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Huawei critica carros da Xiaomi; empresa rebate e cita sucesso do SU7

Conflito entre gigantes chinesas vai dos smartphones aos carros elétricos

huawei
Foto de: Huawei

A guerra de preços no mercado automotivo chinês tem várias faces. Uma delas é a rivalidade entre Huawei e Xiaomi, antes concentrada no setor de smartphones e que agora se estende ao mercado de carros elétricos. As duas gigantes da tecnologia chinesa disputam espaço em um segmento que cresce rapidamente, mas que também exige diferenciação em qualidade, inovação e escala.

Durante o Salão de Shenzhen 2025, o executivo da Huawei, Richard Yu, fez declarações indiretas sobre a Xiaomi, criticando a qualidade dos veículos da concorrente. Sem mencionar nomes, Yu afirmou que há empresas de fora do setor automotivo que, mesmo com apenas um modelo lançado, conseguem vendas expressivas com base em marketing e imagem de marca — e não necessariamente em qualidade técnica.

Maextro S800 - JAC Huawei

Maextro S800 - JAC Huawei

Foto de: AutoHome

"As vendas são altas, mesmo que o produto não seja tão bom", disse Yu em seu discurso. Segundo ele, os veículos da Huawei e de suas marcas parceiras oferecem qualidade superior em todos os aspectos, como experiência do usuário, desempenho e recursos de direção autônoma. No entanto, segundo Yu, os carros apoiados pela Huawei não alcançam os mesmos níveis de vendas.

As declarações repercutiram nas redes sociais chinesas e geraram resposta rápida da Xiaomi. O presidente da empresa e parceiro do projeto de veículos, Lu Weibing, utilizou sua conta no Weibo para rebater as críticas, afirmando que o sucesso do SU7, primeiro carro elétrico da Xiaomi, se deve à competitividade do produto e à metodologia da empresa.

Stelato S9 - Huawei

Stelato S9 - Huawei

“O sucesso do Xiaomi EV é o sucesso dos valores e do modelo de negócios da Xiaomi”, escreveu Lu. Ele também citou o escritor chinês Mo Yan, dizendo que “a difamação é, por si só, uma forma de admiração”.

O fundador e CEO da Xiaomi, Lei Jun, compartilhou os números de entrega da empresa em maio, que superaram 28 mil unidades. Foi o oitavo mês consecutivo com mais de 20 mil carros entregues mensalmente, o que demonstra consistência na aceitação do SU7 pelo mercado. A publicação de Lei inicialmente incluía a mesma citação de Mo Yan, mas o trecho foi posteriormente removido.

Loja Xiaomi em Xangai/Xiaomi Su7

Loja Xiaomi em Xangai/Xiaomi Su7

Foto de: Patrick George

A Huawei, por sua vez, não fabrica veículos diretamente. A empresa atua por meio da aliança HIMA (Harmony Intelligent Mobility Alliance), que reúne montadoras chinesas como Seres, Chery, BAIC, JAC e SAIC. Nessa parceria, a Huawei participa da definição dos produtos, design e vendas, mas as marcas seguem independentes em estrutura.

Entre os modelos apoiados pela Huawei estão o Aito (Seres), Luxeed (Chery), Stelato (BAIC), Maextro (JAC) e Shangjie (SAIC). Os lançamentos dessas marcas são geralmente conduzidos pela própria Huawei, com Yu à frente das apresentações.

Galeria: Xiaomi Store Shanghai

A Xiaomi, que anunciou sua entrada oficial no setor automotivo em 2021, lançou o SU7 em março de 2024. O modelo rapidamente se tornou um dos mais vendidos entre os carros elétricos na China. Além das versões padrão, a linha inclui uma versão esportiva com potência máxima de 1.548 cv. No final de maio, a empresa apresentou o SUV YU7, com lançamento oficial previsto para julho.

A rivalidade entre Huawei e Xiaomi é antiga e remonta ao período de maior expansão do mercado de smartphones. Em 2019, a Xiaomi lançou a marca Redmi para competir diretamente com a Honor, então uma subsidiária da Huawei, o que gerou intensos debates públicos entre as duas companhias.

O que você pensa sobre isso?

Agora, a disputa se repete no setor de mobilidade elétrica, com estratégias distintas: a Huawei focando em parcerias e tecnologia embarcada, e a Xiaomi apostando em uma operação integrada e produtos próprios com forte apelo de mercado. Quem levará a melhor nessa disputa?

Fonte: CNEVPost

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