Teste BYD Dolphin Mini EV 2026: nova suspensão e mais conforto ao dirigir
Elétrico mais vendido do Brasil ganha novo acerto que melhora estabilidade e conforto sem elevar o preço
Os tempos mudaram. Há alguns anos, se alguém dissesse que um dos hatches mais vendidos do Brasil seria um subcompacto chinês, provavelmente escutaria muitas risadas. Mas cá está o BYD Dolphin Mini, um dos modelos elétricos mais baratos do país, vendendo como pão quente desde sua chegada ao mercado nacional.
Mesmo com toda a evolução que os modelos asiáticos tiveram desde sua chegada do Brasil, em meados dos anos 2000, ainda faltavam alguns detalhes para que o Dolphin Mini se alinhasse melhor ao gosto do consumidor local.
BYD Dolphin Mini EV 2026
Fim do pula-pula
O primeiro deles era a suspensão traseira. Alvo de reclamações de usuários em fóruns e grupos online, a antiga calibração era mole demais e tinha curso muito curto, o que causava o efeito “pingue-pongue” em ruas com asfalto ruim ou em velocidades acima de 60 ou 70 km/h. Falamos bastante disso no primeiro teste em fevereiro de 2024.
Na linha 2026, que acaba de chegar às lojas, o Dolphin Mini parece até outro carro. Ainda que a marca não tenha mencionado nada sobre o novo acerto (um erro...), o ajuste fez toda a diferença na dinâmica do subcompacto. Agora, a suspensão está mais firme, sem que isso a torne excessivamente dura ou desconfortável, e consideravelmente mais estável em velocidades mais altas.
A mudança se concentra na traseira. Novas molas e amortecedores deixam o BYD mais estável, mas não perde o bom conforto que já tinha, mas vai acabar com as reclamações dos ocupantes e possíveis enjoos, como já ouvimos bastante. Ao mesmo tempo, ainda filtra bem os buracos e não bate seco, inclusive na dianteira. É bem calibrado e melhorou muito.
Azul metálico (Glacier Blue) é novidade da linha 2026
Colorido, sim
Outra mudança está nas tonalidades. Desde que chegou ao mercado, o menor carro da BYD sempre contou com cores bem variadas, que iam do preto (Polar Night Black) e branco (Apricity White) até o curioso tom de verde (Sprout Green), que lembra o antigo amarelo marca-texto do Fiat Uno de segunda geração.
Reparou que não há nenhum tom de prata? Pois é. Na China, o carrinho só oferece cores bem chamativas, diferentes do gosto local, e, para tentar aproximá-lo do público brasileiro, ganhou um belo tom de azul metálico (Glacier Blue), vindo do Seal vendido no exterior. Aqui vale elogiar a ousadia da marca, já que todos os produtos da BYD sempre contam com cores que fogem do tradicional preto, prata e branco.
Na traseira, logo BYD ao centro, e novas rodas de liga leve vindas do Dolphin Surf
De resto, as novidades visuais ficam pelo alinhamento do emblema traseiro, que deixou de utilizar o longo Build Your Dreams em favor de um mais simpático BYD, além de novas rodas de liga leve aro 16'', vindas do Dolphin Surf europeu.
Na linha 2026, Dolphin Mini será vendido só na configuração cinco lugares
Para cinco
O primeiro Dolphin Mini a desembarcar no país, em fevereiro de 2024, chegou apenas com quatro lugares. Já naquela época, a marca afirmava que, a depender da demanda, trabalharia em uma opção exclusiva para o mercado brasileiro que pudesse levar cinco passageiros, ainda que os 2.500 mm de entre-eixos e 1.715 mm de largura (sem os espelhos) não façam milagres.
Depois de algum tempo de convivência, o subcompacto com quatro lugares deixa de existir. A mudança tem explicação: com preço próximo ao de modelos compactos com motor a combustão e câmbio automático intermediário, como o Chevrolet Onix 1.0T LT, de R$ 118.290, ou o Hyundai HB20 1.0 TGDI Limited, de R$ 120.890, o elétrico mais barato da BYD passa a ser uma opção real para o consumidor comum que buscava um hatch um pouco maior, mas movido a gasolina.
O diminuto porta-malas de 230 litros
A novidade também facilita a vida dos motoristas de aplicativo, que agora contam com uma opção elétrica para cinco passageiros sem precisar migrar para modelos bem mais caros, como o Dolphin GS, por R$ 149.990, ou o GWM Ora 03 BEV48, de R$ 154.000.
O que não ajuda é o porta-malas, com volume pequeno até mesmo para sua categoria, bem prejudicado pelos balanços dianteiro e traseiro curtos. No total, o Dolphin Mini leva apenas 230 litros, menos até que o Renault Kwid E-Tech, com 290. Também não há estepe de emergência. Em seu lugar, há um kit de reparo guardado em uma bolsa que acaba ficando solta no compartimento, sem local para fixação. No fim, é preciso reconhecer sua vocação majoritariamente urbana, algo comum entre subcompactos.
