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BMW i3 Neue Klasse pode ser mais importante que o iX3; entenda por quê

Série 3 elétrico baseado na Neue Klasse assume papel central na estratégia da BMW para a nova fase

BMW i3
Foto de: BMW

A BMW abre o comunicado do novo i3 totalmente elétrico chamando o Série 3 de “a essência” da marca. E isso faz sentido. Trata-se de um nome com mais de cinco décadas de história e que ainda define o que é a BMW hoje, mesmo com cada vez mais consumidores deixando os sedãs baixos de lado e migrando para SUVs maiores.

Por isso, ainda que o SUV iX3 provavelmente seja mais lucrativo e até mais popular, o i3 é, na minha visão, um modelo muito mais importante para o futuro da marca.

O Série 3 foi o modelo mais vendido da BMW no mundo em 2025, embora nos Estados Unidos tenha sido superado pelo já onipresente X3. Mesmo que o X3 ou outro modelo mais alto ultrapasse o Série 3 globalmente, esse sedã executivo compacto continuará sendo o modelo que define a marca como um todo. Uma empresa que se posiciona como fabricante do “prazer de dirigir definitivo” não pode ter um SUV como seu produto central.

A BMW precisa de um sedã ágil para carregar esse papel. E, na era elétrica, ela ainda não tinha boas opções até agora. A marca poderia ter tentado oferecer no Ocidente o i3 sedã (G28) vendido na China. Provavelmente teria um desempenho comercial razoável, mas, por ser um carro derivado de um modelo a combustão, traz compromissos e limitações.

Esse modelo até poderia funcionar como solução regional, mas nunca foi o tipo de Série 3 elétrico desenvolvido do zero que a BMW precisava lançar globalmente e fazer sucesso em seus mercados tradicionais. O i4, na Europa e nos Estados Unidos, sofre do mesmo problema. Ele usa uma plataforma compartilhada com carros a combustão, oferecendo bom comportamento dinâmico, mas sem especificações de referência. Talvez por isso a BMW nunca tenha usado o nome “Série 3” para ele no Ocidente, apesar da carroceria de quatro portas.

BMW i3 (2026)
Foto de: BMW

Agora que o primeiro Série 3 elétrico dedicado foi revelado, fica claro por que a BMW decidiu esperar. Seu design presta homenagem à primeira geração de modelos Neue Klasse. Esses carros, lançados nos anos 1960, ajudaram a definir o que a BMW se tornou hoje.

O novo i3 utiliza uma plataforma totalmente inédita, que dará base aos modelos batizados novamente de “Neue Klasse”, pensados para marcar mais uma nova fase na história da marca. E essa nova era começa com números e tecnologias de ponta.

O i3 é um elétrico de 800 volts, o que permite recarga a até 400 kW e a adição de cerca de 400 km de autonomia (ciclo WLTP) em apenas 10 minutos. A autonomia total pode chegar a até 900 km no ciclo WLTP, ou cerca de 710 km no ciclo EPA, mais rigoroso.

BMW i3 (2026)
Foto de: BMW

Com uma condução cuidadosa, não deve ser difícil superar os números do ciclo EPA no uso real. A própria BMW já demonstrou que seus elétricos da Neue Klasse podem rodar mais do que o anunciado ao percorrer 1.007 km com um iX3 e ainda manter cerca de 20 km de autonomia restante, ainda que em condições controladas.

O i3, sendo mais aerodinâmico e leve, tende a ir ainda melhor nesse aspecto, e a versão com um único motor e bateria maior pode até se aproximar de 1.000 km no ciclo WLTP.

A BMW ainda não confirmou isso oficialmente, mas o i3 deve ter uma bateria de capacidade semelhante à do iX3, que conta com 108,7 kWh. Como ambos têm o mesmo entre-eixos, faz sentido compartilhar o conjunto, e a autonomia elevada certamente está ligada a um pacote de bateria bastante grande.

BMW i3 (2026)
Foto de: BMW

Tudo isso é relevante, mas o que vai realmente definir o sucesso do i3 é como ele se comporta ao volante. A BMW afirma que o modelo “estabelece novos padrões” em dinâmica e desempenho graças ao computador chamado Heart of Joy, responsável por controlar a entrega de potência e o comportamento do carro.

Atualmente, estou dirigindo um iX3 com esse mesmo sistema, e ele é impressionante em vários aspectos. É possível perceber respostas mais rápidas e precisas dos controles de tração e estabilidade, além de uma suavidade no conjunto que diferencia o modelo dos elétricos anteriores da marca.

Segundo a BMW, os sistemas da Neue Klasse reagem até 10 vezes mais rápido que antes, tornando a condução mais fluida e natural, mesmo em um SUV mais alto como o iX3. Minha avaliação completa do modelo virá em breve, mas mesmo após um dia de uso já há muitos pontos positivos. Isso aumenta a expectativa para o sedã, especialmente com a chegada de novas versões.

BMW iX3 de 2026

BMW iX3 Neue Klasse, já confirmado para lançamento no Brasil

 

Foto de: BMW

A versão i3 50 xDrive com dois motores é apenas o começo. A BMW pretende adicionar variantes com um a quatro motores, cobrindo desde foco em eficiência nas versões de tração traseira até propostas extremas nas versões M. O fato de a marca preparar um verdadeiro i3 M de alto desempenho mostra o compromisso em fazer do modelo um sucessor digno dentro da linhagem do Série 3.

O que você pensa sobre isso?

Tão importante quanto isso, o i3 mostra que a BMW está disposta a tornar seu sedã elétrico mais icônico algo distinto, e não apenas competente. O fato de seu visual dividir opiniões já indica que ele é um BMW de verdade. Tirando a traseira um pouco mais alta, não há nada realmente problemático, e a tendência é que o design envelheça bem, como costuma acontecer com modelos da marca.

Galeria: BMW i3 (2026)

O iX3 pode até ser o primeiro modelo da Neue Klasse, mas é o i3 que carrega o maior peso. A BMW pode ter iniciado essa nova fase com um SUV elétrico, mas transformar o Série 3 em um elétrico desejável, sem perder o que sempre definiu o modelo, é o verdadeiro teste. Agora, resta saber se a marca alemã vai conseguir cumprir essa missão.

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