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Firefly ganha bateria de 60 kWh e passa de 500 km de autonomia na China

Elétrico da Nio usa bateria NCM de 60 kWh, mantém dimensões do pacote antigo e permite atualização para proprietários atuais

Nio Firefly EV
Foto de: Nio
Fábio Trindade Fábio Trindade

Durante uma viagem recente à China, pude ver o Firefly de perto. A impressão que fica é a de um carro que faria falta por aqui: compacto, com espaço interno surpreendente e um visual que não se parece com nada que a Nio ou qualquer outra marca chinesa vende hoje no Brasil. O porte lembra o do Geely EX2, mas a proposta estética é bem mais ousada.

Agora o carro ganhou um motivo a mais para chamar atenção: uma bateria de 60 kWh que leva a autonomia declarada a 560 km no ciclo chinês CLTC, ante os 420 km da versão original de 42 kWh. A novidade chegou às vendas na China em 23 de outubro e também pode ser instalada em carros já entregues.

Galeria: Nio Firefly EV

Firefly com bateria de 60 kWh chega a 560 km no ciclo CLTC

A nova bateria usa células de química NCM (níquel-manganês-cobalto), diferente das células de lítio-ferro-fosfato da versão de 42 kWh, e mantém as mesmas dimensões do pacote anterior. Segundo a Nio, o pacote passa por 14 testes de segurança que superam as exigências regulatórias chinesas.

O módulo de bateria foi projetado para acomodar capacidades diferentes sem mudar a arquitetura do carro. É assim que a Firefly oferece mais alcance sem redesenhar o veículo. Vale lembrar que o CLTC é um ciclo de homologação mais otimista que o WLTP europeu ou o EPA americano, então a autonomia real tende a ficar abaixo dos 560 km anunciados, variando com velocidade, temperatura e estilo de condução.

Por enquanto a oferta está restrita à China. A Firefly emplacou 7.738 unidades em outubro, o segundo recorde mensal seguido da marca, mesmo em um mês de queda nas entregas totais da Nio.

Visual que foge do padrão e porte de compacto urbano

O que mais chama atenção no Firefly, vendo ao vivo, é como ele se distancia do desenho genérico que domina boa parte dos elétricos chineses. As proporções curtas e a dianteira arredondada dão a sensação de um carro pensado para cidade, mas o espaço interno surpreende para as dimensões externas.

As medidas ajudam a entender o porte: o Firefly tem 4.003 mm de comprimento, 1.781 mm de largura, 1.557 mm de altura e 2.615 mm de entre-eixos. As rodas podem chegar a 18 polegadas com pneus 215/50 R18, e o conjunto ainda acomoda um porta-malas dianteiro de 92 litros mais um compartimento traseiro em torno de 400 litros, que passa de 1.200 litros com os bancos rebatidos.

Comparar o porte ao do Geely EX2 ajuda a situar o carro: ambos miram o mesmo nicho de elétrico compacto e acessível, um segmento que o Brasil já recebe por outras marcas, como mostra o lançamento do DFM Box para enfrentar o Geely EX2. É justamente esse nicho que falta explorar com um desenho tão diferente quanto o da Firefly.

Firefly EV (4)

Firefly EV - interior

Foto de: Nio

Preços na China e o silêncio sobre o Brasil

Na China, a Firefly de 60 kWh parte de 136.800 yuans na compra direta, algo em torno de R$ 96 mil em conversão direta pelo câmbio atual, sem considerar impostos, taxas ou custos de importação. Quem prefere o modelo de assinatura de bateria, o chamado Battery-as-a-Service, paga 79.800 yuans pelo carro (cerca de R$ 56 mil em conversão direta, também sem impostos) e um aluguel mensal de 599 yuans pela bateria, aproximadamente R$ 420 na mesma conta direta, ante algo perto de R$ 280 dos 399 yuans da versão de 42 kWh.

O que você pensa sobre isso?

Proprietários que já compraram a bateria original podem migrar para a de 60 kWh por 17.000 yuans, valor que equivale a cerca de R$ 11.900 na conversão direta. Já quem aluga paga uma taxa única de 3.000 yuans, por volta de R$ 2.100 convertidos diretamente, para fazer a troca física do pacote sem precisar comprar um carro novo.

Não há, até agora, qualquer informação oficial sobre uma possível chegada da Firefly ao Brasil. A marca já soma mais de 90 mil unidades entregues desde o lançamento, mas segue tratando o modelo como um produto do mercado chinês, sem sinalizar planos de exportação para a América Latina.

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