Chery apresenta aço ultra-resistente que supera o recorde global da Xiaomi
Novo material criado com a HBIS eleva padrão de segurança estrutural e pode reduzir peso dos carros
A Chery acaba de anunciar um avanço relevante na engenharia de materiais automotivos ao revelar, em parceria com o grupo siderúrgico HBIS, um aço estampado a quente com resistência de 2.400 MPa. O índice supera o recorde atual de ultra-alta resistência utilizado em um carro de produção — os 2.200 MPa do Xiaomi YU7 — e sinaliza uma nova fase para componentes estruturais de segurança na indústria chinesa.
O desenvolvimento é significativo porque os aços moldados a quente (hot-formed steel) estão entre os principais elementos de proteção de um veículo moderno. Eles compõem regiões críticas como colunas A e B, anéis de porta, vigas anti-intrusão e travessas do assoalho, estruturas que absorvem e desviam energia em colisões para manter o habitáculo íntegro. Hoje, a maior parte das montadoras trabalha com materiais nessa categoria entre 1.300 e 1.800 MPa, patamar considerado desafiador para equilibrar resistência, tenacidade, estabilidade e facilidade de conformação.
O ponto central da inovação da Chery e da HBIS está justamente nesse equilíbrio. Elevar a resistência do aço costuma deixar o material mais duro e, portanto, mais suscetível à fragilidade — algo que complica tanto o processo de estamparia quanto o comportamento do componente durante um impacto. Segundo as empresas, o novo aço de 2.400 MPa mantém uma combinação favorável de resistência, tenacidade e formabilidade, permitindo processos de manufatura controlados e repetíveis.
Além de aumentar a proteção dos ocupantes, esse tipo de material abre margem para redução de espessura dos componentes, o que ajuda no alívio de peso e, por consequência, melhora eficiência energética, desempenho e emissões. Em uma indústria que busca simultaneamente mais segurança e mais eficiência, esse tipo de ganho costuma ter impacto direto no desenvolvimento de novas plataformas.
A Chery afirma que o material já passou por “provas reais”, incluindo estampagem de peças completas, instalação em veículos e diversas rodadas de validação especificamente em vigas de portas. Esses testes indicaram boa estabilidade mecânica, janela de conformação previsível e precisão dimensional adequada para produção em escala — um ponto essencial para que o aço deixe de ser experimental e avance para aplicações industriais.
A expectativa é que o novo aço seja utilizado inicialmente em componentes com maior demanda por resistência, como vigas anti-colisão, e posteriormente aplicado em anéis de porta, longarinas e travessas de futuras plataformas. A marca não mencionou cronograma para adoção em veículos de mercado, mas o nível de maturação relatado sugere que a tecnologia pode estrear em modelos de médio e alto volume nos próximos anos.
O feito reforça a corrida tecnológica entre fabricantes chinesas por maior autonomia em engenharia de materiais — um campo que passou a receber mais investimento com o avanço dos elétricos e a busca por estruturas mais leves e eficientes. Se a aplicação em série se confirmar, a Chery pode ter dado o passo mais significativo do setor desde o recorde estabelecido pela Xiaomi, elevando novamente a régua de resistência estrutural na indústria global.
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Chery oferece garantia “eterna” para bateria de carros elétricos
ABVE projeta mercado entre 300 mil e 350 mil eletrificados em 2026
ABVE pede cautela sobre explosões em incêndio na BYD após acidente no RJ
BorgWarner vê baterias LFP dominando mercado antes da chegada do sódio
Novo Freelander 8 da Chery revela dados oficiais: 3.495 kg e sistema Huawei
Geely supera 1 MW de recarga e acirra disputa pelas baterias ultrarrápidas
Freelander volta como marca elétrica com Chery e Jaguar Land Rover