Carro elétrico também vai ao dinamômetro? BYD mostrou como funciona
Sealion 7 serviu de demonstração e marcou 547 cv, mas elétricos exigem alguns cuidados diferentes durante a medição
Carro elétrico também pode ir ao dinamômetro? Sim. Embora esse tipo de equipamento seja muito mais associado a modelos a combustão, especialmente carros preparados, ele também consegue medir potência e torque de veículos movidos a bateria. O princípio básico é o mesmo, mas há algumas particularidades por causa da entrega praticamente imediata de força e da atuação dos controles eletrônicos.
A dúvida ganhou uma demonstração pública no último fim de semana, durante um evento realizado no Autódromo José Carlos Pace, em São Paulo. A BYD instalou dois dinamômetros em seu espaço e colocou o Sealion 7 sobre os rolos, permitindo que visitantes acelerassem o SUV cupê elétrico parado enquanto acompanhavam os números registrados pelo equipamento.
Como funciona um dinamômetro?
No chamado dinamômetro de chassi, o carro permanece parado enquanto suas rodas movimentam rolos instalados sob os pneus. O equipamento mede a força aplicada sobre eles e a velocidade em que giram, usando essas informações para calcular torque e potência entregues às rodas durante uma aceleração.
É por isso que o resultado não é necessariamente igual ao número informado na ficha técnica. As fabricantes normalmente divulgam a potência nominal do motor ou do conjunto propulsor, enquanto o dinamômetro de chassi trabalha com o que efetivamente chega às rodas depois das perdas existentes pelo caminho.
Essas perdas também existem nos elétricos, mesmo sem componentes como embreagem e câmbio convencional. Engrenagens de redução, rolamentos, diferenciais e outros elementos continuam entre os motores e os pneus.
Os resultados ainda podem variar conforme o tipo de dinamômetro, calibração, metodologia, temperatura e eventuais fatores de correção utilizados. Por isso, uma medição feita nos rolos não deve ser comparada diretamente à potência oficial como se ambos os números fossem obtidos da mesma maneira.
O que muda em um carro elétrico?
A principal diferença está na forma como a força chega às rodas. Enquanto um motor a combustão precisa ganhar rotações até alcançar seu pico de torque, o elétrico consegue disponibilizar praticamente toda essa força desde as primeiras rotações. O dinamômetro precisa estar preparado, portanto, para receber uma carga elevada em um intervalo muito curto.
Em carros de tração integral há outra particularidade. Os eixos dianteiro e traseiro precisam trabalhar de maneira compatível durante o ensaio, já que diferenças anormais de velocidade entre as rodas podem fazer os controles eletrônicos interpretarem a situação como perda de aderência e limitarem a potência. Dependendo do modelo, também pode ser necessário usar um modo específico de teste ou seguir procedimentos determinados pela fabricante.
É justamente o caso do Sealion 7. Sua tração integral é adaptativa e utiliza como principal um motor síncrono traseiro de 313 cv e 38,7 kgfm. Na dianteira há uma unidade assíncrona de 218 cv e 31,6 kgfm, acionada quando necessário. Com os dois trabalhando juntos, são 531 cv e 70,4 kgfm.
Nos elétricos, nível e temperatura da bateria também podem interferir na potência disponível. O mesmo vale para o gerenciamento térmico dos motores e inversores e para limites estabelecidos pelo software, fazendo com que duas medições do mesmo carro possam apresentar resultados diferentes mesmo sem qualquer alteração mecânica.
Como é o BYD Sealion 7?
Lançado no Brasil em maio por R$ 339.990, o Sealion 7 é uma espécie de SUV do sedã Seal. Os dois pertencem à família Ocean da BYD e compartilham parte da base técnica, embora o modelo mais novo tenha carroceria de SUV cupê e dois motores elétricos com tração integral.
O modelo usa a e-Platform 3.0 e uma bateria Blade LFP de 82,5 kWh úteis. A arquitetura elétrica trabalha com 800 volts, enquanto a recarga chega a 150 kW em corrente contínua e 11 kW em corrente alternada. Segundo a BYD, os 531 cv e 70,4 kgfm levam o SUV de 0 a 100 km/h em 4,5 segundos e permitem atingir 215 km/h.
Durante uma das acelerações acompanhadas pelo InsideEVs Brasil no evento, o dinamômetro indicou 539,9 hp, equivalentes a aproximadamente 547 cv, a 4.828 rpm. São cerca de 16 cv além dos 531 cv da ficha técnica, mas isso não significa categoricamente que o Sealion 7 tenha oficialmente essa potência, já que os critérios e as condições de medição são diferentes.
O equipamento instalado pela BYD também registrava uma cronometragem da aceleração. Na passagem acompanhada, foram anotados 0,766 s de reação, 0,703 s nos 60 pés, 4,582 s de pista e 5,348 s de tempo total. Esses valores, vale mencionar, também não podem ser comparados aos 4,5 segundos oficiais do 0 a 100 km/h, pois correspondem a medições feitas de maneiras e em condições diferentes.
De qualquer forma, a iniciativa da BYD serviu para tirar o dinamômetro daquele imaginário de oficina e carro preparado. O equipamento também pode ser usado em elétricos, mas exige atenção especial à entrega imediata de torque, aos controles eletrônicos e, em modelos de tração integral, ao funcionamento dos dois eixos.
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