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Entenda como o imposto sobre CKD e SKD afeta os elétricos no Brasil

Antecipação do imposto de 35% para elétricos e híbridos desmontados impõe desafios ao setor

BYD Group inicia testes de fabricação no Brasil
Foto de: Motor1 Brasil

O mercado de carros elétricos e híbridos no Brasil está prestes a encarar um novo desafio: a antecipação da cobrança de imposto de importação para kits CKD (completely knocked down) e SKD (semi knocked down) que são conjuntos de peças importadas usados para montar veículos em território nacional. A mudança, válida a partir de 2027, pode comprometer estratégias de diversas montadoras — especialmente as chinesas — que apostam na montagem local como forma de reduzir custos e viabilizar seus modelos no país.

O que muda com o novo imposto

Atualmente, empresas que montam carros no Brasil a partir de kits CKD contam com isenções fiscais e regime aduaneiro especial, o que reduz o custo final dos veículos. No entanto, com a publicação da Resolução Gecex nº 583/2025, que trata da nova política de imposto para eletrificados, está previsto que o benefício fiscal para operações CKD será gradualmente eliminado a partir de 2027, dois anos antes do cronograma inicialmente previsto.

Isso significa que veículos elétricos e híbridos montados localmente com peças importadas passarão a ter uma tributação mais alta, o que pode elevar seus preços e até mesmo inviabilizar projetos que ainda estavam em fase de planejamento.

Galeria: BYD inicia testes de produção no Brasil

Quem será mais impactado?

Entre as empresas mais expostas às mudanças está à BYD, que se prepara para iniciar nas próximas semanas a montagem em SKD dos modelos Dolphin Mini, Song Pro e King na fábrica de Camaçari (BA). A antecipação do imposto pode acelerar o passo na nacionalização de seus modelos. A Leapmotor, parceira da Stellantis, iniciará suas operações em breve e também pretende iniciar a produção local em algum momento, embora não esteja claro em qual regime isso será feito. Outra novata, a GAC, também afirmou que fará a produção local. 

Outro caso emblemático é o da GWM, que começa nos próximos dias a produção do Haval H6 em Iracemápolis (SP), mas opera sob um regime distinto do CKD tradicional. A empresa está inscrita no programa MOVER e não adota o modelo SKD, o que a protege de impactos imediatos com a antecipação do imposto. Dessa forma, o custo do modelo híbrido mais vendido do Brasil não deve ser diretamente afetado.

GAC ES (5)
Foto de: GAC

Concorrência nacional e equilíbrio de incentivos

A medida visa, segundo o governo, criar isonomia entre empresas que produzem localmente com maior índice de nacionalização e aquelas que apenas montam veículos com peças importadas. Montadoras como Stellantis e Volkswagen, por exemplo, defendem a taxação como uma forma de proteger o conteúdo local e estimular investimentos reais na cadeia produtiva.

Por outro lado, críticos apontam que a mudança de regras com prazos curtos pode afugentar investimentos ou até reduzir a oferta de modelos elétricos acessíveis, já que boa parte das marcas novas depende do CKD para começar operações até que a operação cresça e permita ampliar gradativamente o nível de nacionalização.

O que você pensa sobre isso?

Efeito nos preços e no consumidor final

Com margens ainda estreitas no segmento de carros elétricos, qualquer aumento de custo tende a ser repassado ao consumidor. Isso pode frear a atual tendência de queda nos preços dos modelos eletrificados e dificultar o acesso a essas tecnologias justamente no momento em que o mercado começava a se consolidar com modelos abaixo de R$ 180 mil.

Ao mesmo tempo, a antecipação do imposto pode ser um incentivo para que as marcas acelerem a construção de fábricas e parcerias locais, o que tende a beneficiar a indústria no médio e longo prazo. O desafio é manter a oferta durante essa transição, que não é um processo simples. 


Como o novo imposto para CKD/SKD impacta os carros elétricos no Brasil?

1. O que é CKD e por que é importante para os carros elétricos?

CKD (completely knocked down) é um sistema de importação de veículos em partes, que são montadas localmente. Isso reduz impostos e facilita a entrada de novas marcas no país, sendo estratégico para a expansão dos elétricos.

2. Por que o governo decidiu antecipar o imposto sobre CKD?

Segundo o governo, a medida busca garantir isonomia entre empresas que fabricam veículos com peças nacionais e as que apenas montam com peças importadas.

3. A mudança afeta o consumidor final?

Sim. O custo mais alto com impostos pode ser repassado para o preço final dos veículos, especialmente os mais baratos.

5. Haverá menos modelos elétricos à venda no Brasil?

É possível que haja uma redução momentânea na oferta, mas o efeito depende de como as montadoras vão reagir e acelerar seus investimentos locais. 

4. O que é o regime SKD?

SKD (Semi Knocked Down) é um regime onde o veículo vem parcialmente montado, exigindo menos etapas de montagem local.

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