Faróis são em LEDs
Um subcompacto que foge da tradição
E aqui, vale a ressalva: não é culpa dele se não dá conta de levar malas, cachorro, sogra e ainda fazer uma mudança no fim de semana. Há modelos maiores e mais caros para isso. A função de um subcompacto é outra — ser ágil, econômico, fácil de estacionar e barato de rodar no dia a dia, funções que o Dolphin Mini cumpre com excelência surpreendente. O problema é que o consumidor brasileiro ainda insiste em querer que um carro pequeno faça o trabalho de um sedã ou SUV. E quando ele não o faz, o projeto é deixado de lado, como já aconteceu com o VW Up!, o Kia Picanto e o Renault Twingo.
Ao menos por enquanto, por seus principais rivais na mesma faixa serem consideravelmente menores, o Dolphin Mini tem se saído melhor do que o esperado. Em 2025, por exemplo, o subcompacto já acumula 22.926 unidades emplacadas entre janeiro e setembro, o que representa uma média de cerca de 2.550 carros por mês. Números que colocam o modelo entre os carros mais vendidos do país e mostram que, mesmo com limitações, a proposta urbana do Dolphin Mini tem encontrado seu público.
Os 2.500 mm de entre-eixos e 1.715 mm de largura (sem os espelhos) não fazem milagres
Seria o pequeno da BYD o primeiro subcompacto a escapar da maldição desta categoria? Só o tempo dirá. O que se sabe, por enquanto, é que ele já emplaca mais do que Citroën C3 (9.207) e Peugeot 208 (6.696) somados — ambos fabricados e vendidos na América do Sul há anos, com ampla gama de versões.
Quem diria, também divertido
Confesso que me diverti mais do que imaginava com o Dolphin Mini. Ainda pouco acostumado a carros elétricos, chega a ser curioso ver um carrinho tão pequeno responder com tanta agilidade, graças ao torque instantâneo típico desse tipo de veículo. E nem é preciso ligar o modo Sport para isso.
A BYD não alterou o powertrain e baterias do carro na linha 2026. Ou seja, continuam os 75 cv (55 kW) e 13,8 kgfm, sempre alimentado pelas baterias Blade LFP de 38,8 kWh (37 kWh úteis). Com esse conjunto, o pequeno acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 14,9 segundos — desempenho próximo ao de hatches 1.0.
Quando falamos de autonomia, o Dolphin Mini não chega a surpreender, mas, assim como ocorreu no teste realizado por InsideEVs/Motor1 Brasil no início do ano, durante o “100 a 5%”, o pequeno alcançou médias superiores aos 280 km divulgados pelo PBVE. Foram cerca de 320 km rodados, com consumo médio de 8,6 km/kWh, e ainda restava carga na bateria ao fim do percurso.
Como dito acima, o carrinho conta com modos de condução, podendo ser utilizado tanto no Eco, que, como o nome indica, “segura” mais o carro em favor da autonomia; no Normal, que fica no meio-termo entre economia e agilidade; e no Sport, onde a brincadeira fica realmente divertida.
Detalhes: tal como um Toyota Etios ou Fiat Uno, o Dolphin Mini só tem um braço de limpador
Mas, apesar de ágil em baixas velocidades, ele sofre acima dos 80 km/h. A velocidade máxima é limitada a 130 km/h, segundo a BYD, mas no modo Eco chega apenas aos 100 km/h e, mesmo no Sport, demora para ultrapassar esse número
O desempenho é suficiente para deslocamentos rápidos em rodovias entre cidades ou em vias expressas urbanas, mas não muito além disso. E, como mencionado anteriormente, trata-se de uma característica comum em carros dessa categoria, um ponto importante a ser considerado na hora da compra.
Retrovisores contam com câmeras
Ajuda também o fato de o Dolphin Mini oferecer ajustes tanto para o volante — de profundidade e de altura — quanto para o banco do motorista, que é elétrico, item praticamente alienígena nessa faixa de preço. Incomum também é o bom acabamento, ainda que simples, mas com faixas em couro no painel, além de itens como carregador por indução, limitador de velocidade, ar-condicionado com acionamento pela central multimídia e faróis automáticos.
Banco do motorista tem ajustes elétricos
Nacional chegando nas lojas
Custando agora R$ 119.990, o Dolphin Mini GS 2026 ficou mais acessível — uma redução de R$ 2.810 em relação aos R$ 122.800 cobrados anteriormente, o que representa queda de aproximadamente 2,3% no preço. Mais equipado e muito melhor de dirigir, ele continua sendo a principal opção de elétrico nessa faixa de valor, especialmente com o já anunciado início das atividades da fábrica da BYD em Camaçari (BA), onde começou a ser montado e distribuído. Ainda assim, não é um carro para todo mundo.
Ele ainda custa consideravelmente mais do que o Renault Kwid E-Tech, que foi renovado para a linha 2026 e ganhou mais segurança ao contar com sistemas de assistência ADAS, mas manteve o preço de R$ 99.990. Sim, ele perde por não trazer cinco lugares, mas, para uma faixa de preço que é muito sensível a qualquer valor adicional, pode fazer diferença.
Também vale considerar se há formas de carregá-lo em seu deslocamento diário. Se o interessado ou interessada na compra for um usuário de primeira viagem em carros elétricos, deve ficar atento à rede de carregamento próxima de sua residência ou trabalho. É uma realidade bem mais positiva em regiões como o Sudeste, mas ainda precária em outras, como o Norte.
Se considerarmos apenas o número de vendas atuais, isso não parece ser um grande problema, mas é sempre importante lembrar que as limitações ainda existem — e talvez seja necessário se acostumar com elas.
BYD Dolphin Mini EV
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