Um analista do Morgan Stanley acha que a Tesla acabará acenando um adeus à China

A Tesla tem orgulho de ser a única empresa estrangeira que possui integralmente uma fábrica na China. Uma mudança nas regras facilitou ela se tornar a primeira e, até agora, a única a fazer isso. Antes disso, qualquer um que desejasse fabricar carros localmente precisava se associar a uma montadora local. Mas a Tesla ainda conseguirá vender seus carros elétricos na China com as tensões comerciais que o país tem com os EUA? Um analista do Morgan Stanley aposta que não.

Adam Jonas vai ainda mais longe em sua análise. A entrevista que ele concedeu ao Yahoo Finance é longa, mas em determinado ponto ele menciona que a Tesla pode parar de vender na China de forma definitiva em 2030. O analista do Morgan Stanley tem um motivo razoável para pensar dessa forma:

"Você pode imaginar uma rede autônoma chinesa de 'internet dos carros' operando nas ruas de Boston em dez anos? Claro que não. Acorde. Não está acontecendo. Portanto, essa ideia de que os chineses não têm permissão para usar redes de privacidade de dados de aprendizado de máquina nos Estados Unidos, mas está tudo bem para nós, é apenas uma falácia."

Modelo 3 China

Isso levanta uma discussão muito intrigante. Huawei e Tik Tok são apenas exemplos de empresas chinesas nas quais o governo dos Estados Unidos não confia. Como o governo chinês lidará com empresas americanas, como a Tesla?

Um caso recente de um motorista chinês que conseguia controlar cinco carros europeus - provavelmente devido a uma falha - mostra que a Tesla tem um único sistema para controlar todos os seus veículos em todo o mundo. Uma falha ou um ataque de hacker pode eventualmente expor motoristas chineses nos EUA ou motoristas americanos na China. 

NIO ES8
Sedã esportivo Xpeng P7 e SUV compacto G3

Esse tipo de situação também pode afetar as empresas chinesas que desejam vender carros na América, como as promissoras startups NIO e Xpeng. Se a Tesla quiser estar segura em ambos os países, provavelmente terá que garantir que os dados de qualquer um dos mercados permanecerão dentro de suas fronteiras.

Um cenário ainda mais desafiador seria se as coisas realmente azedassem entre os Estados Unidos e a China, e as empresas em ambos os países fossem pressionadas a escolher onde ficar. Como o Tik Tok, eles podem ser forçados a vender suas operações no país para empresários locais.

A China é atualmente o mercado de automóveis mais pujante do mundo, com 25 milhões de unidades vendidas em 2019. Os analistas preveem que o país asiático pode chegar a um pico de impressionantes 45 milhões de unidades por ano daqui a algum tempo.  

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Qual mercado a maioria das empresas escolheria, China ou EUA? O maior mercado da GM é a China. A Tesla pode eventualmente vender a maioria de seus carros lá também, principalmente porque o governo chinês tem foco em veículos elétricos. Um velho ditado afirma que o dinheiro não representa lealdade nacional.

Jonas insiste que essa questão da privacidade de dados pode até se tornar um grande problema, o que é irônico. A Tesla e seus apoiadores frequentemente afirmam que a empresa é mais do que uma montadora: seria uma empresa de tecnologia. Se esse for realmente o caso, a China pode começar a vê-la como os EUA veem as empresas de tecnologia chinesas e impor sua proibição.

"Em nossa opinião, não está de acordo com a discussão de segurança nacional que estamos tendo com nossos contatos da comunidade de inteligência quando falamos sobre IA, cibernética e espaço. Achamos que Elon foi convidado e então ele percebe que com o tempo as coisas vão mudar. Ainda pode haver um umbigo onde a Tesla pode possuir uma participação em uma entidade listada. Acreditamos que todas as empresas dos EUA (não é uma questão específica da Tesla) não saberão onde o partido está operando na China".

Essa possibilidade é uma das razões pelas quais ele acredita que as ações da Tesla não valem mais do que US$ 272. Ele também diz que a Tesla precisaria de uma escala muito maior para justificar os preços atuais das ações, além de cumprir suas promessas de autonomia total.

Não há como prever o que acontecerá se a China e os EUA não chegarem a um tratado de paz em relação às práticas comerciais. Segundo Jonas, o certo é que as empresas americanas sofrerão na China tanto quanto as chinesas nos Estados Unidos. E isso pode prejudicar a Tesla em um mercado crucial.

Fonte: Yahoo Finance via Teslarati

Galeria: Tesla Gigafactory 3