Move Brasil: quanto custa financiar um carro elétrico de até R$ 150 mil
Programa para eletrificados de até R$ 150 mil, incluindo Dolphin Mini, Geely EX2, Spark EUV e BYD King
O programa Move Brasil - Táxi e Aplicativos, anunciado pelo governo federal nesta semana, pode criar um novo mercado para carros elétricos e híbridos voltados ao transporte por aplicativo no Brasil. Com financiamento de até 72 meses, seis meses de carência e teto de R$ 150 mil por veículo, a iniciativa abre espaço para modelos eletrificados mais acessíveis, alguns deles já bastante conhecidos do público do setor.
Na prática, o programa permitirá o financiamento de veículos novos classificados como sustentáveis, incluindo modelos flex, elétricos e híbridos a etanol, desde que sejam de montadoras habilitadas. A linha será voltada a taxistas regularizados e motoristas de aplicativo com pelo menos um ano de cadastro ativo e um mínimo de 100 corridas na mesma plataforma.
Segundo o governo, o financiamento terá juros anuais de 12,6% para homens e 11,5% para mulheres, além de carência de seis meses antes do pagamento da primeira parcela. O prazo poderá chegar a 72 meses, em uma tentativa de tornar o custo mensal menor do que o valor normalmente pago por motoristas que hoje alugam veículos para trabalhar.
“O que vai acontecer é que você estará pagando metade do que você pagava e com um patrimônio que será seu”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o lançamento do programa.
Quanto ficariam as parcelas no Move Brasil?
Com base nas condições anunciadas pelo governo, fizemos uma simulação considerando a taxa de 12,6% ao ano, sem entrada e sem custos adicionais, para veículos entre R$ 100 mil e R$ 150 mil.
|
Valor do veículo |
48 meses |
60 meses |
72 meses |
|
R$ 100 mil |
~R$ 2.670 |
~R$ 2.260 |
~R$ 1.990 |
|
R$ 110 mil |
~R$ 2.940 |
~R$ 2.490 |
~R$ 2.190 |
|
R$ 120 mil |
~R$ 3.200 |
~R$ 2.710 |
~R$ 2.390 |
|
R$ 130 mil |
~R$ 3.470 |
~R$ 2.940 |
~R$ 2.590 |
|
R$ 140 mil |
~R$ 3.740 |
~R$ 3.170 |
~R$ 2.790 |
|
R$ 150 mil |
~R$ 4.010 |
~R$ 3.390 |
~R$ 2.990 |
*Simulação aproximada considerando juros anuais de 12,6%, sem entrada e sem taxas adicionais. Mulheres poderão ter taxa reduzida de 11,5% ao ano.
Os números ajudam a explicar por que o governo aposta na troca da locação pelo carro próprio. Segundo o BNDES, um motorista que hoje paga cerca de R$ 4,2 mil mensais em aluguel poderia financiar um carro de R$ 100 mil por algo próximo de R$ 2,5 mil ao mês, enquanto um modelo de quase R$ 150 mil teria prestação na faixa dos R$ 3,8 mil.
Quais carros eletrificados entram no Move Brasil?
O teto de R$ 150 mil acaba funcionando como um filtro importante. Embora deixe de fora boa parte dos elétricos mais sofisticados vendidos no país, ele abre espaço para alguns modelos bastante competitivos para uso profissional.
|
Modelo |
Preço |
|
BYD Dolphin Mini |
R$ 118.990 |
|
Geely EX2 |
R$ 123.900 |
|
Chevrolet Spark EUV |
R$ 144.990 |
|
BYD King GL |
R$ 147.990 |
|
BYD Dolphin GS |
R$ 149.990 |
O BYD Dolphin Mini, hoje tabelado em R$ 118.990, surge como um dos candidatos mais naturais ao programa. Além do preço abaixo do teto, o hatch compacto já ganhou notoriedade no Brasil pelo foco em custo-benefício e baixo custo operacional.
O Geely EX2, vendido por R$ 123.900, aparece como outra opção de destaque. Com proposta mais versátil pelo espaço interno e de bagagens, pode atrair motoristas que passam longas horas ao volante e buscam maior espaço interno.
Já o recém-lançado Chevrolet Spark EUV, a R$ 144.990, entra dentro da margem do programa e chama atenção por chegar ao mercado justamente em um momento de expansão das soluções voltadas à mobilidade urbana. A GM mantém iniciativas globais com plataformas como a Uber, o que pode reforçar o potencial do modelo no segmento.
Também entram no radar o BYD King GL, híbrido plug-in de R$ 147.990, e o BYD Dolphin GS, vendido por R$ 149.990 e praticamente no teto do programa, por apenas R$ 10 de diferença.
Promoções podem ampliar a lista
Na prática, o universo de modelos elegíveis pode acabar sendo maior do que parece. Montadoras frequentemente oferecem bônus para CNPJ, descontos corporativos e campanhas voltadas a motoristas de aplicativo, reduzindo o preço final do veículo.
A GWM, por exemplo, já realizou ações promocionais envolvendo o ORA 03 para motoristas de aplicativo. Dependendo do nível de desconto e das condições comerciais, modelos hoje acima do limite do Move Brasil podem acabar entrando no radar do programa.
Além de beneficiar os carros já abaixo de R$ 150 mil, o Move Brasil pode criar uma nova disputa entre fabricantes interessadas no crescente mercado de veículos eletrificados para trabalho, especialmente entre motoristas que hoje dependem da locação para gerar renda.
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