Pela 1ª vez, os 3 PHEVs mais vendidos da Europa são chineses; VW reage
Volkswagen pede tarifas após BYD e Jaecoo levarem chineses ao topo dos híbridos plug-in na Europa
A Volkswagen quer que a União Europeia amplie a guerra comercial contra a indústria automotiva chinesa. Depois das tarifas impostas aos veículos elétricos a bateria (BEVs), o grupo alemão defende que medidas semelhantes sejam aplicadas também aos híbridos plug-in (PHEVs), segmento que passou a ser dominado por fabricantes chinesas.
O pedido ocorre em um momento simbólico para o mercado europeu. Dados da consultoria Dataforce, divulgados pela Automotive News Europe, mostram que, pela primeira vez, os três híbridos plug-in mais vendidos da região são modelos chineses.
O líder do segmento é o BYD Seal U DM-i, versão europeia do Song Plus vendido no Brasil. Na sequência aparecem o BYD Atto 2 (que será flex aqui no Brasil) e o Jaecoo 7, enquanto o Volkswagen Tiguan, que liderava o ranking no ano passado, caiu para a quarta colocação.
Além da liderança entre os modelos, as fabricantes chinesas já respondem por 28,3% das vendas de híbridos plug-in na Europa, consolidando um avanço rápido justamente em um segmento considerado estratégico pelas montadoras locais.
Volkswagen muda o discurso
Durante a apresentação dos resultados financeiros do primeiro semestre, o CEO da Volkswagen, Oliver Blume, afirmou que a União Europeia precisa agir rapidamente para equilibrar a concorrência.
Segundo o executivo, as tarifas impostas aos elétricos a bateria ajudaram a reduzir a diferença competitiva nesse segmento. Já entre os híbridos plug-in, a avaliação é que as fabricantes chinesas continuam se beneficiando de condições consideradas desiguais.
O posicionamento chama atenção porque a Volkswagen tradicionalmente defendia cautela em relação a barreiras comerciais, principalmente devido à forte dependência do mercado chinês. Agora, a empresa passa a pressionar Bruxelas justamente em um segmento no qual perdeu competitividade.
Até o momento, a Comissão Europeia não anunciou uma investigação formal sobre híbridos plug-in, embora veículos da imprensa europeia indiquem que essa possibilidade está sendo estudada.
Mais do que uma disputa por tarifas
O avanço das marcas chinesas também revela uma mudança importante na dinâmica da eletrificação europeia. Durante boa parte da última década, a estratégia da Volkswagen foi baseada na transição direta dos motores a combustão para os elétricos a bateria. O grupo concentrou investimentos na plataforma MEB, na família ID. e em novas fábricas de baterias, enquanto os híbridos plug-in eram vistos principalmente como uma tecnologia intermediária.
Nos últimos meses, porém, o cenário mudou. A própria Volkswagen voltou a ampliar sua oferta de modelos híbridos. Além da continuidade do Golf GTE, a marca apresentou um novo sistema híbrido convencional (HEV) para o Golf e o futuro T-Roc, enquanto rumores indicam que a próxima geração do hatch deverá manter uma versão híbrida como parte central da gama.
Ao mesmo tempo, a ofensiva elétrica continua. A futura família de compactos baseada no conceito ID.2all, agora batizada de "ID. Polo" por representar o sucessor elétrico do Polo europeu, busca justamente tornar os elétricos da marca mais acessíveis.
Em outras palavras, a Volkswagen começa a recuperar competitividade entre os elétricos a bateria justamente quando descobre que seu maior desafio passou a estar nos híbridos plug-in.
Um cenário que lembra o Brasil
No Brasil, fabricantes chinesas como BYD, GWM, Jaecoo e Jetour consolidaram os híbridos plug-in como uma das principais frentes de crescimento da eletrificação. Modelos como Song Plus, Song Pro, Haval H6, Jaecoo 7 e Jetour T2 ampliaram a presença desse tipo de tecnologia muito antes de ela ganhar escala no continente europeu.
Enquanto isso, a própria Volkswagen também passou a revisar sua estratégia local. Além dos elétricos, os próximos lançamentos previstos para o Brasil incluem diferentes níveis de eletrificação, com projetos envolvendo sistemas mild hybrid (mHEV) e híbridos convencionais (HEV), refletindo um mercado que evoluiu de forma diferente daquela imaginada há poucos anos.
Ultrapassando uma simples discussão sobre tarifas, o avanço das fabricantes chinesas mostra que a transição para a mobilidade elétrica deverá ser mais diversificada do que muitas montadoras projetavam, com elétricos a bateria e híbridos convivendo por um período mais longo.
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