Xiaomi enfrenta queda nas vendas do SU7 após polêmicas com clientes
Crise de imagem e reclamações técnicas afetam desempenho comercial do modelo
As vendas dos carros elétricos da Xiaomi caíram por três semanas seguidas na China, de acordo com dados de registros de seguros da Associação de Concessionários de Automóveis do país. Entre as semanas 16 e 19 de 2025, o total de unidades vendidas dos modelos SU7 e SU7 Ultra recuou de 7.200 para 5.200. No caso do SU7 padrão, a queda foi de 6.700 para 4.700 unidades no mesmo intervalo.
A retração ocorre no momento que o fundador da Xiaomi, Lei Jun, classificou como “o período mais difícil desde a fundação da empresa”, em publicação feita no dia 10 de maio na rede social Weibo.
Galeria: Xiaomi Store Shanghai
A crise de confiança enfrentada pela divisão automotiva da marca tem origem em uma série de controvérsias técnicas e comerciais. Uma delas envolve o capô de fibra de carbono do SU7 Ultra, vendido como opcional por 42 mil yuans (aproximadamente R$ 32.886). A peça foi divulgada como equipada com dutos de ar para refrigeração dos freios, o que não se confirmou. Além disso, o ganho de desempenho é mínimo, com redução de apenas 1,3 kg no peso total, sem melhoria no resfriamento em comparação ao capô de alumínio.
Outro fator de insatisfação entre os consumidores foi a limitação de potência imposta por uma atualização OTA (over-the-air) no mês de maio. A alteração reduziu temporariamente a potência máxima do SU7 Ultra de 1.548 para 900 cv, exigindo que o condutor atingisse metas específicas em pista para liberar a potência total. A mudança contraria o discurso inicial da marca, que promovia o modelo como o “carro de produção de quatro portas mais rápido do mundo”, com velocidade máxima de 350 km/h.
Além dos problemas técnicos, acidentes envolvendo o SU7 Ultra também levantaram preocupações. O caso mais recente ocorreu no final de março, quando uma unidade amarela do modelo colidiu em alta velocidade, seguido por outro acidente grave em rodovia. As ocorrências colocaram o foco nas questões de segurança do veículo.
As controvérsias geraram forte reação dos consumidores. Mais de 30 compradores protestaram em um centro de entregas em Pequim, acusando a empresa de propaganda enganosa. Grupos com mais de 300 proprietários foram formados para exigir reembolso com compensação tripla, e ações judiciais coletivas começaram a ser movidas.
Cerca de metade dos donos do SU7 Ultra são compradores de primeira viagem de veículos acima de 500 mil yuans (cerca de R$ 394.965), grupo que tende a valorizar fortemente as promessas de desempenho feitas durante o marketing do produto.
Em resposta, a Xiaomi pediu desculpas publicamente e suspendeu a atualização que limitava a potência do carro, oferecendo como compensação 20 mil pontos no sistema de fidelidade. No entanto, muitos consumidores continuam insatisfeitos e exigem reembolso integral sem penalidades.
As falhas da Xiaomi também levaram a ações regulatórias mais amplas no setor de veículos elétricos na China. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação emitiu novas regras de segurança para baterias em abril, restringiu o uso de termos ligados à condução autônoma e passou a revisar padrões para maçanetas de portas em maio.
Especialistas apontam que o caso da Xiaomi evidencia um problema recorrente na indústria de veículos elétricos: o excesso de ênfase no marketing em detrimento da tecnologia e da transparência.
Fonte: CarNewsChina
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Carros ficaram 395 kg mais pesados em 12 anos. Culpa dos eletrificados?
Nissan promete bateria sólida mais barata para carros elétricos em 2028
Quase 40% dos eletrificados vendidos já são produzidos no Brasil
Hatches elétricos: de nicho a um dos segmentos mais disputados no Brasil
Geely EX2 tem produção confirmada no Brasil após sucesso de vendas
Novo motor chinês promete mais potência com menos peso para carros elétricos
Carros elétricos ficam mais caros na China, mas Brasil vive fase oposta