Honda cancela SUV elétrico e reforça aposta em híbridos
Demanda menor e fim de subsídios nos EUA redirecionam bilhões da Honda
A Honda decidiu rever sua estratégia global de eletrificação e suspendeu o desenvolvimento de um SUV elétrico de grande porte que seria lançado até 2027. O modelo, apresentado como conceito no CES 2024, fazia parte de uma ofensiva que incluiria pelo menos outros seis elétricos até o fim da década.
Segundo o jornal japonês Nikkei, a montadora está redirecionando parte dos investimentos para acelerar o desenvolvimento de novas gerações de veículos híbridos. Citando fontes internas da empresa, menciona o corte do SUV de grande porte mostrado no CES durante o ano passado. Inicialmente pensado como um modelo de 7 lugares, o conceito entrou na lista devido a queda de demanda por elétricos globalmente e o iminente fim do crédito tributário para veículos de novas energias nos EUA.
Honda 0 SUV
A decisão não é isolada. Além da queda na demanda global por veículos 100% elétricos, a mudança de direção é impulsionada pelo novo cenário político nos Estados Unidos. Recentemente, o presidente Donald Trump assinou a chamada Big Beautiful Bill, que põe fim ao crédito fiscal de US$ 7.500 para veículos de novas energias, um subsídio que ajudava a impulsionar as vendas de EVs no maior mercado da Honda fora da Ásia. Sem esse incentivo, o custo para o consumidor final deve subir, tornando os elétricos menos competitivos frente a alternativas híbridas ou a combustão.
Fontes ouvidas pelo Nikkei afirmam que a Honda já começou a redirecionar investimentos antes destinados a elétricos puros para o desenvolvimento de novas gerações de híbridos. A meta inicial de destinar US$ 68,7 bilhões ao avanço de sua linha elétrica estaria sendo revista para cerca de US$ 48,1 bilhões, com a diferença reforçando a estratégia híbrida, especialmente em mercados como EUA e Europa, onde esses modelos mantêm procura estável e rentabilidade mais previsível.
Apesar das boas vendas do Mustang Mach-E, Ford também voltou atrás na eletrificação
Não foi só a Honda
A mudança de rota não é exclusiva da Honda. Nos últimos meses, outras montadoras também têm desacelerado seus cronogramas de eletrificação. A Ford, por exemplo, engavetou o projeto de um grande SUV elétrico de três fileiras com autonomia de 350 milhas (cerca de 560 km), previsto para chegar já este ano. Primeiro, adiou o lançamento para 2027; depois, cancelou de vez. Assim como a Honda, a Ford também decidiu reforçar a oferta de híbridos, apostando no equilíbrio entre eficiência energética e preço competitivo.
Por trás dessas revisões está um cenário político menos favorável. Além do fim do crédito fiscal, a administração Trump também sinalizou a revogação do mandato ZEV da Califórnia, que previa a proibição da venda de veículos exclusivamente a combustão até 2035. A medida gerou reação imediata: a Califórnia e outros dez estados entraram com ações judiciais contra o governo federal para tentar barrar a mudança.
Galeria: Honda Prologue 2024 - estreia
Na prática, a nova direção reflete uma realidade de mercado. Apesar dos avanços tecnológicos e do interesse por modelos como o Kia EV9 e outros SUVs elétricos de grande porte, o consumidor médio segue preferindo opções mais acessíveis. Um SUV híbrido, que custa quase metade de um equivalente elétrico de US$ 70 mil, cumpre bem o papel sem exigir mudanças drásticas na rotina de abastecimento.
Ainda assim, a Honda não deve abandonar totalmente seus planos para elétricos. Dois conceitos já revelados devem chegar às ruas até o fim da década, com visual futurista que foge do conservadorismo de outros lançamentos. Por ora, a marca segue vendendo apenas um modelo 100% elétrico nos EUA, o Honda Prologue, que é fabricado em parceria com a General Motors e que, ironicamente, se tornou um dos EVs mais vendidos da GM em 2024.
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