BYD se pronuncia após denúncia do MPT e mantém cronograma da fábrica
Montadora diz colaborar com o MPT e reafirma inauguração em 26 de junho
A ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) contra a BYD e empreiteiras envolvidas na construção da fábrica da montadora em Camaçari, na Bahia, teve novos desdobramentos nesta semana. A montadora chinesa afirmou em nota oficial que está colaborando com as autoridades desde o início da investigação e que a agenda de nacionalização da produção no Brasil será mantida.
A ação foi protocolada no último dia 27 de maio na 5ª Vara do Trabalho de Camaçari. Além da BYD, são alvos do processo a China JinJiang Construction Brazil Ltda. e a Tonghe Equipamentos Inteligentes do Brasil (atual Tecmonta Equipamentos Inteligentes Brasil Co. Ltda.), contratadas para tocar as obras da planta da BYD no estado baiano.
Segundo o MPT, a força-tarefa realizada em 23 de dezembro de 2024 identificou 220 trabalhadores chineses em situação análoga à escravidão e vítimas de tráfico internacional de pessoas. Eles foram trazidos ao Brasil com vistos de trabalho para funções especializadas, mas realizavam atividades distintas na construção civil. Os alojamentos inspecionados apresentavam condições insalubres, superlotação, vigilância armada, ausência de higiene básica, além da retenção de passaportes e jornadas de trabalho exaustivas.
As empreiteiras, segundo o MPT, mantinham cláusulas abusivas nos contratos, impunham pagamento de caução, retinham até 70% dos salários dos trabalhadores e impunham custos elevados em caso de rescisão antecipada, o que impedia o retorno dos operários à China sem prejuízo financeiro.
Com base nas apurações, o MPT pede que as empresas sejam condenadas ao pagamento de R$ 257 milhões por danos morais coletivos. A ação também solicita indenizações individuais, pagamento de verbas rescisórias e multa de R$ 50 mil por item descumprido, multiplicado por trabalhador prejudicado.
Resposta da BYD
Em resposta, a BYD afirmou que está colaborando com o Ministério Público do Trabalho “desde o primeiro momento” e que reafirma seu compromisso com os direitos humanos e trabalhistas. A empresa declarou que irá apresentar sua defesa nos autos e que respeita a legislação brasileira e as normas internacionais sobre proteção ao trabalho.
O presidente do Conselho de Administração da BYD Brasil, Alexandre Baldy, também se manifestou publicamente. Segundo ele, a ação formal não altera os planos da companhia de iniciar a produção nacional de veículos em junho deste ano. “Agora que fomos incluídos formalmente no processo, vamos apresentar nossa defesa nos termos da lei”, declarou Baldy.
Fábrica em Camaçari manterá cronograma
Mesmo diante da ação judicial, a BYD confirmou que a linha de montagem em Camaçari será inaugurada no dia 26 de junho de 2025 - o anúncio foi feito durante o evento de lançamento do Song Plus DM-i 2026. A planta será a primeira da montadora fora da Ásia voltada à produção de veículos de passeio.
Construída nas antigas instalações da Ford, a unidade de Camaçari faz parte de um plano maior da BYD, que inclui três fábricas: uma de automóveis, outra para produção de chassis de ônibus elétricos e uma terceira para o processamento de lítio e ferro-fosfato.
Galeria: BYD Song Pro (BR) - concessionária
Embora a BYD ainda não tenha confirmado oficialmente o modelo que será produzido inicialmente, a expectativa é que o BYD Dolphin Mini, o carro elétrico mais vendido do país, seja um dos primeiros veículos a sair da linha de montagem local. Outro modelo previsto para o local é o híbrido plug-in Song Pro, já anunciado em outras ocasiões pela montadora. Há outros modelos no planejamento, mas que ainda dependem de ajustes na estratégia.
Segundo Baldy, o início da produção marca um momento simbólico para a BYD no Brasil. “Vai muito além da comercialização. É feito com brasileiros, e feito para os brasileiros”, disse o executivo. Vamos acompanhar os próximos passos e o cumprimento do cronograma anunciado pela gigante chinesa.
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