Avaliação Geely EX2 Max: a pedrinha no sapato do BYD Dolphin?
Com preço de hatch a combustão, elétrico se destaca pelo o que oferece custando R$ 135.100
Quem diria que as marcas chinesas não demorariam muito para se atacarem no mercado brasileiro. A chegada do Geely EX2 colocou um concorrente de peso diante de BYD Dolphin e Dolphin Mini em preço, conteúdo e alcance, além da parceria com a Renault para dar força em um nome que já teve uma passagem (de não muito sucesso, verdade...) no Brasil.
Este é o Geely EX2 Max, versão mais completa do hatch elétrico que custa, fora da promoção, R$ 135.100, algo bem chamativo diante dos R$ 149.990 do BYD Dolphin GS, até aqui a referência neste segmento elétrico - e ainda há o EX2 Pro, que custa R$ 119.990 e não perde tantos itens do dia a dia. Mas já encanta e pode ser opção a donos de Chevrolet Onix, Hyundai HB20, VW Polo e companhia?
Simpatico (e moderno) que só
A Geely está chamando a atenção pela velocidade com qual está trazendo seus carros ao mercado brasileiro. O EX2, conhecido na China como Xingyuan, foi apresentado em setembro de 2024 com a plataforma GEA, base da Geely que foi projetada para integrar inclusive inteligência artificial, além de conectividade e a eletrificação para redução de custos.
Essa base foi desenvolvida para trazer escala a tecnologias de modelos elétricos, híbridos e com extensores de autonomia, já pensando tanto em software quanto em hardware. Apesar de atuar como um modelo de entrada, o EX2 apresenta muita qualidade nesses pontos e diferenciais que já entregam um projeto mais moderno e evoluído.
Embaixo dessa carroceria simpática, com direito a frente sorrindo, maçanetas integradas e detalhes desenhados na coluna C, o EX2 integrou diversos sistemas de motor e gerenciamento em um pacote de apenas 55 kg instalado no eixo traseiro - pela física, é mais fácil empurrar algo do que puxar, e explica a escolha mais eficiente do motor ali, não no eixo dianteiro.
O EX2 tem 4.135 mm de comprimento e 2.650 mm de entre-eixos - como referência, o Dolphin tem 4.125 mm e 2.700 mm, respectivamente -, com 1.300 kg, relativamente baixo para um carro elétrico desse tamanho. Isso fará bastante sentido quando falarmos sobre desempenho e eficiência, principalmente no uso urbano.
Ainda sobre sua base, outro ponto interessante pelo preço é a suspensão traseira multilink, até para poder viabilizar a tração traseira, e a escolha de pneus 205/60, largos e altos para o tamanho do EX2, mas que colaboram para o conforto, mas não tanto para a eficiência energética. Escolhas são escolhas, e aqui foi pelos ocupantes.
Futurista, simplista e esquecido
Entre tantos chineses semelhantes, até que o Geely EX2 tenta se diferenciar por dentro. Se por fora é um ser simpático, o interior usa bastante plástico rígido para não ficar caro, porém suaviza com LEDs nas portas e no painel formando prédios de uma cidade. O painel de instrumentos é uma tela embutida no dashboard, não flutuante, com 8,8" de boa resolução, apresentando o sistema ADAS, velocidade e autonomia, mas esqueceu o computador de bordo na tela multimídia.
Parece besteira, mas as informações de condução precisam ser acessadas pela tela de 14,6", que também guarda o seletor de modos de condução e regeneração, climatização (que pode ser ativada e desligada por botões físicos, mas não tem modo automático, por exemplo) e outras funções do carro, mas não trouxe Apple CarPlay e Android Auto, apenas um app que pode espelhar sua tela - a Geely diz que está em processo de homologação e os carros serão atualizados Over The Air com o espelhamento conhecido.
O Geely EX2 não tem um botão de partida. Entre no carro com a chave presencial, coloque o cinto de segurança e, pelo pequeno seletor no console central, engate a marcha. Ele ligou, pronto para rodar, mas vais perceber uma chave de seta que nos leva a japoneses dos anos 1990, simples e funcional, mas que destoa visualmente do resto do carro, assim como a ausência da regulagem de profundidade do volante, uma peça bonita com botões do sistema de som e ADAS e revestida em couro.
