Anfavea: Brasil emplaca mais de 30 mil elétricos no 1º semestre de 2025
Com alta de 33% sobre 2024, os BEVs representam 2,5% do mercado de leves; maioria segue sendo importada
A eletrificação plena ainda representa uma fração do mercado automotivo brasileiro, mas os números mais recentes da ANFAVEA mostram uma trajetória de crescimento consistente. De janeiro a junho de 2025, foram licenciados 30.483 carros elétricos (BEVs) no país — um avanço de 33% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram emplacadas 22.927 unidades.
Apesar do crescimento expressivo, os BEVs ainda ocupam uma fatia modesta do mercado. Com base no total de 1.199.089 veículos leves licenciados no primeiro semestre de 2025 (automóveis + comerciais leves), os elétricos puros representaram 2,5% do total. Em 2024, essa participação era de cerca de 2%, o que indica um avanço gradual, mas ainda limitado.
Evolução dos emplacamentos de BEVs no Brasil (jan-jun)
|
Ano |
Unidades licenciadas (BEV) |
Variação vs ano anterior |
|
2022 |
8.846 |
– |
|
2023 |
17.259 |
+95,1% |
|
2024 |
22.927 |
+32,9% |
|
2025 |
30.483 |
+33,0% |
Participação dos BEVs no total de veículos leves (jan-jun)
|
Ano |
Total veículos leves |
Participação dos BEVs |
|
2022 |
~1.08 milhão |
0,8% |
|
2023 |
~1.14 milhão |
1,5% |
|
2024 |
~1.14 milhão |
2,0% |
|
2025 |
1.199.089 |
2,5% |
Fonte: ANFAVEA – Carta 470 (jul/2025)
Galeria: BYD - linha 2026 na concessionária (BR)
Outro ponto que se destaca no relatório da ANFAVEA é o peso dos veículos importados na expansão da eletrificação. A participação dos modelos importados no total de emplacamentos chegou a 19,1% em junho de 2025, o maior índice desde 2022. Embora o relatório não detalhe a origem dos BEVs, sabe-se que grande parte desses modelos vem da China e da Europa, com destaque para marcas como BYD, GWM, Volvo e BMW — muitas das quais ainda não têm produção local.
A ausência de produção nacional de carros 100% elétricos também se reflete na estrutura atual do setor. A base fabril instalada no país segue voltada majoritariamente para veículos a combustão, especialmente os com motor flex. Marcas como BYD, GWM e Stellantis já anunciaram fábricas para produção de modelos eletrificados no Brasil, mas os impactos desses investimentos devem começar a aparecer apenas nos próximos trimestres.
Enquanto isso, o mercado segue avançando sobre a base da importação, em um momento em que as alíquotas do imposto de importação para elétricos estão sendo retomadas gradualmente. O desempenho do segundo semestre — especialmente com o lançamento de novos modelos e o reforço nas redes de vendas — será crucial para medir o ritmo da transição elétrica no país.
Fonte: Anfavea
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