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8 em cada 10 carros eletrificados vendidos no Brasil vão na tomada

Dados da ABVE mostram que BEVs e PHEVs já são 77,5% do segmento de eletrificados

BYD Dolphin Plus - recarga (3)

A escolha do consumidor brasileiro por carros eletrificados atingiu um novo patamar de maturidade. Dados da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE) mostram que os veículos que dependem de uma tomada para funcionar – os híbridos plug-in (PHEV), que usam eletricidade parcialmente, e os elétricos puros (BEV), totalmente dependentes da recarga – já representam a maioria no mercado de eletrificados.

Em agosto de 2025, essas tecnologias de propulsão representaram 77,5% das vendas do segmento, totalizando 15.681 unidades. O dado mostra que o brasileiro que opta por um carro mais eficiente cada vez menos tem receio do plugue e compreende as vantagens de recarregar a bateria em casa ou em carregadores públicos, ainda que haja limitações em muitas regiões do país. 

song plus jac ejs1 e byd na recarga
Foto de: InsideEVs Brasil

Dentro do segmento de eletrificados, dos 20.222 veículos leves vendidos em agosto, 7.624 foram BEVs e 8.057 PHEVs. Considerando o mercado total de automóveis e comerciais leves, que somou 214.490 unidades no mês, os plug-ins já representam 7,3% de todas as vendas, com os BEVs respondendo sozinhos por 3,6%. 

A hegemonia entre os elétricos puros é clara: a BYD emplacou 5.649 unidades em agosto, garantindo 74% do mercado BEV, com modelos como Dolphin Mini, Dolphin e Yuan Pro ajudando a popularizar o conceito de carro elétrico no Brasil. Entre os híbridos plug-in, a disputa é maior. A GWM se destaca com o Haval H6 PHEV, cuja versão plug-in representou 53% das vendas do SUV. A BYD mantém presença com as linhas Song Pro e Song Plus PHEV, enquanto marcas premium como Volvo e BMW reforçam o segmento com modelos mais caros e refinados. 

Renault Kwid E-Tech - recarga

Esse domínio dos plug-ins não é exclusividade do mercado nacional e acompanha uma tendência global. Em mercados maduros, como China e Europa, BEVs e PHEVs sustentam a transição energética, enquanto os híbridos simples (HEV) ainda funcionam como tecnologia de transição. No Brasil, embora com atraso em relação a esses mercados, a mesma trajetória se repete, impulsionada pela presença crescente de montadoras chinesas e pela familiaridade do consumidor com a recarga elétrica.

Enquanto os plug-ins avançam, os HEVs representaram 22,5% do mercado de eletrificados, totalizando 4.541 unidades. Ainda concentrados em Toyota e alguns modelos da CAOA Chery, eles são escolhidos por quem busca eficiência sem depender de infraestrutura de recarga. Os micro-híbridos (MHEV), por sua vez, somaram 5.075 unidades e não são considerados eletrificados pela ABVE, pois não há propulsão elétrica em nenhum momento, com participação em queda de 17% em relação a julho.

Galeria: BYD Dolphin Plus - recarga

Entre os modelos que puxam o segmento plug-in, destacam-se o BYD Dolphin Mini, líder absoluto entre os BEVs; o GWM Haval H6 PHEV, campeão entre os híbridos plug-in; o BYD Song Plus / Song Pro e o Volvo EX30, referência de vendas no segmento premium.

Ainda que os híbridos leves (MHEV), sobretudo da Fiat, tenham ganhado espaço por conta de sua faixa de preços mais baixa, a expectativa é que o número de vendas dos plug-ins continue crescendo com a expansão da oferta de modelos e da infraestrutura de recarga, enquanto HEVs manterão um nicho relevante. Segundo a ABVE, as vendas de eletrificados devem alcançar pelo menos 200 mil unidades em 2025, impulsionadas principalmente por BEVs e PHEVs.

A consolidação dos eletrificados plug-in reflete não apenas a maturidade do mercado brasileiro, mas também a convergência com a tendência global de eletrificação. Embora ainda vejamos lançamentos de MHEVs e HEVs nos segmentos mais acessíveis, o futuro dos carros eletrificados no Brasil passa, cada vez mais, por um cabo de recarga, mostrando que o consumidor brasileiro está pronto para um mercado onde o plug-in é rei.

Glossário Rápido

  • BEV: 100% elétrico, recarregável na tomada.
  • PHEV: híbrido plug-in, pode rodar alguns quilômetros apenas no elétrico.
  • HEV: híbrido convencional, sem recarga externa, bateria carregada pelo motor e frenagem regenerativa.
  • MHEV: micro-híbrido, motor elétrico auxiliar que aumenta levemente a eficiência.

Fontes: ABVE (Associação Brasileira de Veículos Elétricos) e Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).