China endurece regras para EREVs enquanto tecnologia chega ao Brasil
Nova norma eleva exigências para veículos com extensor de autonomia após avanço das vendas na China
A China atualizou as regras técnicas para veículos elétricos com extensor de autonomia (EREV), elevando os requisitos de desempenho, durabilidade e refinamento de uma tecnologia que começa a chegar ao mercado brasileiro. A nova norma entra em vigor em 1º de novembro de 2026 e surge após o segmento superar a marca de 1,2 milhão de unidades vendidas por ano no país asiático.
Lembrando que os EREVs utilizam um motor elétrico para movimentar as rodas, enquanto um motor a combustão funciona exclusivamente como gerador de energia para a bateria. O sistema permite rodar como um carro elétrico na maior parte do tempo, mas reduz a dependência de recargas em viagens mais longas.
Leapmotor no Salão do Automóvel
A regulamentação revisada, substitui um padrão adotado em 2017. A principal diferença está na criação de metas técnicas objetivas para diversos parâmetros do sistema, deixando para trás um conjunto de exigências mais genéricas que dava maior liberdade aos fabricantes.
Entre os novos critérios estão limites específicos para controle da potência gerada, além de testes voltados à compatibilidade eletromagnética, vibrações e ruído. Na prática, os fabricantes precisarão demonstrar não apenas eficiência energética, mas também níveis mais elevados de refinamento e integração eletrônica.
Outro ponto de destaque está na durabilidade. A norma passa a exigir ensaios equivalentes a cerca de 300 mil quilômetros de utilização em condições reais, incluindo cenários urbanos com frequentes ciclos de partida e desligamento do motor gerador.
Segundo participantes envolvidos na elaboração das regras, os parâmetros foram definidos a partir de dados coletados em veículos em circulação e de informações fornecidas por montadoras e fornecedores da cadeia automotiva chinesa. O objetivo é estabelecer uma base técnica comum para o setor e elevar o padrão dos sistemas disponíveis no mercado.
Galeria: GAC Aion i60 -EREV
A revisão acompanha a transformação dos EREVs dentro da própria indústria chinesa. O que surgiu inicialmente como uma solução para ampliar a autonomia dos primeiros elétricos evoluiu para uma categoria própria, presente em SUVs e sedãs de diferentes faixas de preço.
Fabricantes como Li Auto, Seres, Deepal e Leapmotor ampliaram suas linhas de produtos nos últimos anos, enquanto modelos mais sofisticados passaram a combinar longas autonomias elétricas, maior desempenho e sistemas eletrônicos cada vez mais complexos.
O Brasil começa a acompanhar esse movimento. A Leapmotor já vende localmente o C10 REEV, versão equipada com extensor de autonomia de seu SUV médio, que, por sinal, é a opção mais vendida do modelo, superando com folga a variante BEV. A GAC, por sua vez, prepara a chegada do i60 EREV, ampliando a oferta desse tipo de tecnologia no país.
A atualização das regras mostra que os veículos com extensor de autonomia deixaram de ser vistos na China como uma solução temporária entre híbridos e elétricos a bateria. Com vendas em ritmo acelerado e investimentos contínuos das montadoras, a categoria passa a ocupar um espaço cada vez maior dentro da estratégia de eletrificação do maior mercado automotivo do mundo.
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