Venda de carros elétricos com extensor de autonomia dispara na China
Elétricos com motores auxiliares a gasolina são agora o tipo de trem de força que mais cresce no mundo
A BloombergNEF revisou para baixo suas projeções globais de adoção de carros elétricos, especialmente devido à desaceleração do mercado dos Estados Unidos. Mas, ao mesmo tempo, novas tendências começam a se destacar — entre elas, o avanço dos veículos elétricos de autonomia estendida, conhecidos como EREVs.
Esse tipo de veículo funciona principalmente com energia elétrica da bateria, mas conta com um gerador a combustão como reserva. Os EREVs não são exatamente uma novidade — o Chevrolet Volt, por exemplo, já utilizava esse conceito —, mas uma nova geração desses modelos está ganhando força, sobretudo na China.
Mazda EX-60 EREV
De acordo com o relatório Electric Vehicle Outlook 2025, da BloombergNEF, os EREVs são hoje a motorização eletrificada com crescimento mais rápido no mundo, impulsionada principalmente pela alta demanda chinesa. Eles funcionam como híbridos que priorizam o uso do motor elétrico: as rodas são sempre movimentadas por motores elétricos, e a bateria pode ser carregada em tomadas como nos elétricos puros. O motor a combustão entra apenas como gerador, funcionando em rotações ideais para alimentar a bateria.
Isso permite tanto recarregar o carro na rede elétrica quanto abastecê-lo com gasolina, como um híbrido plug-in. A diferença é que o EREV é projetado para rodar preferencialmente com eletricidade.
Extensor de alcance elétrico ZF e extensor de alcance Plus
Na China, as vendas de EREVs cresceram 83% em 2024, alcançando 1,2 milhão de unidades. Eles ainda ficam atrás dos híbridos plug-in (3,4 milhões) e dos elétricos puros (6,3 milhões), mas já se consolidam como alternativa para quem ainda não está pronto para migrar totalmente para os carros 100% elétricos. Os EREVs permitem que o motorista percorra a maior parte dos trajetos sem emissões pelo escapamento e contam com uma “rede de segurança” para quando não houver pontos de recarga por perto — algo raro na China, que tem mais estações de recarga pública do que postos de combustível.
O relatório aponta que, em média, os EREVs vendidos na China em 2024 tinham bateria de 39 kWh, alcance elétrico de 170 km e operavam em modo totalmente elétrico por mais de 70% do tempo. A BloombergNEF prevê que a participação de mercado dos EREVs ultrapasse a dos híbridos plug-in na China até o fim da década. Esse avanço pode servir de modelo para outras regiões com adoção mais lenta de elétricos, como os Estados Unidos.
Horse Powertrain apresenta novo conceito de motor híbrido
Pesquisas indicam que, uma vez que os consumidores fazem a transição para um veículo totalmente elétrico, dificilmente voltam ao motor a combustão. Ainda assim, o entusiasmo com os EVs caiu nos EUA em 2024, em meio a iniciativas legislativas que enfraquecem políticas climáticas criadas durante o governo Biden. Nem mesmo Elon Musk, antes próximo do presidente, conseguiu reverter esse cenário.
Apesar de os EREVs ainda não serem populares nos EUA, há diversos modelos em desenvolvimento. A Stellantis adiou o lançamento da Ram 1500 REV totalmente elétrica para dar prioridade à Ram 1500 Ramcharger, uma picape EREV. A Nissan, que não oferece nenhum híbrido nos EUA, prometeu lançar EREVs como parte do seu plano de recuperação. Já a Scout Motors vai oferecer SUVs e picapes EREVs ao lado de modelos 100% elétricos a partir de 2026.
Leapmotor C10 também terá versão com extensor de alcance
O CEO da Ford, Jim Farley, chegou a afirmar que picapes elétricas puras enfrentam desafios econômicos “insolúveis” devido ao peso e custo das baterias. Por isso, a empresa agora considera os EREVs como uma ponte necessária, especialmente diante da preferência dos americanos por SUVs e picapes grandes.
Vale lembrar que os EREVs não devem ser vistos como solução definitiva para os problemas climáticos. Ainda não está claro como o público em geral vai reagir a essa tecnologia — mesmo que ela tenha surgido justamente para resolver os obstáculos à eletrificação total.
Mas há uma vantagem evidente: os EREVs permitem rodar principalmente com eletricidade, e com o avanço da infraestrutura de recarga, é provável que os motoristas passem a utilizá-la com mais frequência. Se eles perceberem que quase não usam o gerador a gasolina, podem acabar optando por um elétrico puro no futuro. Nesse caso, os EREVs terão cumprido seu papel como elo de transição para um mercado automotivo sem combustíveis fósseis.
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