Novo Geely EX2 nacional terá bateria maior; chineses já testaram
Hatch elétrico que será produzido no Paraná estreia bateria de 47 kWh, novos ADAS e já roda em testes
O Geely EX2 que será produzido no Brasil deverá chegar já com as atualizações apresentadas recentemente na China. Flagrado em testes no Paraná, o hatch elétrico ganhou bateria de 47 kWh, novos recursos de assistência ao motorista (ADAS) e mudanças no interior. Enquanto a versão nacional segue em desenvolvimento, a imprensa chinesa já avaliou o modelo atualizado e antecipou o que os brasileiros podem esperar.
Flagrado recentemente em testes por Marlos Ney Vidal, do Autos Segredos, o futuro EX2 nacional já circula com as atualizações lançadas na China. Por lá, o hatch ganhou uma nova versão topo de linha equipada com bateria de 47 kWh (ante os 39,4 kWh do modelo atual), elevando a autonomia e trazendo mudanças no conjunto mecânico.
As novidades incluem ainda discretos retoques no visual, como novas rodas diamantadas, sensores dos sistemas ADAS reposicionados nas laterais e uma assinatura em LED integrada aos difusores do para-choque dianteiro.
No mercado chinês, o EX2 já passou pelas primeiras avaliações da imprensa local. Em teste publicado pelo Autohome, o hatch foi submetido a três dias de uso entre cidade, rodovia e estradas sinuosas, mostrando que as evoluções não ficaram restritas ao aumento da autonomia. A conclusão é de que a Geely conseguiu aprimorar um projeto que já era considerado referência entre os elétricos compactos, embora um velho problema ainda permaneça.
Eficiência da bateria
A principal novidade do EX2 atualizado está na bateria. A versão topo de linha passou a utilizar um conjunto de 47 kWh, substituindo a unidade de 39,4 kWh do modelo atual. A mudança ampliou a autonomia declarada para até 480 km no ciclo CLTC e foi uma das principais evoluções da linha 2026. Segundo a imprensa chinesa, porém, o ganho de alcance não veio acompanhado de um aumento proporcional no consumo.
Durante os três dias de avaliação, o hatch percorreu 304,5 km em diferentes condições de uso, incluindo cidade, rodovia e trechos de serra, registrando média de 12,1 kWh/100 km. O computador de bordo indicou valores entre 10,7 e 11,9 kWh/100 km, dependendo do trajeto.
Nas laterais, destaque para as novas rodas de liga leve e as câmera de ADAS nos para-lamas dianteiros
Na versão atualizada, a eficiência continua sendo um dos maiores atributos do EX2. Mesmo com a bateria maior, o modelo mantém um baixo consumo no uso cotidiano, especialmente em deslocamentos urbanos, onde o hatch elétrico concentra boa parte da sua proposta.
Além do menor consumo, o tempo de recarga também caiu. De acordo com a Geely, a bateria consegue recuperar de 30% a 80% da carga em 19 minutos utilizando corrente contínua (DC) de até 70 kW. Para comparação, a versão atualmente vendida no Brasil realiza o mesmo processo em cerca de 21 minutos, segundo os dados divulgados pela marca.
Suspensão é trunfo e pecado do EX2
Outro ponto bastante elogiado pela imprensa chinesa foi o comportamento dinâmico do EX2. Durante a avaliação, o hatch passou por diferentes condições de uso, incluindo trechos urbanos, rodovias e estradas sinuosas, revelando um conjunto mais refinado do que o esperado para um modelo compacto.
Enquanto boa parte dos concorrentes utiliza eixo de torção na traseira - caso, por exemplo, de BYD Dolphin Mini e GAC Aion UT - o EX2 conta com suspensão McPherson na dianteira e multilink independente na traseira, configuração considerada superior dentro da categoria.
Versão mais simples, com a bateria do atual, tem rodas diferentes
Na prática, os jornalistas chineses destacaram a capacidade do conjunto em filtrar pequenas irregularidades do piso, além do rápido controle dos movimentos da carroceria após passar por lombadas. O hatch entrega ainda uma sensação de robustez e conforto pouco comuns entre veículos elétricos compactos, sem cara de carro barato.
A configuração mecânica também contribui para esse comportamento. Utilizando layout de motor e tração traseira, além de raio mínimo de giro de 4,95 metros, o EX2 se mostrou bastante muito ágil em manobras urbanas e ruas estreitas. Nos trechos sinuosos, a direção precisa e o comportamento do conjunto também foram apontados como pontos positivos.
