado brasileiro ainda é formado por veículos equipados exclusivamente com motores a combustão, tornando importante oferecer diferentes opções ao consumidor.
Com a produção nacional prevista para começar em 2027, a expectativa é que a próxima etapa da operação brasileira da GAC seja marcada mais pela nacionalização de tecnologias e modelos desenvolvidos especificamente para o mercado local.

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