Entre tantos contrapontos, temos um bom carro para dirigir. Seus 116 cv e 15,3 kgfm de torque não impressionam, mas lembre-se que eles estão disponíveis imediatamente a qualquer toque no acelerador. Com o fato da tração traseira e dos 1.300 kg, mesmo com o seletor no modo eco, arranca bem e ganha velocidade na frente de muito carro a combustão mais potentes.
No assoalho, a bateria LFP de 40,2 kWh (39,4 kWh úteis, com recarga em 6,6 kW em AC e 70 kW em DC) que, pelo Inmetro, dá um alcance de 289 km. Durante esta avaliação, sempre na cidade, tivemos uma média de 9,8 km/kWh, ou um alcance de 386 km na cidade, bem acima do que o Inmetro declara. Não medimos na estrada, mas aparenta não ter a mesma eficiência em velocidades mais altas, algo que é comum nos elétricos menos potentes, focados no uso urbano.
O que vai bem é a suspensão. Os carros chineses que chegam ao Brasil começam a perder a característica de serem moles demais, tanto pela segurança quanto por balançarem muito e incomodar os ocupantes, e no caso do Geely, é mais firme, porém ainda não algo comparado a um japonês ou alemão. Com os pneus de perfil alto, filtra bem e não bate seco mesmo se passar em um buraco mas fundo, mas ainda se ouve algumas buchas trabalhando.
A direção leve ganha certo peso em velocidades mais altas, mas ainda estamos em um segmento com um jeito artificial ao volante, apesar da melhora com o passar dos anos. Bem confortável na cidade, no trânsito e na hora de manobrar, tem quem o prefira assim para passar horas dirigindo, inclusive pelo bom ângulo de esterço para entrar em ruas apertadas, uma boa altura do solo e os ângulos de entrada e saída pelos eixos nas extremidades da carroceria. Só não terás a dinâmica de um Polo, Onix ou City, definitivamente.
Prontos ou não, aí vou eu!
Diante dos hatches a combustão, o Geely EX2 tem um bom espaço interno, bem aproveitado pelo entre-eixos de 2.650 mm, com direito a um porta-objetos embaixo do banco traseiro, e o piso plano que colabora pro conforto aliado a saída de ar-condicionado traseira. No porta-malas, os 375 litros também vão bem, com os 70 litros do frunk para guardar objetos que não serão tão utilizados, como um carregador portátil, por exemplo.
Este pode ser um ótimo argumento de venda para quem está na dúvida e já se preparou para ter um elétrico, sempre considerando um carregador de fácil acesso (preferência em casa) e algumas mudanças na rotina, como planejamento para viagens mais longas. Mas o EX2 Max ainda tem o pacote ADAS com alerta de colisão com frenagem automática, alerta de mudança de faixas, farol-alto automático e o piloto automático adaptativo, coisas que alguns mais caros não oferecem.
Olhando para o pacote do EX2 Pro, de R$ 119.990, já está bem colocado pelo o que perde diante do Max. A Geely irá aproveitar muito da estrutura Renault para convencer em pós-vendas e rede, mas o preço foi realmente o ponto mais chamativo de um carro interessante por si só nas duas versões, não só pelo pacote, mas como um carro elétrico em si.
Sim, aqui está o carro elétrico que vai ser problema pra BYD. Preço, pós-vendas, parceria com a Renault, equipamentos, espaço interno e alcance, muita coisa o coloca em vantagem diante da dupla Dolphin neste momento. Pequenos erros não passam despercebidos, como a falta do espelhamento em pleno 2025, só que não estraga esse lançamento (ainda mais que já prometeram corrigir em breve) justamente por um ponto muito importante e que será citado mais uma vez: preço competitivo e que deve colocar um elétrico na garagem de muita gente pela primeira vez.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com/InsideEVs)
Geely EX2
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