Neta: crise se agrava com possível saída do fundador e risco de falência
Sede em Xangai teve letreiro removido; produção na China está suspensa
A Neta Auto está passando por um dos momentos mais difíceis desde a sua criação. Nos últimos dias, imagens circularam nas redes mostrando funcionários removendo o logotipo da empresa da fachada da sede em Xangai, durante a madrugada. A própria Neta confirmou que a mudança foi motivada pelo fim do contrato de aluguel, mas ainda não divulgou para onde irá.
A retirada do letreiro veio no meio de uma crise que mistura problemas financeiros, disputas internas e risco de falência. Segundo fontes ligadas à empresa, acionistas estatais da Hozon querem tirar o fundador Fang Yunzhou do comando. Ele ocupa atualmente os cargos de CEO e presidente do conselho e lidera a marca desde que foi criada, em 2014.
A pressão por mudanças cresceu depois que as perdas acumuladas da empresa passaram de 18,3 bilhões de yuans (cerca de US$ 2,5 bilhões). Para piorar, o índice de endividamento chegou a 217%. Com esse cenário, já tem investidor defendendo que a Hozon entre em processo de reestruturação judicial — ou seja, falência com tentativa de reorganização.
Um dos motivos para o desgaste está na forma como a empresa foi estruturada. A Neta tem um modelo de “propriedade mista”: capital do governo com liderança privada. No começo, essa combinação ajudou a marca a crescer com apoio estatal. Mas, agora, as visões começaram a divergir. Enquanto Fang apostava em expansão rápida e metas ousadas — como dar lucro até 2026 e crescer no Sudeste Asiático —, os investidores públicos preferem mais cautela.
A crise também bateu forte na operação. Fornecedores afirmam que a Neta deve mais de 6 bilhões de yuans (algo perto de US$ 833 milhões), incluindo a gigante de baterias CATL, que já suspendeu entregas. Com isso, a produção na China parou, afetando inclusive os planos internacionais, mesmo com um crédito de quase US$ 300 milhões já aprovado na Tailândia.
As vendas também refletem a turbulência. Depois de entregar 152 mil veículos em 2022, a Neta caiu para 127,5 mil em 2023 e despencou para 64.549 unidades em 2024. E não foi só isso: houve demissões em massa, fechamento de lojas e protestos de fornecedores.
Galeria: Neta Auto - concessionária (BR)
Desde que voltou ao cargo de CEO, no final de 2024, Fang prometeu abrir capital, ampliar a presença global e alcançar margens positivas em 2025. Mas nada disso saiu do papel. Até um plano para converter dívidas em ações travou, o que só aumentou a desconfiança entre fornecedores e acionistas.
Agora, a possível saída do fundador e os rumores de falência colocam a Neta em um ponto crítico. A decisão está nas mãos do conselho de administração — e o futuro da marca, que já foi vista como promessa no mercado chinês de elétricos, depende do que será decidido nas próximas semanas.
No Brasil, a Neta iniciou a pré-venda dos modelos elétricos Aya e X em novembro de 2024, inaugurando logo em seguida, em janeiro, sua primeira concessionária no país. Na ocasião, prometeu ampliar a rede ao longo de 2025 e lançar novos modelos, como o Neta GT — um cupê esportivo de preço competitivo — e o Neta L, um SUV elétrico de porte médio com opção de extensor de autonomia, que inclusive foi eleito Carro do Ano na China em 2024. No entanto, a expansão da rede não aconteceu e os novos modelos não foram lançados. Com toda essa instabilidade na China, ainda não está claro se o cronograma será mantido no mercado brasileiro — ou mesmo se a operação continuará.
Fonte: CarNewsChina
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