Avaliação BMW i4 M50 2025: seu elétrico não precisa ser chato ou chinês
Se hoje ele é assim, imagine quando for um Neue Klasse...
Além de uma aceleração brutal, uma parte dos carros elétricos não entrega muito mais que isso. A quem realmente valoriza a engenharia e a dinâmica de um automóvel, é triste observar o caminho que algumas montadoras estão seguindo. A BMW é o contrário disso, aproveitando suas décadas de conhecimento para criar carros elétricos que não fazem você sentir falta (ou tanta...) de um combustão bem feito.
O BMW i4 M50 é isso: um Série 3, com carroceria cupê (por isso, um Série 4) e, no lugar do 2.0 turbo ou 3.0 turbo, entram dois motores elétricos, um por eixo, e baterias no assoalho. Se você conhece e gosta do Série 3, é uma boa notícia e, indo além, já conseguimos pensar em como será o futuro Série 3 elétrico, feito sobre a plataforma Neue Klasse.
Quando o tradicional é mais importante
A BMW tem alguns modelos diferentões, como o iX e o i7, mas o i4 M50 é praticamente um Série 4 por fora. Vai perceber a diferença entre elétrico e combustão quem reparar na grade dianteira fechada - que recebeu novo desenho interno nesta reestilização - e o silêncio ao rodar. Sim, é a polêmica grade da BMW, grande, que marcou esta geração de modelos.
Cupê de quatro portas, o i4 tem maçanetas integradas na carroceria, portas sem arco dos vidros e, lógico, o caimento do teto para uma tampa inteiriça, seus diferenciais para um Série 3. Para nosso mercado, a BMW optou por rodas de 19", que acabaram pequenas no porte dessa carroceria. Na traseiras, novas lanternas, com tecnologia Laser, que acompanham novos faróis fullLEDs da dianteira.
Por dentro, mais uma vez, semelhante a um Série 3/4. Na reestilização, novas saídas de ar, volante esportivo com base reta e algumas mudanças em materiais, texturas e cores. No console central, bot˜es físicos ajustam modos de condução do carro e outras funções, com direito a um comando giratório para a central multimídia se você preferir ao touch screen, além de um seletor de marchas menor, mais discreto.
Uma estrutura única guarda duas telas, uma com 12,3" para o painel de instrumentos, e a de 14,9" está ali para diversas funções, com um software cada vez mais intuitivo e layout de fácil acesso ao que se precisa - mesmo com espelhamento ativo, os comandos de ar-condicionado e acessos a outras áreas ficam fixos o tempo todo na parte inferior. Se não tem mais comandos de ar físicos, ao menos facilitam o acesso a eles.
Potência de M3, torque brutal
Em poucos tempo, teremos o primeiro BMW M3 elétrico, sobre a plataforma Neue Klasse, esperado com cerca de 700 cv. Uma amostra disso já está no i4 M50, com 544 cv e 81,1 kgfm em dois motores elétrico, um por eixo. Já são números na mesma faixa do atual M3 a combustão, mas aqui temos a sapatada do torque instantâneo, e também a suavidade no dia a dia.
Uma das vantagens de um elétrico com dois motores é a distribuição automática entre eles. No caso do i4, o motor traseiro de 313 cv e 43,8 kgfm é quem está acionado em boa parte do tempo, principalmente em modos eco e normal, o que já é bem suficiente para o sedã de 2.215 kg, com o dianteiro de 258 cv e 37,2 kgfm entrando em situações como arrancadas ou ajudar na tração.
Ao volante, é um legítimo BMW. Direção com respostas diretas, suspensão bem calibrada e adaptativa - na traseira, bolsas de ar nivelam a carroceria quando com carga -, e respostas de freios, um problema em alguns elétricos, semelhante a um carro a combustão, mesmo com a necessidade do sistema de regeneração. É neste ponto onde os chineses ainda não chegaram que as tradicionais se destacam, principalmente o refinamento das alemãs para quem gosta de dirigir.
Com os elétricos, é fácil ter potência e torque. No i4 M50, o impacto dos mais de 80 kgfm de torque impressiona, mas seu poder de curvas é um diferencial, usando a distribuição automática entre os eixos e uma vetorização competente, além de uma direção direta e comunicativa, fazendo jus ao seus números, não apenas em linha reta.
Instaladas no assoalho, até as baterias colaboram com um centro de gravidade mais baixo. Com 83,9 kWh (81,3 kWh úteis), podem ser recarregadas a 11 kW (AC) ou até 205 kW (DC) - usei um carregador de 140 kW e recuperei de 15 a 70% em menos de uma hora e um custo bem mais baixo que o da gasolina. Em alcance, são 382 cv na cidade e 472 km na estrada, pelos nossos testes.
Não precisa sair do comum para ser elétrico
Sei que muitos ainda não estão prontos para ter um carro elétrico pelo tipo de uso e estrutura, mas há quem não abra mão do tradicionalismo técnico e, principalmente, não confie nas chinesas. No caso do BMW i4 M50, a etiqueta de R$ 674.950 pode te trazer tudo isso - um i4 "normal", eDrive40, custa R$ 581.950 com 340 cv e motor apenas traseiro, mas muitas qualidades como o M50. Liberdade de escolha é a palavra. Mesmo elétricos, alguns carros não perdem a alma de carro e não se tornam smartphones ou aparelhos eletrônicos sem emoção. Ainda bem.
BMW i4 M50
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