Nissan prepara nova plataforma de elétricos com foco em SUVs e picape
Nova arquitetura sustentará até cinco modelos, incluindo uma picape leve
A Nissan está preparando um novo ciclo de veículos elétricos com base em uma plataforma inédita, projetada para sustentar uma gama mais ampla de modelos. A arquitetura será lançada com foco inicial em SUVs, mas há planos para a inclusão de sedãs e até uma picape compacta elétrica. A previsão é que o primeiro veículo baseado nessa plataforma chegue ao mercado em 2028, com produção nos Estados Unidos.
Segundo Ponz Pandikuthira, vice-presidente de planejamento de produto da Nissan nas Américas, a nova base será voltada a segmentos compactos e adjacentes. O objetivo é oferecer veículos mais acessíveis e eficientes, tanto do ponto de vista energético quanto de custo. A plataforma acomodará os novos motores elétricos da Nissan e será combinada com baterias de íons de lítio mais baratas, prometendo tempos de recarga mais rápidos do que os modelos atuais.
Além da flexibilidade técnica, a capacidade de produção da marca nos Estados Unidos abre espaço para possíveis parcerias com outros fabricantes, visando à redução de custos e à ampliação da escala de produção. Essa abordagem estratégica ganha ainda mais relevância diante de medidas tarifárias recentes, como a taxação de 25% sobre certos veículos importados para o mercado norte-americano.
Inicialmente, a Nissan pretendia lançar dois sedãs elétricos com essa nova plataforma, substituindo os modelos Maxima e Altima. No entanto, com a mudança nas preferências do mercado, a empresa optou por estrear a arquitetura em dois crossovers — um da própria Nissan e outro da Infiniti. Ambos serão fabricados na planta da marca em Canton, Mississippi. A versão da Nissan deve adotar um design mais robusto, inspirado no antigo Xterra, enquanto o modelo Infiniti seguirá uma proposta de estilo mais refinado.
Galeria: Nissan Surf-Out concept
Apesar de os sedãs estarem fora do plano inicial de lançamento, eles ainda fazem parte do escopo possível da plataforma. No entanto, a Nissan reconhece as dificuldades para viabilizar um sedã elétrico acessível. Por outro lado, sedãs premium com preços acima de US$ 45 mil não se alinham à proposta da marca Nissan, que busca se manter em segmentos mais populares. Dessa forma, o atual Altima pode continuar em produção até 2027, mesmo com previsão anterior de descontinuação em 2024.
Outro ponto de destaque é a possibilidade de uma picape elétrica compacta. Embora o projeto ainda não tenha sido aprovado, ele está em análise dentro da companhia. A ideia é desenvolver uma picape com construção monobloco, mirando um público interessado em veículos de estilo aventureiro, mas que também valorizam preocupações ambientais. Segundo Pandikuthira, trata-se de um nicho em crescimento, ainda que não represente, por ora, um volume alto de vendas.
Nissan N7 na China
A plataforma, portanto, poderá dar origem a até cinco novos modelos, incluindo crossovers, sedãs e uma picape leve. A estratégia reforça o retorno da Nissan ao segmento de veículos elétricos com uma abordagem mais abrangente e flexível, adaptada às novas demandas de consumidores e às exigências dos principais mercados globais.
Com a produção localizada nos Estados Unidos, a empresa também pretende mitigar riscos relacionados a tarifas de importação, além de se posicionar de forma mais competitiva em relação a rivais que já vêm consolidando suas linhas de veículos elétricos na região. A expectativa é que o avanço da eletrificação na linha da Nissan se intensifique a partir do final desta década, com lançamentos previstos até 2030.
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