BYD cai 16% e vê Geely ficar a só 66 mil carros da liderança na China
Enquanto perde espaço em casa, chinesa cresce 68% no exterior e passa a depender cada vez mais das exportações
A chinesa BYD continua sendo a maior fabricante chinesa de carros eletrificados no mundo, mas sua vantagem dentro de casa encolheu rapidamente em 2026. A empresa fechou o primeiro semestre com cerca de 1,81 milhão de veículos de nova energia vendidos, uma queda de 15,7% sobre um ano antes, enquanto a rival Geely se aproximou da liderança no mercado local.
Ao mesmo tempo, nunca foi tão importante para a BYD vender para outros mercados. Só entre janeiro e junho, foram 792 mil veículos destinados ao exterior, um avanço de 67,8%, e as exportações já representam quase 44% do volume total de toda a companhia.
Marca acumula meses de queda nas vendas dentro de casa
Depois de registrar leve alta anual em julho e agosto de 2025, a BYD entra em setembro numa sequência de oito meses consecutivos de retração em relação ao mesmo período do ano anterior. Mesmo quando o volume mensal crescia, a fabricante continuava abaixo de seus próprios números de 2025.
O fundo dessa curva apareceu logo no começo deste ano. Janeiro terminou com queda anual de 30,7%, enquanto fevereiro despencou 41,8%. Março e abril mostraram recuperação sobre os meses imediatamente anteriores, mas ainda registraram recuos de 20,4% e 15,7%, respectivamente.
| Mês | Vendas | Mês a mês | Ano a ano |
| mai./2025 | 376.930 | 0,012 | 14,10% |
| jun./2025 | 377.628 | 0,002 | 11,00% |
| jul./2025 | 341.030 | -9,70% | 0,10% |
| ago./2025 | 371.501 | 0,089 | 0,20% |
| set./2025 | 393.060 | 0,058 | -5,90% |
| out./2025 | 436.856 | 0,111 | -12,70% |
| nov./2025 | 474.921 | 0,087 | -5,80% |
| dez./2025 | 414.784 | -12,70% | -18,60% |
| jan./2026 | 205.518 | -50,50% | -30,70% |
| fev./2026 | 187.782 | -8,60% | -41,80% |
| mar./2026 | 295.639 | 0,574 | -20,40% |
| abr./2026 | 314.100 | 0,062 | -15,70% |
Até abril, eram pouco mais de 1 milhão de automóveis de passageiros vendidos, queda de 26,4%. O ritmo melhorou nos meses seguintes, mas não o suficiente para reverter o semestre. Considerando todos os veículos de nova energia contabilizados pela empresa, foram aproximadamente 1,808 milhão de unidades entre janeiro e junho, 15,72% menos que no mesmo intervalo de 2025.
É importante separar os universos. A tabela mensal acima considera automóveis de passageiros e inclui exportações, enquanto o número consolidado divulgado no balanço semestral pela BYD engloba seus veículos de nova energia no período.
Bateria Blade de segunda geração
Nova geração da bateria Blade virou problema sério
Segundo Wang Chuanfu, presidente da BYD, parte importante da queda está ligada à capacidade ainda insuficiente de produção da segunda geração da bateria Blade. A nova tecnologia passa por aumento de escala e, nas palavras do executivo, as vendas deste ano dependerão diretamente da quantidade de baterias que a empresa conseguirá fabricar.
Um funcionário ligado à operação de carregamento ultrarrápido da BYD afirmou ao CarNewsChina que a capacidade melhorou depois de cerca de seis meses de atualização das linhas, mas segue apertada. Isso ocorre justamente enquanto a fabricante tenta acelerar a chegada de uma nova geração de carros e sistemas de recarga.
O enfraquecimento também chegou às contas. A receita da BYD caiu 7,1% no primeiro semestre, para 344,8 bilhões de yuans, enquanto o lucro líquido recuou 20,5%, para 12,32 bilhões. A própria fabricante atribuiu parte da pressão sobre o lucro a efeitos cambiais.
Mostrando que nem todos os sinais são negativos, a companhia conseguiu aumentar seu lucro líquido em 30% comparado com o mesmo período de 2025, enquanto a margem bruta atingiu 18,9%, maior nível registrado pela empresa em um ano.
Geely fica a apenas 66 mil carros
A perda de ritmo da BYD abriu espaço para uma disputa que parecia muito mais distante há pouco tempo. Considerando somente as vendas dentro da China, a companhia comercializou aproximadamente 1,016 milhão de veículos no primeiro semestre. A Geely Auto chegou a cerca de 950 mil, deixando uma diferença de apenas 66 mil unidades entre as duas.
Essa aproximação ganha ainda mais peso porque a Geely estabeleceu publicamente como objetivo assumir a liderança do mercado chinês em 2026, depois de encerrar o ano passado com recordes de vendas e resultados financeiros.
| 1º semestre de 2026 | Volume |
| BYD - vendas na China | 1.016.000 |
| Geely Auto - vendas na China | ~50.000 |
| Diferença BYD x Geely | 66.000 |
Há uma diferença importante nessa comparação. A BYD comercializa apenas veículos eletrificados, entre elétricos e híbridos plug-in, enquanto a Geely ainda consegue volumes relevantes com modelos exclusivamente a combustão. Portanto, os 950 mil carros da rival não representam apenas BEVs e PHEVs.
Ainda assim, a diferença de 66 mil unidades mostra o quanto a liderança doméstica da BYD ficou mais apertada. A Geely também vem acelerando sua própria eletrificação com a linha Galaxy e com marcas como Zeekr, ao mesmo tempo em que preserva a força dos modelos tradicionais.
Mako será primeiro produto da chinesa feito desde o começo pensado no mercado brasileiro
Fora da China, BYD cresce quase 68%
É no exterior que a fotografia muda completamente. A BYD exportou cerca de 792 mil veículos entre janeiro e junho, aumento de 67,8% em relação ao primeiro semestre de 2025. Com isso, aproximadamente 44 de cada 100 carros vendidos pela empresa já encontram compradores fora de seu mercado doméstico.
A fabricante trabalha com uma meta de 1,5 milhão de unidades no exterior em 2026, mas Wang Chuanfu já admite que o resultado poderá superar essa marca. Só em abril foram 134.542 carros de passeio e picapes comercializados fora da China, alta de 70,9% e então um novo recorde mensal.
O Brasil está entre os mercados que mais ajudaram na expansão da marca globalmente. Por aqui, a fabricante vem ganhando espaço rapidamente entre as marcas de maior volume, impulsionada principalmente por sua gama de elétricos e híbridos plug-in. Em breve, começará ainda a trabalhar com produtos pensados desde o começo para o consumidor local, caso da picape intermediária Mako.
Também cresceram as divisões mais caras do grupo, caso de Denza, Fang Cheng Bao e Yangwang, que somaram aproximadamente 228 mil veículos no primeiro semestre, avanço de 61% em um ano. Juntas, elas já respondem por 12,6% das vendas da companhia.
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