BAIC vê carros com extensor de alcance (EREV) como próxima fase no Brasil
Oswaldo Ramos diz que tecnologia pode ganhar força no Brasil nos próximos anos
Em meio ao debate entre elétricos a bateria (BEV) e híbridos plug-in (PHEV), uma terceira arquitetura pode ganhar relevância nos próximos anos no mercado brasileiro: os veículos com extensor de alcance, também conhecidos pela sigla EREV (Extended Range Electric Vehicle).
A avaliação é de Oswaldo Ramos, que comandará a operação brasileira da BAIC como COO. Durante participação no e-Days 2026, realizado na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, o executivo apontou essa tecnologia como uma das próximas grandes tendências da eletrificação.
“A elite chinesa compra carro com extensor de autonomia”, afirmou.
Segundo Ramos, o avanço dessa arquitetura na China sugere que ela também pode encontrar espaço em mercados como o brasileiro, especialmente em um cenário em que a infraestrutura de recarga ainda se expande de forma desigual entre grandes centros e regiões mais afastadas.
“Essa é uma tecnologia que vai crescer muito”, disse.
Mas afinal, o que diferencia um EREV de outras tecnologias eletrificadas?
BAIC BJ40 EREV
Nos BEVs, toda a propulsão vem da bateria, que precisa ser recarregada externamente. Já nos PHEVs, tanto o motor elétrico quanto o motor a combustão podem movimentar diretamente as rodas.
Nos EREVs, por outro lado, a lógica é diferente: o carro é movido prioritariamente - ou até exclusivamente, dependendo da arquitetura - por motores elétricos. O motor a combustão não atua como principal fonte de tração; sua função é operar como um gerador, produzindo energia para recarregar a bateria quando necessário.
BAIC BJ40 EREV
Na prática, isso permite que o veículo preserve a experiência típica de condução de um elétrico, mas sem depender totalmente da recarga externa. Essa combinação ajuda a reduzir uma das principais barreiras à adoção de BEVs em mercados emergentes: a chamada ansiedade de autonomia.
Para o consumidor brasileiro, a proposta pode ser particularmente atraente. No uso urbano diário, o carro pode operar em modo elétrico durante dezenas ou até centenas de quilômetros. Em viagens mais longas, o gerador a combustão entra em ação para ampliar a autonomia total, que em alguns modelos já supera os 1.000 km.
O conceito já ganhou força entre fabricantes chineses, especialmente em segmentos de maior valor agregado. Marcas como Li Auto, Leapmotor, Aito e outras vêm apostando fortemente nesse tipo de solução.
No Brasil, a tecnologia ainda engatinha, mas pode ganhar relevância à medida que novas marcas chinesas ampliem sua presença por aqui.
A própria BAIC dá sinais de que pretende adotar uma abordagem multitecnologia em sua chegada ao país. Embora o recente flagra do Arcfox T1 em testes no Brasil indique uma ofensiva no segmento de elétricos compactos, o discurso de Ramos mostra que a estratégia local da montadora deve ir além dos veículos puramente elétricos.
Se os últimos anos marcaram a ascensão dos BEVs e, mais recentemente, dos híbridos plug-in, os EREVs podem representar o próximo capítulo da eletrificação, especialmente em mercados onde infraestrutura, custo e versatilidade ainda pesam tanto quanto eficiência energética.
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