Executivo da Toyota dirige um Model X e diz: 'o híbrido é melhor'
O CEO da Toyota Research, Gill Bratt, explica por que ele acha que a eletrificação total não deve ser o único caminho a seguir
Gill Pratt não é um engenheiro comum. Formado pelo MIT, empenhado na área de eletrificação e combate às emissões desde a década de 1980 (quando era estudante participou e venceu corridas reservadas a veículos ecológicos e ultra-eficientes), passou sua vida dedicado ao mundo dos automóveis.
Atualmente CEO do Departamento de Pesquisa da Toyota, Pratt fez recentemente vários comentários sobre a transição de energia da Califórnia, onde mora, explicando que a mudança para um sistema de transporte privado baseado exclusivamente em carros movidos a bateria está errada. E disse isto como um feliz proprietário de um Tesla Modelo X.
Galeria: Toyota RAV4 Prime 2021
A questão da bateria
Pratt expõe sua opinião de maneira muito clara. "Sou o dono muito feliz de um Toyota Sienna híbrido, um RAV4 híbrido plug-in e um Tesla Model X - escreveu - e sempre uso o Tesla, que é um carro muito bom, mas dirijo em média 50 km no máximo. Sua bateria me permitiria rodar 500 km. Em certo sentido, portanto, é desperdício".
É esse aspecto, segundo Bratt, que deve nos levar a refletir. A bateria de um Model X tem 6 vezes o tamanho de uma do Toyota RAV4 PHEV. Segundo seu raciocínio, portanto, cerca de 6 carros recarregáveis poderiam ser eletrificados com as mesmas matérias-primas utilizadas nas baterias de um carro elétrico. Dessa forma, segundo ele, toda a frota poderia ser eletrificada com mais rapidez - mas apenas parcialmente, sem eliminar as emissões.
Galeria: Tesla Model X
O meio-termo
Bratt está convencido de que devemos insistir mais em modelos híbridos e híbridos plug-in. Isto porque são menos caros e respondem a certas necessidades de transporte de forma direcionada. Eles não reduzem as emissões a zero, mas limitariam os esforços de produção das baterias, mesmo que tivessem que lidar com a complexidade de ter sempre um motor de combustão interna também, com tudo o que isso implica.
Segundo Bratt, "o que é melhor em média não é o melhor para todas as pessoas. Diferentes sujeitos têm necessidades diferentes, também de acordo com o local onde moram. Existem países onde as fontes renováveis são generalizadas, outros onde a eletricidade ainda é gerada com combustíveis fósseis. Talvez nesses locais um híbrido consiga poluir menos que um elétrico durante todo o seu ciclo de vida".
Bratt ressalta que não é contra a eletrificação, pelo contrário, está convencido de que a transição energética do mundo dos transportes é necessária. Que devemos investir em fontes renováveis para ter energia limpa para abastecer os carros movidos a bateria, que devemos trabalhar para aumentar a rede de recarga e que devemos continuar a investir para progredir no campo do hidrogênio verde. Mas ele encerra seu discurso citando Albert Einstein: "Tudo deve ser o mais simples possível, mas não pode ser 'simplista'".
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