BYD pede isenção para importar kits SKD antes de produzir no Brasil
Montadora busca regime especial para kits SKD antes de iniciar produção local
A montadora chinesa BYD apresentou ao Governo Federal pedidos formais para um regime especial de importação com redução de tarifas para veículos parcialmente montados. A solicitação contrasta com o cronograma divulgado anteriormente pela empresa, que previa o início da montagem de carros em sua nova fábrica em Camaçari (BA) ainda no primeiro trimestre de 2025.
Segundo a apuração do site AutoData, os pedidos foram protocolados no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) do Governo Federal e solicitam a redução da alíquota do Ex-tarifário dos atuais 20% para 10% para kits SKD – sigla para semi knocked-down, que indica veículos parcialmente desmontados. Os modelos citados nos documentos incluem Song Plus, Dolphin e Yuan, além das picapes Shark e uma inédita picape compacta, ainda não apresentada publicamente.
O movimento é considerado atípico por especialistas do setor, já que o regime de Ex-tarifário normalmente contempla casos que envolvem transferência de tecnologia, incentivo à produção nacional e geração de empregos. A BYD argumenta que os modelos citados possuem eficiência energética superior à média dos veículos produzidos localmente, e que a montagem final no Brasil incluiria alguns componentes nacionais, embora não tenha especificado quais seriam esses itens ou fornecedores envolvidos.
Em documento enviado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em dezembro de 2024, a BYD informou que estuda a aquisição local de alguns itens, com destaque para as baterias, cuja montagem no Brasil poderia agregar valor ao produto final. Ainda assim, o texto reitera que a maior parte dos componentes viria desmontada da China, caracterizando a operação como importação de kits SKD.
Apesar do foco no início da montagem local, os documentos não especificam os volumes pretendidos para os próximos 36 meses nem detalham como se daria a transição para um estágio mais avançado de nacionalização por meio dos kits CKD (completely knocked-down), que teriam tarifa ainda menor, de 5%.
Outro ponto que chama atenção são os atrasos no cronograma da fábrica de Camaçari. Em dezembro de 2023, durante evento com autoridades e executivos da empresa, a BYD anunciou que iniciaria a montagem de veículos até o Carnaval de 2025. No entanto, até o momento, as obras da planta seguem inacabadas. Em visita realizada pela imprensa, incluindo o Motor1 Brasil, em dezembro do ano passado, foi informado um novo cronograma, com início da produção ainda no primeiro trimestre de 2025.
Galeria: BYD - Fábrica de Camçari
A CEO da BYD nas Américas, Stella Li, chegou a afirmar que os atrasos ocorreram por motivos pontuais e reforçou que a montagem teria início dentro do prazo. Segundo dados divulgados na ocasião, a empresa planejava contratar 3 mil funcionários até março e alcançar um total de 10 mil trabalhadores até agosto, com meta de atingir 20 mil empregados em operação plena.
Em nota, o governo da Bahia afirmou acompanhar de perto a atuação da BYD por meio de visitas técnicas semanais à planta de Camaçari. O Executivo estadual afirmou ainda que atua em conjunto com órgãos federais, sindicatos e representantes do setor produtivo para garantir o desenvolvimento da operação em conformidade com normas trabalhistas e industriais.
Apesar das promessas e declarações públicas, os pedidos formais de isenção protocolados em fevereiro e março de 2025 mostram uma realidade distinta. Os processos em análise no MDIC indicam que a operação de montagem pode ter início apenas no segundo semestre de 2025 e, ainda assim, com alto grau de dependência de componentes importados.
Até o momento, a BYD não se manifestou oficialmente sobre os pedidos ou sobre o novo cronograma da planta de Camaçari.
Fonte: AutoData
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