Brasil ainda não conhece o verdadeiro premium chinês, diz executivo da BAIC
COO da BAIC no país, Oswaldo Ramos diz que o Brasil ainda conhece pouco do luxo automotivo chinês
As montadoras chinesas já mudaram o mercado brasileiro de eletrificados, mas, para Oswaldo Ramos, o consumidor local ainda viu apenas uma pequena amostra do que a China é capaz de oferecer no segmento premium.
Durante participação no e-Days 2026, realizado na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, o executivo - que comandará a operação brasileira da BAIC como COO - afirmou que o chamado premium chinês ainda está longe de ser plenamente compreendido fora da China.
“A gente não tem ideia do que é o premium chinês”, afirmou.
A declaração chama atenção porque parte do mercado já passou a enxergar os chineses como concorrentes reais também em faixas de preço mais altas. Para Ramos, porém, o que chegou ao Brasil até agora ainda representa uma fase inicial dessa transformação - uma primeira onda marcada por carros competitivos em preço, bem equipados e com forte apelo tecnológico, mas que ainda não traduz completamente o que as fabricantes chinesas já oferecem em seu mercado doméstico.
Segundo ele, o salto mais impressionante está em uma nova geração de produtos desenvolvidos para disputar espaço diretamente com referências globais de luxo, especialmente alemãs.
BAIC BJ40 EREV
Ao comentar esse movimento, Ramos citou nominalmente marcas como Nio, Li Auto e fabricantes ligadas ao ecossistema da Huawei, além de mencionar produtos da própria órbita da BAIC, como a Arcfox e a Stelato, joint venture da montadora com a gigante de tecnologia chinesa.
“Quando você vê Nio, Li Auto, Huawei… você começa a entender o que é o premium chinês de verdade”, resumiu.
O diferencial, segundo essa nova escola chinesa, vai muito além de acabamento refinado ou cabine mais sofisticada. O que está em jogo é uma mudança estrutural no próprio conceito de carro premium, cada vez mais definido por software, eletrônica embarcada e capacidade computacional.
Em muitos casos, esses veículos já utilizam arquiteturas de 800 volts, múltiplos sensores LiDAR, chips de alta capacidade de processamento, suspensões ativas e sistemas avançados de assistência à condução. Em vez de depender fortemente de fornecedores tradicionais da indústria automotiva, várias marcas chinesas passaram a desenvolver internamente boa parte da arquitetura eletrônica e de software, movimento semelhante ao iniciado pela Tesla, mas em escala ainda maior.
Isso ajuda a explicar por que algumas montadoras chinesas deixaram de competir apenas por preço. Em vez de vender simplesmente “mais por menos”, muitas passaram a disputar mercado oferecendo tecnologias que, em certos aspectos, já rivalizam - ou até superam - soluções encontradas em fabricantes premium tradicionais.
Li Auto L9
Para Ramos, essa mudança ainda não foi totalmente assimilada pelo consumidor brasileiro, que por décadas associou carro chinês a produtos de baixo custo e posicionamento mais acessível. Essa percepção já mudou bastante em relação a dez anos atrás, mas ainda não acompanha a velocidade com que a indústria chinesa evoluiu.
“O que chegou aqui ainda é só a ponta do iceberg”, disse.
A observação ajuda a entender a própria chegada da BAIC ao Brasil. Embora o recente flagra do Arcfox T1 em testes indique uma ofensiva inicial no segmento de elétricos compactos, o portfólio global do grupo é bem mais amplo e inclui marcas voltadas a propostas muito mais sofisticadas.
Se a primeira fase da ofensiva chinesa no Brasil mostrou que essas fabricantes conseguiam construir carros competitivos e tecnologicamente avançados, a próxima pode representar algo ainda mais disruptivo: a consolidação da China também como referência em luxo automotivo.

RECOMENDADO PARA VOCÊ
Renault e Geely apostam em parceria global para acelerar expansão no Brasil
Volkswagen muda estratégia para elétricos baratos e soma 70 mil pedidos
Infraestrutura de recarga já acompanha crescimento dos elétricos, diz Tupi
GM avalia produzir baterias no Brasil; projeto prevê mais conteúdo nacional
ABVE projeta mercado entre 300 mil e 350 mil eletrificados em 2026
Kia lança inédito SUV elétrico barato com 15 anos de garantia
BorgWarner vê baterias LFP dominando mercado antes da chegada do sódio