BYD lança programa Zero Defeito para elevar qualidade das baterias
Programa Zero Defeito quer elevar eficiência e qualidade das baterias a níveis próximos ao padrão Toyota
A BYD iniciou um programa global de padronização e eficiência chamado “Zero Defects”, uma iniciativa interna que tem como objetivo elevar a qualidade de suas baterias em um momento de forte expansão da empresa nesse mercado. O movimento ocorre em paralelo ao aumento expressivo do volume de produção, que atingiu 113,42 GWh nos primeiros três trimestres de 2025, e ao crescimento da fatia destinada a outros fabricantes, hoje responsável por mais de 20% do total produzido.
Fontes próximas à companhia apontam que o projeto começou a ser implementado no terceiro trimestre de 2025 e envolve ajustes nos fluxos de produção, reorganização de equipes e a adoção de padrões mais rígidos de controle de qualidade.
Padrão Toyota
A meta é reduzir ao mínimo possível qualquer falha ao longo de todo o ciclo de vida da bateria — desde a fabricação até o atendimento ao cliente — e alinhar as operações da BYD a práticas de gestão consideradas referência global. Nos bastidores, o objetivo declarado é atingir um nível de consistência semelhante ao da Toyota, conhecida há décadas pela eficiência de seus processos industriais.
A iniciativa surge em um momento estratégico para a companhia. Além de ser uma das maiores fabricantes de veículos elétricos do mundo, a BYD também ocupa hoje a posição de segunda maior produtora de baterias, atrás apenas da CATL.
Parte desse avanço se explica pela adoção precoce da química LFP (lítio-ferrofosfato) e pelo desenvolvimento da Blade Battery, que utiliza células alongadas e um arranjo sem módulos para maximizar o aproveitamento do espaço no pack. A tecnologia se tornou referência ao combinar alta durabilidade — entre 3.000 e 5.000 ciclos, segundo a própria empresa — com bons índices de segurança e custos menores.
Nos últimos anos, no entanto, a aceleração da demanda levou a BYD a ampliar não apenas a produção interna, mas também o fornecimento para outras montadoras. De janeiro a setembro de 2025, 23,65 GWh, equivalentes a 20,85% de toda a produção de baterias de tração da empresa, foram destinados a clientes externos.
Galeria: BYD Blade Battery
Em ciclos anteriores, esse percentual permanecia na casa de um dígito, o que mostra um aumento significativo da presença da BYD como fornecedora no mercado global. A empresa também expande sua atuação no segmento de armazenamento estacionário, reforçando a necessidade de processos mais robustos e padronizados.
A expectativa é que o “Zero Defects” fortaleça a competitividade da BYD em um cenário em que a confiabilidade das baterias se tornou um diferencial relevante. A empresa trabalha para reduzir variações de produção, minimizar retrabalhos, acelerar a identificação de desvios e integrar práticas de controle mais rígidas em todas as unidades.
Esse pacote de medidas deve permitir que a companhia aumente sua capacidade instalada com mais consistência, ampliando margens e reduzindo desperdícios. A padronização também tende a encurtar prazos de certificação e facilitar a expansão para mercados regulatórios mais exigentes, especialmente Europa e América do Norte.
Para o Brasil, o movimento tem impacto direto. A BYD ocupa hoje posição central no avanço dos veículos elétricos no país, tanto com seus automóveis importados quanto com o início da implantação de sua fábrica na Bahia, que já realiza a montagem dos modelos Dolphin Mini, Song Pro e King em SKD e planeja a produção local de baterias mais adiante.
A busca por maior controle de qualidade tende a beneficiar mercados onde a empresa planeja expandir presença industrial, reduzindo riscos de falhas em larga escala e fortalecendo a percepção de confiabilidade de seus produtos. Em um setor em que problemas de bateria ainda geram preocupação entre consumidores, iniciativas desse tipo ajudam a consolidar a imagem da empresa naquele que é um de seus mercados prioritários fora da China.
Embora ainda não tenha divulgado métricas específicas ou metas de curto prazo, a BYD deve continuar implementando ajustes internos até 2026, período em que espera alinhar processos, sistemas de gestão e atendimento ao cliente com padrões internacionais.
Caso os objetivos sejam alcançados, o programa poderá marcar uma nova fase na atuação global da fabricante chinesa, reforçando sua transição de montadora para fornecedora estratégica de soluções em eletrificação e armazenamento de energia.
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