Na dianteira, saídas de ar ficaram maiores, enquanto difusores laterais ganharam DRLs
Por outro lado, a mesma característica que favorece o conforto revela algumas limitações quando o hatch é mais exigido. Em curvas com maior carga lateral, o pequeno deixou a desejar na sustentação, apresentando maior inclinação e os pneus começam a demonstrar seus limites.
O comportamento reafirma que a proposta do EX2 é ser um compacto elétrico voltado ao uso urbano, ainda que aposte bem mais no porte do que alguns de seus rivais diretos. Ele é um carro relativamente grande, com 4,13 metros de comprimento, 1,80 m de largura, 1,58 m de altura e tem entre-eixos de 2,65 m, algo que não mudou na linha atualizada, e a maior altura cobra seu preço.
Interior ficou mais maduro e perdeu desenho de cidade
Mais segurança, equipamentos e integração de ADAS
Como tem se tornado comum entre os carros chineses, as atualizações técnicas do EX2 se concentraram principalmente na evolução dos sistemas de assistência ao motorista e na integração entre o veículo e seus ocupantes. A Geely aproveitou o momento para adicionar novos recursos de segurança ativa e ampliar a capacidade dos sistemas eletrônicos embarcados.
Nas imagens do modelo atualizado, é possível notar novos sensores posicionados nos para-lamas dianteiros. Apesar de visualmente lembrarem pequenas setas laterais, os componentes fazem parte do conjunto de assistência ao motorista e ajudam na leitura do ambiente ao redor do veículo. Na dianteira, a maior atualização está concentrada nas novas entradas de ar e no acréscimo de DRL nos difusores verticais, alocados nas extremidades do para-choque.
As câmeras do para-lama
Eles fazem parte do sistema NOA (Navigate on Autopilot), que amplia os recursos de condução semiautônoma em rodovias. O hatch ainda recebeu Modo Sentinela, com monitoramento do veículo enquanto estacionado, além de câmera de 540 graus com projeção em 3D e novos recursos de navegação inteligente. Por falar no sistema de câmeras, a central multimídia também recebeu atualizações, ganhando tela maior e visual mais próximo ao do EX5.
O interior também parece mais maduro. Não gostou do antigo desenho de cidade no painel do EX2? A Geely tratou de deixá-lo mais discreto, mantendo apenas uma faixa de iluminação ambiente. Como o gosto local permite interiores diferenciados, há opções de acabamento em couro nas cores marrom, bege e preto.
Os bancos também foram modificados, com o do passageiro dianteiro passando a contar com ajustes elétricos, como já acontecia com o do motorista. Por fim, os comandos de marcha passaram a ficar alocados na alavanca direita, atrás do volante, deixando o console central.
Versão brasileira pode ter refinamento feito pela Renault
Essas mudanças, é claro, podem variar quando o carro chegar por aqui. O protótipo flagrado por Marlos Ney Vidal, do Autos Segredos, foi visto deixando o Complexo Ayrton Senna, da Renault, em São José dos Pinhais (PR), onde o hatch passa pela fase de desenvolvimento antes da nacionalização.
Será justamente dali, em um novo prédio anexo à fábrica, que sairão das linhas de montagem tanto o EX5 EM-i quanto o EX2. Em entrevista concedida ao Motor1 Brasil antes mesmo da confirmação oficial do hatch nacional, Ariel Montenegro, CEO da Renault Geely Brasil, revelou que ambos terão um processo de produção mais avançado do que a simples montagem de kits importados, incluindo etapas como pintura e montagem local.
Esse nível maior de participação da fábrica brasileira também abre espaço para um trabalho de desenvolvimento mais amplo. Com décadas de experiência em adaptação de veículos às condições de rodagem do país, a Renault poderá aplicar seu know-how para deixar o hatch ainda mais alinhado ao gosto do consumidor brasileiro. Afinal, a marca já refinou modelos originalmente desenvolvidos para o mercado europeu e também participou da criação de projetos concebidos desde o início para a América do Sul.
O hatch nacional da Geely chegará em algum momento ainda durante o ano de 2026, possivelmente mais perto da virada do ano. Até o momento, já foram vendidas 14.780 unidades durante o primeiro semestre do ano, deixando-o somente atrás do BYD Dolphin Mini entre os elétricos.
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