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Da Etiópia ao Nepal: boom dos veículos elétricos e lições para o Brasil

Países emergentes lideram a adoção de EVs com políticas e incentivos

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Foto de: Andrei Nedelea

Enquanto países ricos, como a Noruega, dominam o cenário global de veículos elétricos, com quase 90% dos carros novos vendidos em 2024 sendo elétricos, surpreende observar que nações emergentes, como Nepal, Etiópia e Vietnã, estão crescendo em ritmo acelerado na adoção dos EVs, muitas vezes superando países desenvolvidos.

No Nepal, os EVs já representaram 76% dos carros novos em 2024, enquanto quase metade dos veículos comerciais adquiridos também são elétricos. A transformação do país está relacionada a um conjunto de políticas públicas fortes: taxas elevadas sobre importação de carros a combustão, redução significativa de impostos para EVs, investimentos na expansão da infraestrutura de recarga e tarifas reduzidas para eletricidade usada na recarga. Ademais, a dependência do Nepal da energia hidrelétrica e sua proximidade com a China — principal fabricante mundial de EVs e baterias — favoreceram a rápida disseminação da mobilidade elétrica.

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O caso da Etiópia é ainda mais radical: em 2024, o país africano foi o primeiro a proibir a importação de veículos a combustão. Em dois anos, aproximadamente 8,3% da frota — cerca de 100 mil veículos — já são elétricos, número expressivo para o continente. O governo projeta 500 mil carros elétricos nas ruas até 2030, indicando um compromisso agressivo com a eletrificação do transporte.

Outro destaque é o Vietnã, cuja fabricante local VinFast alcançou 30% de participação no mercado de carros novos no primeiro semestre de 2025. Incentivos como isenção de taxas de registro e redução de impostos vêm impulsionando essa adoção.

VinFast-VF 3 exterior

Esses exemplos evidenciam que o avanço dos veículos elétricos não depende apenas da riqueza ou renda per capita de um país, mas sobretudo da clareza e eficácia das políticas públicas, incentivos econômicos e investimentos em infraestrutura.

No Brasil, onde o mercado de veículos elétricos ainda está em fase inicial, esses casos oferecem importantes lições. A combinação de políticas que reduzam o custo do veículo elétrico, a expansão rápida da infraestrutura de recarga e a oferta de modelos competitivos são essenciais para acelerar a transição.

Galeria: VinFast VF Wild Pickup Concept

Além disso, o papel da China como grande produtora e exportadora de elétricos acessíveis é um fator que o Brasil deve considerar, seja para estimular a concorrência, seja para buscar parcerias e importar veículos adequados à demanda nacional.

O que você pensa sobre isso?

O desafio brasileiro também passa pela construção de um ambiente regulatório estável, que incentive investimentos e seja socialmente inclusivo, evitando que a mobilidade elétrica fique restrita a um nicho elitizado. Há algumas discussões importantes sobre regulação do setor em tramitação nas casas legislativas, porém, sem uma conclusão iminente. 

Com base nas experiências do Nepal, Etiópia e Vietnã, fica claro que a mobilidade elétrica pode crescer rapidamente mesmo em economias emergentes, desde que haja um esforço coordenado entre governo, indústria e sociedade. O Brasil pode e deve aprender com esses exemplos para mudar o perfil da frota para veículos eletrificados e com baixas emissões. 

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