BYD e CATL aceleram baterias de sódio com alta do preço do lítio
Custo do lítio dispara na China e indústria aposta em tecnologia mais barata para carros elétricos
A disparada recente do preço do lítio na China está acelerando o interesse da indústria por baterias de íon-sódio, com BYD e CATL liderando o movimento de transição para a nova química em aplicações de menor custo. A tecnologia vem sendo posicionada como alternativa viável para veículos elétricos de entrada, além de uso em frotas comerciais e sistemas de armazenamento de energia.
No início de 2026, o preço do carbonato de lítio ultrapassou 170 mil yuan por tonelada, o equivalente a cerca de R$ 129 mil na conversão direta. O patamar representa uma pressão relevante sobre os custos de produção dos EVs, especialmente nos modelos equipados com baterias LFP (lítio-ferro-fosfato), hoje dominantes nos segmentos mais acessíveis do mercado chinês.
As baterias de sódio utilizam matérias-primas mais abundantes e distribuídas globalmente. Enquanto o lítio está concentrado em poucos países, como Chile, Argentina e Austrália, o sódio é encontrado em larga escala na crosta terrestre, o que reduz a exposição a gargalos geopolíticos e flutuações de oferta. Do ponto de vista industrial, isso abre espaço para uma cadeia produtiva potencialmente mais estável e previsível no longo prazo.
A CATL já lançou uma bateria de íon-sódio voltada para veículos comerciais leves e confirmou que a aplicação em carros de passeio deve começar no segundo trimestre de 2026. O primeiro modelo a adotar a tecnologia deve ser o Aion Y Plus, SUV elétrico da marca Aion, do grupo GAC, que, inclusive, já está à venda no Brasil. A fabricante também sinaliza que a produção deve ganhar escala ao longo do ano, conforme a demanda por soluções de menor custo cresce no mercado interno.
A BYD, por sua vez, já colocou em operação uma linha dedicada de 30 GWh para baterias de sódio, reforçando que a tecnologia não é apenas experimental. Outras empresas da cadeia também avançam: a EVE Energy anunciou um projeto de 1 bilhão de yuan (cerca de R$ 760 milhões), enquanto a Ronbay Technology passou a converter parte de sua produção de materiais de lítio para sódio.
Em 2025, as entregas globais de baterias de íon-sódio chegaram a aproximadamente 9 GWh, alta de 150% em relação ao ano anterior. Embora ainda representem uma fração pequena do mercado total, os volumes já indicam início de industrialização em escala comercial.
Do ponto de vista técnico, as baterias de sódio apresentam vantagens específicas. Em baixas temperaturas, alguns protótipos conseguem manter mais de 90% da capacidade a -20 °C, desempenho superior ao de muitas baterias de lítio convencionais. Além disso, estimativas apontam que os materiais podem ser 30% a 40% mais baratos, embora os custos finais ainda dependam do amadurecimento da cadeia produtiva.
A principal limitação segue sendo a densidade energética. Hoje, as baterias de sódio operam entre 100 e 170 Wh/kg, abaixo das LFP mais modernas (180 a 200 Wh/kg) e muito distantes das químicas ternárias, que ultrapassam 250 Wh/kg. Isso restringe sua aplicação a veículos de menor autonomia, reforçando o papel complementar da tecnologia, e não substituto direto do lítio.
Analistas do setor indicam que 2026 deve marcar uma fase de comercialização acelerada das baterias de sódio na China, sobretudo em modelos urbanos, comerciais leves e aplicações estacionárias. A leitura dominante é que a tecnologia surge como resposta direta ao encarecimento do lítio, ajudando a preservar a viabilidade econômica dos veículos elétricos nos segmentos mais sensíveis a preço.
Fonte: CarNewsChina
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