Stellantis prepara nova geração de elétricos com plataforma de 800 V
STLA One estreia em 2027 com baterias LFP, recarga ultrarrápida e meta de reduzir custos dos futuros EVs
A Stellantis revelou nesta quinta-feira (21) a STLA One, uma nova arquitetura global que servirá de base para a próxima geração de veículos do grupo, incluindo carros elétricos, híbridos e modelos a combustão. Prevista para estrear em 2027, a plataforma promete reduzir custos, acelerar o desenvolvimento de produtos e incorporar tecnologias hoje associadas aos EVs mais avançados do mercado.
A STLA One representa uma reorganização industrial dentro do conglomerado dono de marcas como Peugeot, Citroën, Fiat, Jeep, Ram e Opel. A proposta é substituir cinco plataformas diferentes por uma arquitetura modular única, capaz de atender veículos dos segmentos B, C e D, com maior compartilhamento de componentes e menor complexidade de produção.
Para o universo dos carros elétricos, a nova plataforma traz mudanças importantes. A STLA One será compatível com arquitetura elétrica de 800 volts, tecnologia que permite tempos de recarga mais rápidos e maior eficiência energética. Hoje, esse sistema já é utilizado por fabricantes como Hyundai, Kia, Porsche e BYD, sobretudo em modelos de maior valor agregado.
Outro ponto importante é a ampliação do uso de baterias LFP (lítio-ferro-fosfato), solução vista como estratégica para reduzir custos e diminuir a dependência de matérias-primas críticas. Embora normalmente ofereçam menor densidade energética em comparação às baterias NCM, as células LFP tendem a ser mais baratas, duráveis e estáveis, o que favorece a popularização dos carros elétricos.
A Stellantis também confirmou que a STLA One utilizará tecnologia “cell-to-body”, uma abordagem em que a bateria passa a integrar diretamente a estrutura do veículo. Na prática, isso ajuda a reduzir peso, simplificar a construção e melhorar a eficiência geral do conjunto. O conceito segue uma tendência adotada por fabricantes como Tesla e montadoras chinesas como a BYD, que buscam extrair mais autonomia sem necessariamente ampliar o tamanho das baterias.
Plataforma quer reduzir custos e acelerar lançamentos
Segundo a empresa, a nova arquitetura foi projetada para reduzir os custos em até 20%, impulsionada pela modularidade e pela adoção de novas soluções de baterias. A expectativa é que a simplificação produtiva permita reduzir tempo de desenvolvimento, aumentar a escala global e melhorar a competitividade da Stellantis diante do avanço dos rivais chineses e da pressão crescente no mercado europeu de elétricos.
A plataforma também será a primeira do grupo preparada para integrar o pacote tecnológico STLA Brain, STLA SmartCockpit e sistema steer-by-wire, no qual a direção eletrônica dispensa conexão mecânica convencional entre volante e rodas. A promessa é permitir atualizações mais rápidas de software e maior personalização para as diferentes marcas do conglomerado.
A ambição da Stellantis é grande. A STLA One foi projetada para sustentar mais de 30 modelos globalmente e superar 2 milhões de unidades produzidas até 2035. Até o fim da década, o grupo pretende concentrar metade de sua produção mundial em apenas três plataformas globais, reutilizando até 70% dos componentes entre diferentes veículos.
Na prática, a STLA One pode se tornar a espinha dorsal de uma nova geração de carros da Stellantis, incluindo futuros elétricos de marcas com forte presença no Brasil, como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën. Ainda não há confirmação sobre quais modelos serão os primeiros a adotar a nova arquitetura.
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Volvo acelera renovação e prepara 12 carros novos até 2030
Teste Chevrolet Captiva EV: 60 kWh, LFP e o papel do elétrico montado no Brasil
Na China, 9 dos 10 carros mais vendidos já são elétricos
BYD ETT 44: cavalo mecânico com recarga em megawatt e autonomia de 600 km
Chevrolet Joy elétrico pode ter produção brasileira
Geely desafia BYD com carregador de 2.250 kW, mais potente do mundo
Stellantis prepara carro elétrico barato para rivalizar com BYD